“(…) I’ve learned to hear the difference between something quiet and something abandoned. This goes deeper than just a stillness. It feels like the moments before the world goes to sleep… or just the last ones left awake to notice it (…)”

-Grey Mother, The Long dark

O que fariam se de repente se encontrassem num mundo como o nosso era na idade do gelo, sendo que a maior parte da população foi extinta e apenas a vida selvagem permanece?

Este é o conceito de The Long Dark, um jogo de sobrevivência, desenvolvido pelo estúdio Hinterland. Originalmente apenas com o modo survival lançado a 22 de Setembro de 2014 e vê juntar-se-lhe em Agosto de 2017 o modo de história com dois episódios, chamados Wintermute. Recentemente, após as críticas construtivas e opiniões de muitos fãs, o estúdio decidiu refazer os episódios do princípio, mudando o nome para Wintermute Redux. O que inclui refazer as vozes e algumas partes da história, o que é algo que não se vê todos os dias na indústria dos jogos. Por isto, podemos logo afirmar que o principal objetivo deste estúdio é agradar os jogadores, mesmo que isso implique um grande risco.

Voltando para o que interessa, The Long Dark começa por nos introduzir a uma pequena cinematic intro, que mostra partes do que nos espera. É quase arrepiante a forma como interligaram a música com os visuais desta introdução. Quando termina, deixa-nos com aquele sentimento de querer mais.

O jogo apresenta-nos a personagem principal, que mesmo ferido e com fogo à sua volta, está a gritar por uma “Astrid”. Logo depois, um flashback para 12 horas antes Will Mackenzie, o protagonista, é piloto e trabalha numa espécie de hangar. Após alguma exploração, conhecemos a nossa personagem secundária, a mencionada Astrid Greenwood, que precisa de ajuda para se deslocar a uma comunidade isolada a norte da zona de Great Bear. Mesmo Will perguntando-lhe o porquê desta situação, Astrid só revela que precisa de alguém que não pergunte demasiado e em quem possa confiar. Percebemos que Astrid encontra-se de certa forma desesperada e que existe alguma “história” entre os dois, pela maneira como falam e pela a atitude que ele toma, disposto a largar tudo por ela, ao aceitar este pedido.

Na viagem até Great Bear, ambos partilham memórias do passado até… o avião avariar no meio do vôo e terem um acidente. Somos outra vez trazidos para o início do jogo, 12 horas depois, e finalmente somos devidamente apresentados a este mundo, onde começa a nossa aventura por este Inverno sem fim.

Em termos de banda-sonora, as composições são verdadeiramente incríveis, daquelas que irão ouvir por semanas, mesmo já tendo completado o jogo. Provoca sensações de calma, uma certa nostalgia e tem definitivamente um charme profundo. Os efeitos sonoros são tão imersivos, que a certo ponto encontrei-me a tremer de frio, como se estivesse realmente presente neste universo. A direcção artística visual é espantosa: independentemente de ser de certa forma simples, consegue criar um estilo extremamente original que está interligado às sensações sombrias e de solitude de todo o jogo. Nem irei falar das auroras que poderão aparecer à noite, nem das vistas que podemos ter no topo de uma montanha, deixar-vos-ei experienciar esse momento por vocês próprios, porque é qualquer coisa (literalmente) de outro mundo e as seguintes imagens falam por si.

Ficamos de tal forma ligados às personagens e à história, que esquecemos tudo à nossa volta, sendo extremamente fácil existir uma certa ligação entre estes fatores e o jogador. Apesar de não sabermos muito sobre Astrid, a vontade que Will tem de a encontrar, dá-nos a vontade de fazer o mesmo.

Em termos de jogabilidade este The Long Dark falha um pouco. Não me entendam mal: é realista e foram adicionados muitas features para a melhoria da mesma desde que saiu, mas… após jogármos umas boas horas, começa a ser um pouco entediante. Possui todas as mecânicas que precisamos porém não existem animações nem muitas interações possíveis entre ambiente e jogador. Por exemplo, algo tão simples como quando bebemos água, em vez de vermos essa animação, vemos uma barra de loading enquanto esperamos que a personagem acabe. Não tenho dúvidas que isto irá ser mudado no futuro, contudo foi o único ponto que poderemos considerar “mau” que consegui encontrar, pois de resto, a jogabilidade é muito gratificante… até ficarmos sem comida ou proteção e morrermos de hipotermia no meio de uma montanha (mas esse é o desafio… boa sorte!).

Em suma, apesar de nos sentirmos completamente sozinhos e num mundo destruído, existe uma certa beleza neste conceito. Normalmente, a solidão e a destruição são vistas como algo “feio”, mas este jogo certamente demonstra que podemos sempre encontrar algo belo em qualquer situação, não importa o quão trágica (tenham só cuidado com os lobos e ursos).

Este jogo encontra-se disponível para PC, MAC, Linux, Xbox One e PS4, respetivamente nas plataformas de venda: Steam, Humble Store, Microsoft Store e Playstation Store. Sendo uma grande fã de jogos de sobrevivência, The Long Dark é definitivamente algo que recomendo, para quem gosta do nicho dos survival games.