Há várias formas de dar um pouco mais de vida às nossas personagens, e a mais fácil de o fazer prende-se a dar-lhes não só problemas reais, mas também embuti-las com emoções dessa mesma natureza. Elas devem ser capazes de ser felizes, de temer potenciais ameaças, de nutrir empatia, e de amar.

No contexto dos jogos narrativos, as dinâmicas de relacionamentos amorosos têm que se lhe diga, essencialmente pela vertente de role play que se encontra associada. Afinal de contas, e à partida, são as personagens que estão a procurar relacionar-se e não quem lhes está a dar vida (mas caso queiram juntar o útil ao agradável, estejam à vontade).

Há duas circunstâncias em que isto pode ocorrer: entre jogadores e entre jogadores e um NPC. Em ambas, é conveniente que se tenha uma conversa prévia, principalmente na primeira, caso a pessoa em questão já se encontre num relação (não queremos arranjar complicações, pois não?). Já na segunda, é sempre bom deixar o Mestre de Jogo ciente de que uns piropos vão voar na sua direcção.

Da mesma maneira que se encoraja uma sessão 0 para determinar os limites do que pode ser explorado no jogo, o mesmo se pode referir sobre a temática amorosa. Contudo, não necessita de ser algo que se resolva na sessão 0. A química entre as personagens (jogadores ou não) pode surgir muito depois. Aí poderá então falar-se com o Mestre de Jogo, com o grupo, ou ambos e definir até onde é que tudo pode ir em redor da mesa. Da mesma maneira que uns podem encarar bem momentos de carinho e de afecto, outros podem não achar muita piada (sentindo mesmo desconforto) quando tudo escala para a intimidade do quarto.

Vincent Baker em Apocalypse World lida com o sexo entre personagens de forma muito simples: corta a cena e passa para a cena seguinte. O chamado cut to black. Nem todos precisam de descrever os vários pormenores do acto, e aqueles que encontram o maior dos prazeres nesse sentido, também se encontram com a maior liberdade para o fazer. Aliás, existe um manual para Dungeons & Dragons intitulado Book of Erotic Fantasy que aborda o uso destes temas, não só de um ponto de vista informal e narrativo mas também mecânico. Estejam à vontade para tirar daqui as inspirações necessárias para novos lances de dados.

Muitos são os que defendem que a capacidade de amar é o que nos faz humanos, e o desejo de amar e de ser amado acaba por nos mover de alguma forma. Desta feita, porque não dar este privilégio às nossas criações? Elas que vivam, tal como nós, esta demanda em busca de um final feliz.