Ah Love!… O Amor… o Amor é complexo, algo tão complexo que às tantas nem sabemos com quantas letras se escreve. O amor é tão complexo que poetas e pensadores se debruçaram sobre ele durante anos:

Shakespeare usando Hamlet como veículo, dizia para Ophelia duvidar que as estrelas são fogo e que a terra movia, antes de duvidar do seu amor por ela. Provando que o Bardo não só era um mestre das palavras como um crente na ciência. Pessoa dizia que “Amar não se conjuga no passado. Ou se ama para sempre ou nunca se amou verdadeiramente”.

Toy chama o acto de fazer o amor, de “hum hum” e que o faz toda a noite…

E é isso que o amor é, uma força tão bem definida mas tão difícil de limitar, seja o amor romântico, paternal, fraternal, ou até a amizade até porque o Amor, já diziam os outros, está em todo o lado.

O Amor, em é tema de livros, músicas e filmes mas raramente é o tópico central de jogos. Sim, pode haver romance num jogo de aventura ou num RPG com mais enredo mas nunca é o foco, ou por assim dizer o “coração” do jogo, talvez Harvest Moon seja o jogo que tem mais o amor como parte importante do seu enredo… Ah Love!  por outro lado o Amor, a junção de dois corações apaixonados num fogo que arde sem se ver. Uma união que é efémera porque arde, mas enquanto arde é eterna o seu cerne. Um encontro que começa e acaba acaba num beijo entre duas partes, melodiosamente em harmonia. Mas é um amor cru, despido de floreados, é um amor na sua forma mais química, ou melhor… magnética.

Como jogo, Ah Love! é interessante, não é complexo mas é difícil de explicar e até de jogar em algumas situações. Um puzzle game cujo objectivo é ajudar dois corações a encontrarem a sua cara metade. Eles atraem-se magneticamente um pelo outro e a nossa função é mexer os cenários para que se juntem. É um puzzle game simples, e que me faz lembrar um que foi tema de aulas de arqueologia de videojogos há uns anos.

Ah Love! custa menos de €0,40 e não é algo que vá deslumbrar os jogadores pelo seu grafismo, diálogos ou outras coisas que habitualmente recebem louvores de crítica, pelo contrário, esses seus aspectos são do mais simples possível, mas como conceito e teste de mecânicas de funcionamento é um óptimo exercício para os seus developers. É também um óptimo exercício mental para o jogador pois não utiliza as habituais mecânicas repetidas ad nauseum em outros puzzle games, o magnetismo aliado ao trocar de painéis é uma aplicação interessante de conceitos gastos e clichés sem emoção tal como dizer à pessoa amada I love you ou chamá-la de mon amour, quando em vez disso é muito mais bonito chegar pertinho do ouvido da pessoa e dizer: Você morena é um bocado boa!