Hora do Meh #27

Certos jogos baseiam-se na simplicidade, seja ela visual ou noutro campo qualquer, o seu ponto forte está em descomplicar as coisas, manter-se fora das areias movediças que muitas vezes acabam por atolar o desenvolvimento do jogador. Hoje, olhamos para dois desses jogos e vamos ver que lá porque as coisas simples são boas, neste mercado é preciso mais do que isso.

Hardest Dungeon

Hardest Dungeon diz logo grande parte do que faz no seu nome. À primeira vista sabemos que vai ser difícil e vai envolver masmorras. Numa segunda camada podemos assumir que é um roguelike e um dungeon crawler, o que nos resta as hipóteses de ser um jogo de acção ou um RPG.

É ambos. É um action RPG. Com um twist.

Um dungeon crawler top-down em que exploramos as ditas masmorras com um personagem é algo comum, com uma party compilada num só sprite/personagem em que cada membro tem as suas particularidades e basta clicar para os rodar como personagem principal para tirar proveito dessas habilidades no momento já é mais raro. É nesta facilidade de mudar o leque de opções e consequências com um rápido clicar do botão é o que dá o maior encanto a Hardest Dungeon. Mas no geral é isso, de resto é um jogo banal. É difícil de jogar, a sua curva de aprendizagem no geral é bastante acentuada, mas em alguns pontos é bastante eficaz.

Infelizmente Hardest Dungeon tem pouco mais do que essa capacidade para o colocar num patamar diferente dos seus pares, não é capaz de ser um grande jogo mas é razoável. Ainda está em Early Access portanto as suas falhas poderão ser corrigidas e fazer dele algo mais memorável mas para já recomenda-se que esperem pela versão final ou aproveitem em saldos se possível.

Solid Aether

Por outro lado a simplicidade de Solid Aether está no seu visual, e na base de um bullet hell de scroll vertical.

Não há muito para dizer sobre bullet hells: movimentamos o nosso personagem/nave/avião/sprite de modo a evitar ser atingidos pelos vários disparos dos nossos inimigos e deles próprios, repetindo ad nauseum os mesmos movimentos até que todos os padrões sejam uma segunda natureza, quase como respirar.

Vá, nem tanto ao mar nem tanto à terra. Tão natural como tocar um instrumento musical após anos de treino.

No que respeita ao jogo em si, tal como o anterior é banal, difícil mas banal, a sua única qualidade redentora é o seu visual minimalista em que tudo é composto por rectângulos pretos em fundo branco. Sem sprites, sem cenários ou efeitos especiais, sem história, como se tivesse sido tirado de um teste de programação dos primeiros jogos deste estilo.

Solid Aether cumpre a sua função nos seus mínimos, mas é só isso. E talvez o facto de algumas vezes parecer uma obra de arte minimalista, daquelas que alguém compra por milhões mas só se tiver o nome de alguém famoso associado.

É para saldos ou bundles.