Caçada Semanal #189

À primeira vista a noite de Natal não é a festividade que mais automaticamente nos faz pensar em filmes de terror… a menos que tenham visto algum dos seis filmes de Silent Night, Deadly Night. Uma série de slashers low budget que para além de terem um assassino vestido de Pai Natal, têm aquela que é a minha melhor citação de sempre de um filme de terror. Ora vejam:

Os 3 indies dos quais falamos nesta caçada não são de terror, nem estão no patamar de qualidade da franquia cinematográfica iniciada por Charles E. Sellier Jr. Mas um pouco de trivia nunca fez mal a ninguém.

The Midnight Sanctuary [PC, PS4, Switch]

Tenho pena do Leonel ter tido de se afastar do Rubber por razões profissionais, porque acho que ele seria a pessoa perfeita para falar desta visual novel desenvolvida por dois criadores japoneses cujo estúdio se chama Cavyhouse.

O primeiro ponto de diferenciação deste The Midnight Sanctuary para todas as visual novels que já joguei é a sua direcção artística. Algo estranho, inicialmente, a começar pela decisão de desenrolar todo o jogo em 3D, com texturas ilustradas por cima e que lhe dão um ar confuso à primeira vista mas que rapidamente sentimos como pequenos recortes de papel colocados no ecrã.

Neste jogo passado em 1920 seguimos a vida de Hamomoru Tachibana, um cristão que é convidado a visitar uma pequena aldeia japonesa. A forma como o enredo vai progredir numa mescla de história de fantasmas ao estilo nipónico com o embate cultural da cristandade é um dos seus elementos mais positivos e aquele que nos deixa agarrado mais tempo.

The Midnight Sanctuary é uma lufada de ar fresco num género polvilhado com clichés visuais e narrativos.

HYPERGUN [PC, PS4, Xbox One]

O mercado indie está pejado de roguelites, roguelikes e quejandos jogos em torno da mesma temática. Seja em RPGs clássicos, na primeira pessoa, dungeon crawlers, twin stick shooters, a aura de perda iminente das nossas progressões tornam o ambiente “rogue” obrigatório para muitos indie game dev. E até FPS roguelikes já começam a surgir, e muito, como foi o caso de Mothergunship.

HYPERGUN entra exactamente no mesmo mundo desse jogo que apenas há poucos meses jogámos. Aqui entramos num simulador de combate onde vamos colectando moedas para desbloquear novas classes e mods para as nossas armas.

O único grande problema de HYPERGUN, ao contrário da grande diversidade de outros jogos enquanto motores de entusiasmo para o subgénero roguelike, é que a diversidade é curta. Os inimigos são repetitivos, os tipos de arma pouco diferem para além de pequenas alterações de estatísticas, o que não ajuda a quebrar também a monotonia espacial de todo o ambiente que nos circunda.

Para quem anda com o dedo no gatilho por um FPS roguelite, há melhores ofertas no mercado.

The Maestros [PC]

Quando paramos um pouco para pensar nisto, é curioso como esse género gigante dos eSports, os MOBA, são filhos dos RTS, mais especificamente do grande Warcraft 3, e vermos o estúdio Systence Games que anunciou The Maestros, lançado a 3 de Outubro em Early Access no Steam, vendendo-o como um híbrido de RTS e MOBA.

Se estiverem à espera de algo mais próximo de Spellforce, desenganem-se. Os minions que vamos conquistando pelo mapa funcionam mais como Pikmin do que como um “verdadeiro” RTS de construção e treino de unidades. Controlamo-los e utilizamo-los nas nossas conquistas pelo mapa.

Há aqui ideias interessantes neste The Maestros que demonstra desde o primeiro minuto o seu estado alpha de desenvolvimento, com uma grande margem de polimento pelo caminho. Mas infelizmente acaba por cair exactamente no mesmo erro de tantos outros jogos indie com conteúdo exclusivamente online: falta de jogadores. O seu preço actual em Early Access de 13€ não ajuda a termos outros jogadores com quem possamos experimentar se este pequeno grande twist aos MOBA funciona realmente ou se é apenas fumaça de desenvolvimento.