Just One More Hero

Às vezes a vida surpreende-nos com algumas felicidades, e o Rubber Chicken teve a felicidade e honra de poder entrevistar pela segunda vez Goichi Suda, também conhecido como Suda51, para saber mais sobre o seu próximo jogo, Travis Strikes Again: No More Heroes. Suda51 é conhecido como a mente excêntrica por trás de jogos como No More Heroes, Killer Is Dead, Lolipop Chainsaw, Let it Die e Killer 7. Em Travis Strikes Again: NMH, Travis é atacado por Badman, o pai de uma assassina que Travis matou.  Durante o combate, acabam por ser arrastados para o interior de uma consola, a Death Drive Mk-II. Travis e Badman terão agora de competir para passar os seis jogos contidos na consola e terem um desejo concedido.

Sabemos que és um grande fã de filmes como Dirty Harry e El Topo e que estes te inspiraram na criação do mundo de No More Heroes. Além dos filmes mencionados, que inspirações contribuíram para este novo jogo? 

Duas influências diretas na criação deste jogo foram o filme Existenz de David Cronenberg e um filme italiano chamado Nirvana. Ambos se centram em videojogos e, na minha opinião, sinto que nos permitem vislumbrar o futuro destes. Nos últimos três anos tenho estado a lecionar numa universidade em Roma e tenho usado estes filmes como tópicos de discussão com os meus alunos. As mensagens destes filmes ficaram marcadas na minha mente e desde aí que as quero transpor para um jogo. Com Travis Strikes Again: NMH, vemos o protagonista a entrar em diferentes videojogos, encontrar as suas personagens e interagir com elas. Sempre quis saber o que poderia resultar desta combinação.

Foi o foco da Switch em portabilidade e jogabilidade cooperativa um factor crucial para a escolha da plataforma de lançamento?

Sim. As capacidades da Switch, principalmente a portabilidade e o uso do Joy-con, foram determinantes para a escolha da plataforma e para o design das mecânicas do jogo.

Muitos fãs estavam a começar a perder a esperança de alguma vez voltar a sair um novo No More Heroes. O que te trouxe de volta à franquia?

O facto de muitos fãs quererem uma sequela é algo ao qual sempre prestei atenção. Além disso, queria muito voltar a escrever sobre o Travis, ele tem sempre estado comigo. À medida que os anos passavam, eu pensava: “Onde estará o Travis agora, o que estará a fazer?”. Quando vi a Nintendo Switch soube que aquela era a consola onde poderíamos finalmente nos reencontrar.

A jogabilidade de No More Heroes sempre teve elementos de arcada e beat ‘em up, mas este novo jogo parece assimilar esses elementos de uma maneira mais profunda. Podes discutir que mudanças introduziste no combate? 

O jogo é baseado em acção hack n’ slash. A grande novidade é que Travis poderá equipar “Skill Chips” que acrescentam muita variedade de acções ao combate. Haverá um total de 24 skills diferentes e Travis continua a poder usar a Beam Katana, como de costume. Os elementos beat ‘em up continuam presentes na forma de bosses ao fim de cada um dos seis jogos, que são vastamente diferentes entre si em termos de jogabilidade. Um é um side-scroller, outro um jogo de corrida e outro tem muitos elementos de jogos de puzzles, por isso há muita variedade a explorar.

Já não ouvíamos falar do Travis há sete anos. Neste período deve ter acontecido muita coisa. A personagem passou por algum desenvolvimento pessoal, ou continua a ser o assassino impetuoso e implacável com um coração de ouro escondido no seu interior?

Essa questão tem me acompanhado desde o último jogo da série. Então, um dia decidi perguntar ao próprio Travis! Perguntei-lhe: “O que aconteceu? Que tens feito?”, ao que ele respondeu: “Bem…muita coisa!” e não desenvolveu mais o assunto. Disse-lhe: “Estou a pensar fazer mais um jogo, mas quero que faças parte dele!”. “Vai ser um título numerado da série principal?” perguntou-me o Travis. “Não, não estás preparado para isso, temos de fazer um aquecimento primeiro!”, respondi. Ele ficou um bocado irritado, mas consegui acalmá-lo quando lhe mostrei a Death Drive-Mk II e lhe disse que ele ia entrar dentro da consola desta vez. Foi mais ou menos assim que este jogo foi criado.

A maior parte dos teus jogos, particularmente a franquia No More Heroes, tem um elenco memorável e excêntrico. Podemos antecipar alguns cameos de personagens favoritas da série como a Shinobu, o Henry ou a Sylvia?

A resposta a esta questão é um grande segredo! Uma dessas personagens pode estar incluída nos conteúdos do Season Pass. 

Depois de Travis Strikes Again: NMH, que esperas atingir com a série?

Obviamente, quero que o Travis seja um sucesso. No entanto, é difícil definir o que é o sucesso, mas espero que muitos jogadores jovens experienciem o meu jogo e descubram quem é o Travis. Espero também que se crie burburinho suficiente à volta do jogo e da personagem para eventualmente levar a um No More Heroes 3, que é o meu próximo grande objectivo. Já sei o que quero fazer com o futuro da franquia e mal posso esperar para começar a trabalhar nesse sentido.

Todos os teus jogos têm um cunho pessoal e único. Há algum com que te identifiques mais? Se sim, porquê?

É uma pergunta de muito difícil resposta. Neste momento teria de responder Travis Strikes Again: NMH. Primeiro, porque está tão próximo e imediato em termos do meu trabalho. Segundo, porque houve vários momentos e coisas memoráveis que levaram ao desenvolvimento deste jogo. Com este jogo aprendi a dificuldade e a importância de criar uma equipa sólida na qual posso sempre confiar.

Para este novo jogo estás a colaborar com vários estúdios independentes. Existe algum estúdio ou pessoa com quem quisesses colaborar no futuro?

Sempre pensei que colaborar com estúdios independentes fosse muito difícil, pois cada um tem uma componente forte de individualidade, que torna os seus jogos especiais. Sinto que há um perigo de essa individualidade se perder quando se colabora, por isso é preciso estar muito ciente desse problema e tomar os passos correctos para assegurar que isso não acontece. No entanto, um estúdio com o qual sempre quis colaborar é o Dennaton Games, criadores de Hotline Miami. Acredito que poderíamos criar algo verdadeiramente espetacular em conjunto.

Este ano esteve cheio de bons jogos, tanto AAA como independentes. Há algum jogo que queiras destacar?

Polybius foi um jogo do qual gostei muito, mas saiu em 2017. Cheguei a comprar o Red Dead Redemption 2 mas nem tive tempo para o instalar, dado estar tão ocupado com o desenvolvimento de Travis Strikes Again: NMH. Infelizmente não posso falar sobre nada que saiu este ano.

O jogo estará disponível na Nintendo Switch a 18 de Janeiro de 2019, por isso os fãs da série não terão de esperar muito mais para reencontrar Travis.