A entrar em 2019 o primeiro titulo VR que me chegou às mãos para testar foi este Singularity 5, um Sci-Fi Wave Shooter produzido pela Monochrome Paris.

O jogo tem como cenário uma Paris futurista em 2050 com laivos Góticos e uma paleta de cores muito peculiar. Uma poderosa AI assumiu o controlo das demais e pretende tomar Paris. É a nossa missão impedir que tal aconteça, para o fazer temos que passar por cinco níveis de acção frenética. Singularity 5 escala muito rapidamente e na dificuldade intermédia o desafio é grande e muito sinceramente representa um exercício intenso. Para jogar os níveis finais tive que baixar a dificuldade e ainda assim o desafio continua bastante intenso.

Colocados os Oculus somos lançados para a acção devagar, como seria de esperar, subimos lentamente um elevador numa estrutura que dá sinais de estar prestes a desabar. No meio dos destroços que vão sibilando ao nosso lado, somos apresentados às nossas primeiras armas e aos primeiros adversários.

Primeiro as pistolas cheias de estilo, seguidas de umas caçadeiras com mais poder e menos velocidade de disparo e de carregamento e por fim granadas, este arsenal vai servir para os primeiros níveis e mostra-se muito adequado. Mais à frente teremos acesso a um arsenal um pouco maior muito embora não seja demasiado extenso está todo ele muito bem conseguido e todas as armas têm bom feedback quando utilizadas.

Subimos lentamente o subterrâneo enquanto despachamos de forma prazerosa os conjuntos de robôs. Chegados à superfície sentimos a dificuldade a aumentar de imediato assim como as coisas boas a dizer sobre este jogo.

Já em Paris avançamos de uma forma bastante linear ao longo de um eixo e paramos em alguns locais para enfrentar algumas vagas de robôs, que vão ficando mais evoluídos e perigosos à medida que avançamos. Apesar de o progresso ser mecânicamente muito simples cumpre plenamente o seu objectivo.

Atravessamos a cidade à medida que despachamos inúmeros robôs de diversos tipos, ao fundo um sinistro edifício com auguro de coisas más no nosso futuro próximo.

Como já mencionei acima a acção decorre em 5 níveis, é relativamente curto mas isso é um apanágio de jogos de VR.

A história não é transcendente nem entrega surpresa alguma mas a atmosfera e ritmo tornam este jogo numa experiência muito imersiva. Facilmente nos perdemos horas a fio, estranhando mesmo quando nos apercebemos que o mundo não está sobre ataque de uma AI que pretende despachar-nos para outro mundo.

Quando falamos de jogos de VR temos que ter, por força, em conta alguns aspectos que são aqui deveras importantes e podem não ter a mesma importância em outros jogos. Estou a falar por exemplo de framerates estáveis, estes são de extrema importância num jogo como este pois se existirem flutuações vamos ter enjoo e uma má experiência. Também o já mencionado progresso de forma linear garante que não haja lugar a deslocações de personagem estranhas que possam causar desconforto.

Tenho que reforçar estes aspectos de conforto e qualidade porque num jogo de VR podem muito bem ditar a capacidade de uma pessoa os jogar ou não simplesmente por questões de bem estar. Uma taxa elevada de frames por segundo é também muito importante e podemos dizer que este jogo entrega ambas com uma qualidade excelente, não senti em ponto algum travamento ou quedas de fps. Embora não tenha medido com precisão estou certo que tal medição só confirmaria o que estou a escrever porque foi sem dúvida das melhores e mais fluídas experiências que tive em VR e já joguei uma quantidade agradável de jogos nesta plataforma.

Tenho que dizer que fiquei de imediato muito bem impressionado com o que via, graficamente a Paris futurista desenhada pelo estúdio Monochrome Paris é absolutamente deliciosa. Tudo é grandioso e desenhado com detalhe.

A primeira coisa a causar impacto é a palete de cores, toda ela em dourados, brancos e pretos. Cromados excêntricos e brilhos extravagantes por todo o lado. É complicado fazer suceder algo com isto tipo de paleta sem de alguma forma parecer foleiro ou piroso e no entanto toda a atmosfera transmite classe e bom gosto. Tudo parece desenhado com mestria e com objectivo.

Tenho testado alguns jogos em VR nomeadamente variados tipos de shooter, que continuam a ser um dos géneros preferidos para a Realidade Virtual, e tenho encontrado muitos jogos que simplificam graficamente ou então que dão atenção à parte onde a acção se desenrola e desenvolvendo pouco o background. Em Singularity 5 sentimos que estes aspectos foram considerados como um todo o que resulta numa atmosfera incrível que nos leva a estar em sintonia com este mundo.

Há claramente um cuidado e envolvimento dos criadores em todos os pormenores até os clarões que os nossos disparos fazem estão com um grafismo próprio e espectacular com apontamentos de vermelho no tipo de letra que contrasta com a atmosfera e nos a trás aquela maravilhosa sensação de combos e dano.

Ora bem falamos de Robôs, wave shooter, VR, etc. O que tem que levar inevitavelmente à comparação com Robo Recall que é sem dúvida um dos melhores jogos de VR que joguei e sem dúvida o rei dos Wave Shooter VR.

Singularity 5 faz sem dúvida frente ao excelente jogo da Epic, com o que é para mim uma atmosfera e grafismo mais marcante que Robo Recall para além de uma fluidez e jogabilidade capaz de rivalizar com o mesmo. Embora tenha menos armas e menos conteúdo, Singularity 5 tem mais glamour e fluidez que Robo Recall, tem melhor traking para uma experiência com apenas dois sensores como é o meu caso e provavelmente o caso de maior parte dos consumidores caseiros deste tipo de tecnologia.

Por 8.19€ no Steam este jogo é uma compra segura e certamente das melhores experiências VR que tive até ao momento, segue em nº 1 no meu top pessoal de VR em 2019.