Já aqui falei de som de alta fidelidade. Fi-lo na análise aos Steelseries GameDAC que se tornaram, desde então, o meu headset de referência. O único senão que na altura lhes apontei era o preço, deixando no ar qual seria o preço justo para um headset com DAC que vos fornecesse o melhor som que até então ouviram. Se há alternativa melhor, ainda não a encontrei, assumindo sem pudor que também não tenho andado à procura – estou satisfeito!

Há, no entanto, alternativas para incluir um DAC (Digital-to-Analogue Converter) no vosso sistema, inclusivé para telemóveis. O Inspector Geringonças traz-vos então este Cyrus Soundkey.

É só ligar e está pronto a usar

Em boa verdade, digamos que o vosso computador já inclui um DAC. De outra forma, não seria possível ouvirem o som em headsets com entrada analógica, com o comum jack. Mas, regra geral, o que nos é oferecido enquanto componente built-in, fica muito aquém do que um componente dedicado nos pode oferecer. É algo para audiófilos exigentes, pode dizer-se. Mas é algo para aquele que quer retirar a melhor experiência da componente sonora de alguns jogos.

Trocando por miúdos, este Soundkey é um aparelho que consegue colocar a qualidade de som que me deslumbrou nos Steelseries GameDAC ao alcance de outros headsets ou headphones, com um especial enfoque nos melómanos que se fazem acompanhar da sua música preferida em dispositivos mobile.

A diferença de som, principalmente nestes, é absolutamente esmagadora. Mais limpo, mais cheio, mais definido no que a instrumentos diz respeito. Nota-se, claro está, em formatos de áudio próprios, mas também na utilização de aplicações como o Spotify. Ficheiros FLAC ou WAV, por exemplo, armazenam o som sem compressão, não perdendo nem uma migalhinha do que debita cada instrumento. E um DAC permite-lhes brilhar em todo seu esplendor.

A título de exemplo, consideremos uma obra como este The Menaced Assassin, de Magritte, pintor surrealista que eu adoro e que inclui uma referência à música que motiva aqui a sua convocatória.

Tó Mané e Manuel António escondem-se enquanto Carlos ouve o refrão de “Coração não tem idade”, de Toy. Ao fundo, o coro aguarda pela parte do “vou Hum-Hum”.

 

Imaginemos agora que o leitor é míope e que, a uns bons 10 metros do quadro, entre piscadelas e franzimentos, estuda o quadro. Uma imagem esbatida do mesmo. Desfocada. Dará ao leitor para fazer uma boa ideia do que lá está. Conseguirá identificar o quadro, se este for do seu conhecimento. Dependendo das dioptrias, que aqui consideramos relativamente baixas, certo é que, ainda assim, poderá ver melhor que o visitante seguinte, se este tiver uma visão pior.

O Soundkey serve-nos aqui como um par de óculos exactamente à medida que, quando colocados, nos permite ver a pintura ao mais ínfimo detalhe, em todo o seu esplendor.

Percebido o exemplo?

“I can see clearly now, the rain is gone…”

Voltando aos termos informáticos, é como uma placa de som de topo aplicada externamente ao vosso computador ou telemóvel.

Pois bem, cabe então ao Inspector Geringonças falar-vos dos prós e dos contras do artefacto. Pequeno, portátil, debitando uma qualidade de som fantástica e compatível com aparelhos mobile, com um preço bastante acessível para quem procura o Santo Graal do som perfeito sem entrar em loucuras e até gosta do seu headset/headphones actual.

A única desvantagem encontrada prende-se com a sua utilização em mobile, aumentando um pouco o consumo da bateria. Nada que manche uma recomendação deste calibre.

Ena, o Rubber Chicken tem uma versão mobile!