Vamos já tirar algo de cima da mesa, a série Command and Conquer não precisava de um jogo mobile, muito menos de uma iteração competitiva e simplificada exclusiva para esse mercado. No entanto, e sim fui um desses, fiquei excitado quando vi o seu anúncio na E3 2018. Não porque o jogo me parecesse de facto bom mas porque me parecia que a série estava a precisar de um refrescar da sua essência e se Rivals não fosse um mau jogo, iria sem dúvida lançar novos holofotes sobre uma série à muito esquecida pelas ruas da amargura.

A série Command and Conquer é daquelas que dispensa grande apresentação e é um marco grande no género RTS. Como sabemos no entanto, esse género é cada vez menos atractivo para as novas gerações de consumidores, onde ainda assim C&C se aguentou forte até pelo menos 2010, não vamos falar de Tiberium Alliances, quando muitos concorrentes já tinham desistido na década anterior.

Olá, eu sou o Kane e vendo jogos.

Passados meses desde o anúncio eis que recebo uma notificação no telemóvel avisando para o lançamento do jogo. Honestamente já nem me lembrava que isto ia ser lançado, mas lá “corri” para instalar Rivals. O meu sorriso de estar a experimentar algo novo rapidamente se desvaneceu. Ultrapassando o tutorial e os primeiros níveis, percebi que estava a jogar uma versão re-imaginada do Clash Royale. Temos uma panóplia de tropas/cartas com vantagens e desvantagens entre elas, de onde só podemos levar um deck de meia dúzia para cada desafio, e esperar que tenhamos as escolhas certas para derrotar o adversário.

Dentro de mecânicas reutilizadas, lá temos uma ou outra tentativa de ser diferente mas, como podermos escolher e evoluir o nosso comandante, e a facção pela qual pretendemos lutar. Mas pouco muda no jogo, apenas obtemos ligeiras alterações de valores no poder das nossas tropas.

Como é que ficamos mais fortes? Compramos gemas, abrimos caixas e recebemos cartas aleatórias e um pouco de ouro. Ouro esse que pode ser usado para evoluir as tropas existentes, ou comprar mais caixas com mais ouro e mais cartas aleatórias. Objectivo? Ser o “maior da nossa aldeia”. Mais um pay-to-win competitivo, que deverá adquirir uma população nicho algures no planeta, e daqui a 1 aninho estará a anunciar o seu fecho.

De Command & Conquer só temos o aspecto e o nome. Rivals não passa de uma tentativa ridícula de atacar o mercado mobile utilizando um grande IP, para muita pena minha, e dos fãs que há muito esperam mais.

“don’t y’all have phones?”