Como trintão que sou, a ideia de hipster veio a fazer parte da minha vida já nos tempos pós-faculdade. De início nem os estranhava muito, ou não tivesse eu estudado na Faculdade de Belas-Artes, e onde ir para as aulas de pijama era uma cena. Costumo dizer com frequência que grande parte da minha Licenciatura foi feita no Bairro Alto, e não apenas pela proximidade geográfica. Mas ali mesmo no final do curso, em meados da década passada, aquela heterogeneidade que eu via nos corredores do Convento de S. Francisco passava a expandir-se lá para fora, com pessoal a vestir a roupa das avós e os óculos das tias bisavós, mas sem lentes, numa escalada de decisões de “moda” que anunciavam aquilo que viria a ser a chegada dos hipsters a Portugal.

Tenho um amigo que definiu o David Fonseca como uma espécie de Santo Pontífice português do hipsterismo e o António Variações o Santo Padroeiro. Passo o devido crédito ao João Figueiredo por esta definição tão boa dos hipsters.

No início desta década estive em Londres (ou que só por si dá laivos de hipsterismo, mas é só impressão) e percebi que a praga que eu via em Lisboa era uma verdadeira pandemia na capital do Reino Unido. Um casal de amigos que nos recebeu lá falava exactamente disso, e até nos falou da forma carinhosa como os hipsters são apelidados na urbe londrina: “dickheads”, e até tinham uma música viral no Youtube que até hoje não me sai da cabeça.

E a partir de agora também já não a esquecem.

Pelo meio das largas dezenas de jogos indie que recebemos por mês chegou um tower defense muito peculiar. Ao invés de nos porem a defender o nosso território de zombies, alienígenas ou orcs, Hipster Attack leva-nos a criar barreiras perante o ataque súbito de vagas de hipsters que invadem o nosso café habitual.

As semelhanças com o genial Plants vs Zombies são óbvias, mas trocamos as plantas por trabalhadores de Recursos Humanos e os zombies por hipsters. O jogo possui duas moedas: o café que equivale à energia solar do famoso jogo da PopCap, e dinheiro, com o qual podemos pagar às nossas unidades um bónus salarial para terem um boost de poder. À medida que as hordas de hipsters avançam, os nossos funcionários de RH vão atirando papéis com propostas de emprego e CVs até que os bigodes caiam aos inimigos e eles desapareçam.

O humor em Hipster Attack é o ponto mais alto. As nossas unidades e as “criaturas” de diversidade hipster são verdadeiramente hilárias, com alguns dos inimigos a aparecerem em cena em cima de uma bola de pilates e outros com um gira-discos ao peito a arremessarem vinis na nossa direcção.

Hipster Attack é um jogo na mesma veia de Plants vs Zombies e apresenta um nível de complexidade e desafio quase idênticos à sua grande inspiração, mas com óbvias limitações em termos de diversidade de unidades. Mas o humor e a diversão deste jogo que nos roubou umas valentes gargalhadas lá em casa tornam-se ainda mais apetecíveis com o preço estabelecido pelos seus criadores do estúdio Televisor. Hipster Attack está no Steam, Android e iOS por 2,39€ e 2,29€ no caso das versões mobile. Altamente recomendado pela sua aura descomprometida e humorística, e que mata algumas saudades de mais um jogo de Plants vs Zombies, tendo ainda como bónus a possibilidade de vermos uma série de hipsters de diversas formas e feitios a serem barrados de forma agressiva de invadir o nosso café favorito.