Battle Royale. Um dos meus filmes favoritos da viragem do milénio (baseado num livro que ainda não li) e que hoje é uma expressão que não só está nas bocas do mundo como se tornou herpético, criando aquelas feridas com crostas em toda a gente que lhe toca com os lábios.

Não tenho preconceitos com o género e até já dei por mim a ter que escrever sobre alguns jogos indie que tentaram sobreviver na verdadeira battle royale que é o mercado dos battle royales. Mas não só não é a minha predilecção, como nunca toquei num dos grandes, seja PUBG ou Fortnite e não sei sequer se o tipo de recompensa imediata que eles promovem é algo que encaixa nas minhas expectativas em relação aos videojogos.

Não falharia muito que a nossa mui-conhecida TinyBuild apresentasse a sua própria interpretação do género, e fá-lo com uma mistura curiosa de comboios, zombies e battle royale, com personagens que me fazem pensar no que aconteceria se o famoso livro de Koushun Takami que não só dá o nome ao género como criou os seus fundamentos tivesse o seu enredo a decorrer não numa ilha com estudantes japoneses, mas numa floresta francesa repleta de mimos parisienses.

O objectivo de Pandemic Express é simples: escapar no comboio que atravessa o terreno, para bem longe das bocas esfaimadas dos zombies. Para além de ser o segundo jogo dos criadores russos a envolver comboios, este battle royale tem algumas ideias interessantes.

No início de cada partida todos os jogadores começam num espaço fechado e têm de correr em direcção ao comboio (que aparece devidamente assinalado com um ícone, assim como a sua distância). Podemos investigar as casas pelo nosso caminho à procura de loot e armas, sendo que estas são fulcrais para a nossa parca sobrevivência.

Num estilo irrealista que parece contagiar este género dado o sucesso massivo de Fortnite, em Pandemic Express podemos escalar edifícios disparando contra eles, onde o coice das armas nos projecta no ar como se tivéssemos propulsores nos pés. São elas também a grande garantia de sobrevivência dos outros jogadores, assim como dos zombies que parecem ser meio omnipresentes pelo mapa. E de alguma forma, até são.

Nas partidas que fiz senti que uma das grandes diferenças entre os zombies e os humanos era a capacidade destes de envergarem armas, o que me pareceu fazer uma grande diferença no combate. Por muito que o número de zombies vá aumentando (cada humano que morre para o lado dos zombies automaticamente), um grupo (mesmo de reduzido) de jogadores munidos com armas consegue facilmente destruir uma série de zombies, e obrigá-los a fazer respawn.

A parte dos zombies é talvez a menos interessante, e de alguma forma desequilibrada pela negativa. Ou apanhei jogadores realmente bons a jogar com humanos (o que é possível) ou a diferença de poder entre as armas de fogo e a necessidade dos zombies de terem de se aproximar para poderem atacar os sobreviventes deixa-os em inferioridade constante, mesmo que em superioridade numérica.

Ainda em Early Access, neste momento não consigo encontrar grandes argumentos para que alguém deva investir nele em detrimento de outros battle royales perfeitamente sólidos e gratuitos que se encontram no mercado. E apesar da ligeira novidade de ser um battle royale de todos contra todos (como o género obriga) mas em que os sobreviventes que perecem passam a jogar “noutra facção” é uma ideia engraçada mas que não vejo a ter grande impacto num mercado já de si saturado com pesos pesados a monopolizarem a atenção, o tempo e o dinheiro de jogadores de todas as idades.