Lembram-se da rubrica que tivemos durante anos que era um cadavre exquis no qual a redacção se juntava para responder a uma pergunta única? O calor do Verão fez-nos ter saudades dessa rubrica e nem por acaso as férias de Verão terminaram e serviram de mote ao regresso do Tudo ao Molho. E a pergunta que nos colocámos, já com saudades das férias foi:

Melhores jogos para jogar nas férias e porquê?

Felisberto Lagartinha

Melhor jogo para se jogar nas férias é qualquer jogo de Roleplay como Fiasco, Microscope ou Dungeons & Dragons.

As férias são aquele momento para pôr a leitura em dia, estar com os amigos e deixar o telemóvel de lado, nem que seja porque o serviço é péssimo. Porque não fazer tudo de uma só vez, numa espécie de 3 em 1.

Se estiverem na praia, recomendo o Observador: Oneiros, jogo vencedor do Primeiro Passatempo Felisberto Lagartinha e que foi desenhado propositadamente para ser desfrutado com areia nos olhos.

Ricardo Mota

Vou tentar afastar-me dos gostos pessoais e, em vez de nomear este ou aquele, ir mais para géneros. RPGs. Jogos que sabemos de antemão que iremos demorar bastante tempo a jogar, desfrutar e concluir. Se estamos de férias, teremos mais tempo para isso, sem que isso implique sermos funcionais apenas depois das 11 da manhã e de 4 cafés no dia seguinte.

João Miguel Correia

As férias são longe dos computadores e consolas, escolho jogos de tabuleiro para desfrutar com amigos e família. Este ano foi ano de Carcassonne.

João Machado

A minha resposta, para começar quebrando a tradição de serem iguais às do Ricardo, mudou ao longo dos anos.

Outrora, jovem estudante sem preocupações ou obrigações na vida passei muitas férias a jogar o CM/FM do ano ou Age of Empires. Jogos que sugavam tempo que tinha para dar e vender nessa altura. Não tinha o mínimo problema de estar das 22h às 6h a jogar uns campeonatos, dormir umas horas e por volta das 15h estar a fazer transferências para a época seguinte.

Hoje é diferente, prefiro jogos mais leves. Puzzle games são sempre uma boa opção. RPGs também, estas férias foram dedicadas a Darkest Dungeon por exemplo porque podia largar e voltar a pegar nele a qualquer hora.

Outra boa opção são Aventuras Fantásticas talvez por ser Old School acho que um livro é sempre melhor que uma consola ou PC no exterior. Pode ser um e-reader também. Não estamos na idade das trevas.

José Machado dos Santos

Branco ou tinto?

Cheio. Ou seja, a resposta certa é tantos quanto possível. Afinal há que aproveitar o tempo extra. E o meu não será com certeza investido em auto-flagelação solar na praia, a não ser que obrigado. Pessoalmente gosto de me perder naqueles poços sem fundo para os quais nunca há tempo. Umas campanhas de Total War, umas temporadas no FIFA, mais uma personagem no Star Wars: The Old Republic, ou aquele jogo que está no backlog há demasiado tempo.

Atiro também o meu voto para os jogos de tabuleiro, uma vez que o tempo em família também tende a aumentar. E não há nada melhor para mim do que um serão familiar com comida e jogos.

Se for MESMO preciso sair de casa, algo como Love Letter cabe no bolso.

Pedro Nunes

Os jogos competitivos online são quase um não: é época alta de crianças de 12 anos que garantem que já dormiram com as mães de nós todos um par de vezes. Caso fiquemos por casa, é a melhor altura para passar aquele RPG que tivemos medo de começar por falta de tempo para o aprender. Lá fora levar algo leve para jogar com a família, este ano foi o genial board game Kingdomino.

Nuno Marques

Na minha mente há toda uma panóplia de escolhas a fazer, dependendo do indivíduo e do contexto. Tens amigos que gostam de jogar jogos online? Aproveita para largas sessões do teu jogo competitivo favorito para manteres o contacto com a malta e conheceres pessoal novo, assim como melhorares o trabalho de equipa. Chama os amigos lá para casa e faz uma noite de board games ou party games como Jackbox Party. Gostas mais de jogar sozinho? Aproveita para escavar no teu imenso backlog de títulos ou revisitar os teus favoritos de sempre. De qualquer maneira opta sempre por jogos com longa duração (RPGs), alta rejogabilidade (RTSs, Rogue-like, Puzzle, etc.), ou com uma curva de aprendizagem ou dificuldade elevada. Acima de tudo pensa no que podes jogar que normalmente não consegues no teu dia a dia e diverte-te!

João d’Sousa Antunes

Correndo o risco de me repetir, pois lancei um artigo com um tema muito semelhante, aceitei ainda assim o desafio. Para mim, um jogo para férias passa por algo que não exija uma entrega emocional elevada por parte do jogador. Explicando, quero um jogo que não me deixe a pensar nele após o desligar. Gosto de aproveitar as minhas férias com o menor número de preocupações, sejam elas, reais ou virtuais. Posto isto, creio que jogos com níveis ou sessões de jogo curtos, bem como maior foco em mecânicas, são ótimas opções. No caso da existência de história, procuro narrativas oferecidas ao jogador, em oposição a enredos complexos que puxem ao sentimento. Exemplos rápidos sem utilizar nenhum dos referidos no meu artigo são o Rocket League ou o Fury.

Ricardo Mota (strikes back)

Epá… fresquinho e acabadinho de sair: TWO POINT HOSPITAL. <3

Ricardo Correia

O sinal dos tempos, da idade, e do aumento da família é que por um lado a ideia de férias de Verão já não é sinónimo de noites sem dormir a jogar tycoons ou jogos de estratégia porque depois no dia seguinte posso acordar tarde (quem tem filhos sabe que não existe tal coisa como dormir até ao meio-dia) e por outro “férias” também já não significam “jogar sozinho”. Já que as férias  terminaram há algum tempo, basta-me olhar para trás para perceber as escolhas que fiz, e que decerto serão aquelas que irei fazer nos próximos anos.

Se nos anos anteriores viajava sempre com a minha NDS para passar jogos que estavam no backlog e que iam finalmente ter a oportunidade de serem jogados (como o foi Ghost Trick), este ano repeti a intenção mas acabei por passar mais tempo a passar co-ops na Switch com o meu filho (abençoada consola híbrida que nos deixa jogar em modo 2 player em literalmente qualquer sítio).

O outro ponto, e com o crescente interesse do meu filho em jogos de tabuleiro, acabámos por fazer uma selecção, especialmente de card games pela portabilidade, para andar nas férias. Este ano as escolhas recaíram sobre dois Kickstarters que fizemos e cujas análises faremos em breve (não fossem as dezenas de horas de jogo que temos em cada um ditarem-no): Nightmarium e Take the Gold.

Em suma, eu que tenho dois filhos (ainda que um seja apenas bebé) e tendo uma mulher game developer, as escolhas de melhores jogos recaem em jogos que possam ser partilhados, sejam eles board/card games, ou mesmo jogos mais casuais, cooperativos e competitivos na Switch. Ainda que exista sempre um bocadinho antes de dormir para tentar jogar aquela pérola conhecida no backlog da NDS.