Caçada Semanal #186

Parece que os indies iam mesmo de férias. Mal sabia eu ao dar o título à caçada anterior que iria estar quase 2 meses sem escrever aquele que é o tipo de artigos mais profícuo que costumo fazer: as caçadas semanais. Neste caso as caçadas regressam com jogos de ambiente muito próprio, com 3 jogos que tínhamos no bolso, e aproveitamos este quase fecho do ano para o fazer.

The Low Road

Já perdi a conta às vezes que disse “não há fome que não dê em fartura”. Estou a brincar. Foram duas, antes desta. The Low Road merece receber essa máxima popular portuguesa porque vem mais uma vez provar aos fãs dos point ‘n clicks que o verdadeiro deserto atravessado por todos finalmente chegou ao fim com muitos bons jogos do género a chegarem ao mercado nesta década. E este 2018 foi especialmente profícuo em aventuras gráficas de qualidade.

A protagonista de The Low Road ter o mesmo tom de Guybrush Threepwood não é uma surpresa. O famoso personagem da série que nos dá nome acabou por servir de stencil para o género. Há vezes em que esse decalque demonstra as fraquezas de um jogo, mas no caso desta aventura dos XGen Studios, a agente Noomi Kovacs incorporou de forma orgânica a mordacidade do pirata criado por Gilbert e Schafer.

The Low Road passa-se nos 1970s, num ambiente de tensa espionagem industrial, onde conduzimos Kovacs numa das aventuras mais bem escritas dos últimos tempos, abrilhantada, e muito pelo excelente voice actingOs puzzles não convencionais típicos do género estão e volta, complementados por uma espécie de mini-jogos na primeira pessoa que trazem um sabor diferente ao jogo.

Com uma duração aproximada de 5 horas, este jogo que saiu simultaneamente em PC e Switch é um dos melhores jogos do género de uma no que já teve brilhantes exemplos como Unforeseen Incidents.

HellSign

Se HellSign fosse um jogo lançado para uma plataforma mobile ou para a Switch, seria verdadeiramente “injogável”. O ambiente desta espécie de filho isométrico de Alone in the Dark é tão escuro que parte do seu desafio de jogá-lo na rua seria conseguir encontrar o protagonista pelo ecrã.

HellSign é um jogo que revolve em torno da ideia de sermos um ghost hunter que anda por um ambiente hostil, a recolher os bounties correspondentes para pagar as nossas contas. Já vos disse que o ambiente hostil é a Austrália? Aquele local maravilhoso onde praticamente tudo nos quer matar, e onde não só matar uma aranha pode significar ter centenas delas, mais pequenas a “explodir” do cadáver e a invadir-nos a casa, como ter caranguejos do tamanho de caixotes do lixo pela rua. Portanto a plausibilidade de HellSign… é muita.

Esta espécie de “shooter” isométrico encontra-se ainda em Early Access, este jogo vai-nos fazer investigar e resolver um conjunto de casos paranormais de forma interessante, num cruzamento entre o Crocodile Dundee e Supernatural.  

SINNER: Sacrifice for Redemption

Em 1996 Philip Rosenthal criou a série Everybody Loves Raymond. Se Rosenthal quisesse poderia criar uma série nos dias de hoje intitulada Everybody Loves Dark Souls, e decerto seria um êxito.

Não querendo discutir a qualidade e os méritos do que a FromSoftware trouxe para o mercado com as suas criações pós-Demon Souls, a única certeza que podemos retirar é que a influência que exerceu no mercado foi tremenda. O que nem sempre é algo positivo.

SINNER: Sacrifice for Redemption é um desses exemplos, um jogo que pouco consegue fazer que ser uma mera sombra daquilo que quer homenagear, um jogo que despe praticamente todos os elementos de Dark Souls e o reduz a um jogo de boss rush. Mas se Furi e Titan Souls conseguem fazê-lo de forma original, SINNER: Sacrifice for Redemption é apenas um Dark Souls estéril que foi cortado às postas e colado para ter apenas lutas com bosses.

SINNER: Sacrifice for Redemption tem uma grande incapacidade de conseguir sequer inventar bosses criativos que sejam diferentes do que Souls já fez. Talvez este indie seja aconselhável aos mais fervorosos fãs de Souls que querem experimentar mesmo as cópias mais falíveis do seu objecto de desejo, mas no final das contas SINNER: Sacrifice for Redemption consegue ascender a pouco mais que um fan game medíocre.