Haja dedos par ajogar com tudo.

Kuro “KuroKy” Salehi Takhasomi não é um nome estranho por estas andanças. Afinal, o Irano-Alemão lidera confortavelmente a lista dos jogadores mais bem pagos de sempre no que a prémios de jogo diz respeito, sendo o primeiro e único a bater a fasquia dos 4 milhões, e é um dos poucos jogadores a lograrem vencer um The International.

O seu percurso não deixou de ser acidentado. Uma criança com problemas de saúde, Kuro virou-se para os videojogos e, dado o seu gosto pela competição, para os eSports. Um pequeno resumo do seu percurso está registado em vídeo e vale a pena ver:

A carreira de KuroKy teve os seus altos e baixos. O versátil jogador passou por várias posições num jogo que é tido como um dos mais complexos da actualidade. Mid, Carry e Suporte foram posições em que jogou competitivamente. Mas o destaque vai para a última década, depois do lançamento de Dota 2 e do Boom que daí adveio. De um começo modesto, à presença numa das mais épicas finais de sempre, no The International 3, à grande conquista no The International 7, Kuro passou por diversos pontos na sua carreira até ocupar o topo. Diferentes equipas, diferentes posições e, claro, diferentes heróis. Todos.

Dota 2 é conhecido pelo relativo equilíbrio dos seus heróis e é aí que reside grande parte do seu sucesso. Todos estão disponíveis, todos gratuitos, todos com os seus pontos fortes e fracos, todos igualmente úteis ou inúteis em determinadas alturas ou situações de jogo. A percepção de utilidade, aliada ao crescente nível de competitividade da scene competitiva faz com que venhamos a assistir a um aumento gradual do número e percentagens de heróis utilizados, ano após ano. A situação foi levada ao extremo quando, após serem acusados de usarem tácticas demasiado lineares e repetitivas por forma a garantir o sucesso, os Virtur.Pro decidiram disputar (e vencer!) todo um torneio evitando repetir heróis. O resultado: em 17 partidas disputadas, utilizaram 80 heróis, repetindo apenas 3 escolhas nos jogos da grande final. Ora, pegando apenas nos números dos The International:

Ora, em alguns dos casos acima mencionados, a taxa de utilização de heróis atinge os 100%, como sucedeu no TI8, sendo que os “Ignored Heroes” contabilizam todos os heróis à data actual e não os que se encontravam disponíveis na altura. Em todo caso, a ideia é de que todos são úteis. Apesar disso, a maior parte dos profissionais cinge-se ao domínio de um punhado deles dentro daquilo que a sua posição lhes permite e requer.

Pois bem, KuroKy contornou essas regras e, apesar de capitanear e escolher os heróis para a sua equipa – embora beneficiando de uma dada altura da sua carreira recente em que jogou a Carry com bastante sucesso – tornou-se o primeiro a utilizar, em competições profissionais, os 116 heróis actualmente disponíveis no jogo.

O marco histórico deu-se na recente partida para o qualifier do Major de Chongqing, com KuroKy a escolher o herói que lhe faltava para completar o naipe: Templar Assassin.