Perguntem a um americano comum (não daqueles com boné vermelho e umas poucas armas de fogo automáticas espalhadas pela casa) entre os 20 e 40 anos de idade se sabem o que é Saint Seiya e é provável que 90% dos inquiridos não façam ideia do que estão a falar. Já se fizerem a mesma pergunta a um Português, Francês ou em especial a um Brasileiro a probabilidade de serem fãs ou pelo menos conhecerem a série é quase 100%. Por ser um grande fã do original e dos spin-offs, ter uma colecção de action figures da série maior que um adulto responsável deve ter e conhecer os personagens e histórias de trás para a frente, é que Azusa Online me pareceu interessante quando peguei nele.

Feito pelo estúdio brasileiro Inuitashos criou este pequeno MMORPG num gigantesco ambiente de 16 bits. O mundo de Azusa Online é inspirado em Saint Seiya em todos os seus aspectos desde a mitologia clássica às armaduras dos “guardiões” que podem ser ganhas em torneios ou aventuras, a inspiração é tanta que parece uma cópia contrafeita. Quem conhece bem a série vai sentir-se perfeitamente em casa neste universo.

Dentro deste universo podemos ser quem quisermos, literalmente. Podemos ser um aventureiro, um guardião, um vilão, um eremita, um mestre, as opções são tão ilimitadas como o cosmos. Com alguns problemas… No que diz respeito à jogabilidade não há muito a dizer, é bastante simples. Movimentamo-nos pelos cenários e as nossas acções dão-nos pontos de experiência, podemos interagir com quase todos os elementos ou personagens fazendo a nossa própria história. 

Quando entramos em Azusa Online, somos lançados às feras. Ou lemos todos os manuais e guias antes para ter uma vaga ideia do que podemos e devemos fazer ou vamos cometer vários erros. Eu, por exemplo, fui criticado quando pedi ajuda a alguém porque não conseguia fazer algo. Disse que “tinha o meu HP quase a 0” e fui logo chamado à atenção que era “um jogo de RP” não devia usar esse tipo de linguagem, como se tivesse insultado todos os jogadores e as mães deles. Também me defenderam e ajudaram por ser novo no ambiente mas a primeira aproximação foi um pouco intensa. Depois de perceber e entrar no sistema podemos começar a gostar do jogo, encarnamos quem queremos ser e trabalhamos com esse objectivo em mente, mas também é preciso ter sempre em mente que há uma responsabilidade muito grande de estar sempre em personagem, um bocado como os lutadores de Wrestling que nunca saem de personagem em público, jogar Azusa Online é mais que jogar, é viver uma vida alternativa, por isso é que usar conhecimento que o nosso personagem não teria (metagaming) ou fazer algo fora da sua personalidade para ganhar vantagem em algo ou subir de nível serão logo penalizados, mas estas penalizações são administradas pelos jogadores que são os controladores do jogo e uns dos outros. É aqui que temos a maior falha de Azusa Online, não é ser um jogo de Role Play a sério, é ser um jogo gerido por jogadores.

Cada jogador faz a sua história, cria o seu caminho e os outros podem ajudar, impedir ou simplesmente não estar no seu caminho, mas não havendo muito mais do que os dois servidores principais (um inglês e um brasileiro) em que podemos entrar faltam opções por ter opções a mais. Não podemos ter servidores privados, não podemos jogar offline, e temos que ser policiados por uma polícia sem controlo externo. Confesso ser a minha mentalidade pessimista e pouco crente no ser humano, mas não acredito que quando o jogo tiver mais utilizadores não vão existir problemas devido a isso, apesar de não ter tido problemas até agora. Faz parte da natureza humana ser corrompido pelo poder, e quando o poder vem das estrelas é muito complicado resistir a isso.

Azusa Online tem potencial, especialmente para quem é fã de Saint Seiya, ou quem é muito fã de Role Playing intenso, mas por €15.99 e com uma base de jogadores muito baixa para já é um risco grande num jogo que vive de interacção para o seu sucesso.