Caçada Semanal #185

Lembram-se da série que mais catapultou a National Lampoon para o sucesso nos anos 1980? Que começou com um filme realizado por Harold Ramis, protagonizado por Chevy Chase e Beverly D’Angelo, com um cartaz magistralmente ilustrado pelo mestre Boris Vallejo? Sim, falamos de National Lampoon’s Vacation, que ao longo de diversos filmes acompanhou as desventuras simples da família Griswold, pelos EUA e pela Europa.

Um tipo de comédia simples, muitas vezes over-the-top e non sequitur que seguia uma tendência da década e que criou, para o meu gosto, os melhores exemplos de comédia de sempre na História do meio.

Os 3 indies que trazemos não são todos cómicos. Mas são todos bons exemplos, à semelhança do primeiro Vacation, de como algo simples pode ser tudo o que precisamos para algo memorável, para o bem e para o mal.

vridniX

Sabiam que quando Edmund McMillen criou Super Meat Boy activou uma rede neural em milhares de game devs pelo mundo fora, impelindo-os a criar platformers dolorosamente difíceis?

vridniX é um desses casos, mas um exemplo de como se pode partir da mesma premissa e fazer algo com identidade própria. Neste jogo controlamos um personagem que nunca consegue parar e está em constante corrida. O que à partida é logo um valente chamariz a muitos speedrunners, mas com uma diferença para o que conhecemos: vridniX não nos obriga a correr sempre numa mesma direcção. Imaginem Super Mario Bros. mas em que o Mario tinha bichos-carpinteiros e não conseguia estar quieto.

Esta é a resposta para a pergunta “como é que se consegue criar um platformer mais ou menos clássico, mas em que temos de gerir um personagem que não fica quieto?”. Para além disso a outra grande distinção de vridniX é que conseguimos rodar o mundo, ainda que consequências. Sempre que acertamos nuns pequenos portais o mundo gira 90º, criando rachas nos edifícios que não estavam preparados para ter a gravidade alterada.

O movimento é frenético e as boss fights são especialmente desafiantes por termos de gerir as rotações do nível e pelo facto do protagonista estar sempre a correr de um lado para o outro. Mas o seu desafio é tão delicioso que é quase impossível não o achar um indie platformer obrigatório para todos os fãs do género.

Flat Heroes

A mesma emissão que activou os criadores de vridniX despoletou a mesma reacção no estúdio por trás de Flat Heroes. Um jogo que podia ser filho de Super Meat Boy se este fosse um jogo apenas geométrico com cores e formas planas.

Flat Heroes tomou a decisão arriscada de tentar colocar todos os seus ovos na cesta da jogabilidade. Não que a sua hiper-depuração e geometrização não sejam uma decisão artística por si só, mas não deixa de ser arriscado para muitos dos jogadores que necessitam de mais doces visuais para se renderem a um jogo.

O que aqui temos são 300 níveis deliciosos que nos obrigam, e por nós entendamos um pequeno quadrado aos saltos pelo ecrã, a desviar-nos de lasers, disparos mortíferos e tantas outras ameaças que nos querem polvilhar.

Um jogo que nos obriga, tanto em single como em multiplayer, a melhorar a nossa destreza e os nossos reflexos, provando que o minimalismo não é entrave para se criarem excelentes jogos.

 

Tyler: Model 005

Quando falei ali atrás dos filmes de Vacation referia o quão simples são as suas premissas. Mas também falei do quão over-the-top conseguiam ser. Um pouco como Tyler: Model 005, um jogo com ideias interessantes, mas que quis colocar tantas coisas diferentes na misturadora que quando o abrimos para beber o batido, acabamos por ficar com restos de fruta aos pedaços pelas paredes da cozinha.

Este platformer 3D coloca-nos na pele metálica do titular Tyler: Model 005, um robot que “acordou” simultaneamente após anos de hibernação e foi enviado para um cenário saído dos anos 1950. A ideia de viagens no tempo está aqui bem presente com a nossa habilidade em andarmos ligeiramente para trás no tempo como em Braid ou Prince of Persia (dos novos, é claro).

Com customização do protagonista e tech tree com upgrades, na necessidade de exploração de plataformas onde ainda se juntam uns ocasionais mini-jogos de tower defense, a história que Tyler: Model 005 quer contar perde-se pelos meandros do tanto que quer ser ao mesmo tempo.

O problema, no final de contas, é que o somatório de problemas técnicos de um platformer 3D que não está assim tão afinado, adicionado aos problemas de personalidade de Tyler: Model 005 tornam-no um conjunto de boas ideias que foram mal assembladas, como aqueles robots do Battle Bots que notoriamente foram construídos apenas como o que os seus criadores tinham à mão, e acabam destruídos nos primeiros segundos de batalha.