Há várias coisas que fazem um bom platformer: gráficos característicos, curva de dificuldade bem desenhada, controlos fluídos, banda sonora imersiva, sentimento de realização no fim de cada etapa, boss fights desafiantes, mecânicas enraizadas no tema, flow de jogo… e podia continuar por mais algumas linhas a descrever todas as variáveis.

Nada disto é novo e hoje em dia dificilmente algum novo platformer vai redescobrir a roda, mas com a fasquia do aceitável já num certo patamar elevado, qualquer jogo vai ser alvo de um escrutínio muito maior do que os antigos clássicos, será que Badminton Warrior passa?

O clássico senhor do mal raptou mais uma donzela, o desespero apoderou-se do teu grupo de amigos, a sensação de impotência paira no ar, mas eis que o velho e sábio sensei te imbui de um poder ancestral, um artefacto poderoso e lendário que só os mais temidos heróis conseguem usar… a mítica RAQUETE DE BANDMINTON.

Sim, leram bem.

Badminton Warrior é um platformer estilo Mega Man, mas em vez de usarmos as nossas balas para destruir os oponentes, temos que usar as balas que nos atiram. Provavelmente criado por alguém que acha que apenas podemos salvar o mundo se for em legítima defesa, Badminton Warrior parte de uma premissa original, a nossa inaptidão para destruir adversários.

Antes que alguém avise os maus da fita que se estivessem quietos teriam conquistado o mundo, o aventureiro parte na sua viagem em busca das 8 chaves guardadas pelos chefes dos 8 níveis principais, que apesar de nos deixarem escolher a ordem pela qual os enfrentamos (estilo Mega Man), não nos trazem qualquer benefício ou power-up após derrotados. Além disso, estão classificados em Fácil, Médio e Difícil, portanto não vejo qualquer vantagem nesta decisão de corte de linearidade, pois não traz consigo nenhuma vantagem para o jogador.

Em Badminton Warrior noto que houve um esforço em várias partes que poderia ter sido feito noutras (de louvar o facto de tudo isto ser trabalho de uma só pessoa) existem vários adversários diferentes, as várias zonas estão caracterizadas independentemente e a personagem tem bastante detalhe, mas o resultado final merecia estar um pouco mais polido, não sendo a arte o ponto forte nas minhas críticas, Badminton Warrior deixa a impressão de que foi feito no MS Paint, directamente para o Game Maker.

Os comandos são simples, além do movimento só existe a tecla de saltar e dar com a raquete (depois dependendo da direção podemos fazer um remate, um lob para o ar ou uma devolução normal), mas por vezes não eram os mais fluidos, certos projécteis tinham umas hitboxes manhosas que me faziam sentir um pouco frustrado quando parecia que tinha acertado um remate que afinal foi contra mim.

Outra coisa que não percebo porque é que ainda acontece neste tipo de jogos, é a falta de atenção à motivação dos jogadores em relação aos adversários. Passo a explicar: se não existem power-ups, itens colecionáveis ou qualquer outro incentivo para efectivamente tentar derrotar os adversários que lá foram postos por algum motivo… os jogadores vão simplesmente ignorá-los.

Dou o meu exemplo: graças a termos alguns segundos de invencibilidade e ficarmos imateriais de cada vez que sofremos dano, sempre que algum adversário me atingia, eu corria através dele e seguia a minha vida, passei vários checkpoints assim, só parando nos chefes finais.

E POR FAVOR, PAREM DE FAZER OS JOGADORES TEREM QUE SALTAR PARA PLATAFORMAS QUE SÓ FICAM VISÍVEIS MEIO SEGUNDO ANTES DE ATERRAR. Vou mesmo ter que perder uma vida só para decorar onde é que a plataforma está? É desnecessário, ao menos tempo para eu apontar o salto ou reagir.

A banda sonora é normal para este tipo de jogo, e o grau de dificuldade está entre o médio e o alto. Mas não consigo deixar passar os 10€ que estão a ser cobrados por este Early Access. Para isso comprem o Mega Man 11, que nunca deve fugir muito dessa faixa de preços. Talvez nos 5€ fosse aceitável.

O que me deixa um pouco de pena, porque nota-se que existiu um esforço grande e algum amor no desenvolvimento deste jogo, mas o facto de ter sido criado apenas por uma só pessoa (volto a referir que é louvável) mas não perdoa tudo.

Serve como uma boa proof of concept, pode ser que alguém pegue nisto e um dia faça algo bonito, porque o potencial está lá.

Quanto aos fãs do desporto, podem ficar descansados, que este jogo muito provavelmente faz parte dos 100 melhores jogos de Badminton de sempre.