A Bethesda Softworks não se poupou a fazer uma alusão ao filme The Fountain (O último capítulo em versão Portuguesa). Em Sovngarde avista-se uma estrela no pilar dos céus envolta numa nebulosa, depois de abrir caminho pela névoa azul e densa criada pelo TH’UM de Alduin. Em algum momento pensei que fosse possível entrar numa bolha e que me levaria até à estrela, ficando bastante iludido com essa hipótese, pois seria algo provável e em Skyrim muito do que acontece é improvável. Tudo se pronuncia fantástico e chega a um nível que faz com que J. R. R. Tolkien fique com insónia. Sim, afinal O Senhor dos Anéis é uma história para meninos! Não que tenha algo contra o Senhor dos Anéis ou contra meninos, pois adoro O Senhor dos Anéis (não posso dizer o mesmo sobre meninos).

A diferença está na cor

 

Além de dizer que adoro o Senhor dos Anéis, tenho outra confissão a fazer: nove dias antes de o jogo ser lançado já explorava Skyrim e ainda só matei seis coelhos e a única galinha que matei desapareceu debaixo da terra. Avistei raposas suicidas que se lançavam para a água e de lá nunca mais voltavam. O Esbern meteu-se numa luta com um NPC que nunca mais terminava. Encontrei-me com M’aiq the Liar, mas era um esquisito SOB. Tornei-me um coleccionador compulsivo, tendo agora possibilidade de arrumar tudo bem arrumado em prateleiras de livros, manequins, cofres e outros. Mas na mansão em Solitude, quando chego para avolumar o tesouro, vejo tudo espalhado no chão. A primeira vez que isso aconteceu tentei confrontar o NPC que guarda a casa, mas em vão, pois não existe uma opção para dar chicotadas.

M'aiq continua vivo! Hail Sithis!

 

Existem centenas de vídeos do youtube onde os players vangloriam-se com os itens que possuem numa vasta colecção numa das casas em Cyrodiil e a Bethesda foi feliz em dar razões para mais pessoas o fazerem. Contudo, esqueceu-se que quando um item é colocado num sítio, é para permanecer nesse sítio. Caso contrário, torna-se frustrante só de pensar em arrumar tudo de novo. Já perceberam que estou a falar de bugs, mas num mundo tão imerso como Skyrim e com tanto para fazer é improvável não os ter.

Também confesso que Skyrim foi o jogo que mais aguardei e seguia com entusiasmo todas as novidades e não me decepcionou de forma alguma. Skyrim conseguiu dar-me repúdio (não no sentido de negação, mas por falta de interesse) por outros jogos AAA que bateram recordes de vendas ou por outros RPG com alto metascore. Isso acontece quando a liberdade é a chave de ouro e quando tudo é possível, tal como haver uma relação com Paarthurnax, que parece tão ou mais vivo que qualquer NPC ou reconhecer Xibalba de The Fountain. Saber que qualquer descoberta é algo de novo e não uma repetição e poder voltar a cavalgar com Shadowmere até aos recantos da província de Tamriel é inegável. 

 

Tal como Tomás o Conquistador ou Tom o explorador do espaço em The Fountain, Dragonborn vê-se num aventura épica (em todo o sentido) não para encontrar a árvore da vida, mas para alcançar a glória que se fará ecoar até aos próximos capítulos de Elder Scrolls.

Para quem ainda não jogou e pretende fazê-lo, é importante alertar que Skyrim irá consumir parte de uma vida social e poderá comprometer parte de uma vida profissional. Portanto, mesmo sendo altamente recomendável, pensem duas vezes.