Baseado num jogo de guerra de miniaturas, Confrontation é o mais recente projecto dos franceses Cyanide Studio, responsáveis por Blood Bowl e Game of Thrones Genesis. Lançado originalmente em 2000 pela Rackham, Confrontation estabeleceu um culto fiel ao longo de mais de 10 anos entre os entusiastas dos jogos de mesa tácticos com miniaturas pintáveis e cenários que permitem criar e recriar situações de combate entre as diferentes facções do universo de jogo. Após o termino da Rackham, a Cyanide arregaçou as mangas decidida a dar novo folgo à série, e trazer velhos e novos jogadores ao mundo brutal de Aarklash.

A aventura segue os eventos do Rag’narok, uma profetizada guerra da Idade das Trevas, entre diversas divindades que procuram desesperadamente controlar Aarklash, o centro de toda a criação e ponto de passagem para outros mundos. Para conseguirem os seus desígnios, os quatro deuses utilizam a fé dos seus seguidores, quatro facções distintas em guerra total: Griffin, Scorpion, Jackal e Wolfen, cada uma delas com diferentes culturas e motivações. O Rubber Chicken teve a oportunidade de jogar dois capítulos do jogo, que incluem um tutorial, perceber como a Cyanide trouxe o combate táctico da mesa para o nosso PC.

Uma ópera de destruição

Confrontation pode ser descrito como um jogo de Roleplay Táctico. Durante o tempo de jogo tivemos oportunidade de controlar a facção Griffin, originária da região de Akkylannie, em missão nas areias de Syharhalna, região dominada pelos macabros Scorpion, mestres da Technomancia, em combinar ciência e magia através de experiências genéticas, criando grotescas criaturas assassinas. Inicialmente controlamos Darius, um guerreiro da ordem do Templo, mas cedo nos reunimos com mais três camaradas de armas, cada um com as suas especificidades em termos de utilização em combate. A visão de jogo é a que já estamos acostumados no típico RTS, através da qual podemos ver uma determinada região com uma field of view específica, no centro da qual se encontram os nosso heróis. Pelo menos na versão jogada, podemos controlar até quatro unidade ao mesmo tempo, sendo que com o decorrer do jogo teremos oportunidade de escolher a nossa party como acharmos melhor e de acordo com a missão. Temos assim um estilo de jogo cada vez mais em voga, a estratégia em tempo real de unidades chave que podemos evoluir e customizar. Podemos controlar os nossos heróis através do rato e de algumas hotkeys no teclado, mas também acessíveis no ecrã. A visão do jogo pode ser manipulada com o rato ou as teclas direccionais e o zoom da câmara através da mouse wheel. Podemos ainda dar ordens de movimento às nossas unidade clicando no botão direito rato, e dar ordens de ataque com o botão esquerdo.

No centro da dinâmica de jogo está a formação do nosso esquadrão e as suas característica individuais. Confrontation oferece-nos os arquétipos base do RPG tradicional, o Tank, o Fighter, o Mage e o Support. Ao alinharmos os nossos heróis convém colocarmos a unidade mais resistente à frente, a mais fraca ou de suporte atrás, e todas as pequenas nuances estratégicas a que estamos acostumados neste tipo de jogos. As classes apresentam bastante flexibilidade, possuindo muitas habilidades mistas. Assim, a classe de suporte não significa ter um papel de exclusivamente potenciar atributos da party, podendo igualmente controlar inimigos ou ter habilidades ofensivas de peso. Temos a todo o momento na lateral direita do ecrã a imagem de todos os elementos do grupo, com indicação do HP e o recurso usado para realizar habilidades que pode ser Mana, Faith ou Stamina. Na zona inferior direita temos a nossa unidade base, que normalmente é a que se encontra na linha da frente e funciona como líder, ou o herói que seleccionarmos com o rato. Aqui podemos ver as suas habilidade, buffs, debuffs, sendo esta selecção a principal forma de designarmos ordens às unidades individualmente, essencial para jogarmos de forma táctica.

Há sempre tempo para poses heróicas

Os elementos tácticos em Confrontation são potenciados pela possibilidade que temos de pausar o jogo em combate e dar ordens a cada um dos heróis individualmente, usando a tecla Shift para criar sequências de ordens, como por exemplo fazer Stun a um inimigo e logo a seguir ajudar um dos nossos companheiros a se levantar do estado de agonia. Cada herói tem uma barra de agonia que decresce sempre que os HP chegam a zero, dando um tempo limite para lançarmos outra unidade ao auxilio do herói caído em combate. Caso a barra chegue ao limite, o jogo termina e começamos do último Save. Esta mecânica impõe um ritmo no combate muito interessante visto que nestas situações temos de gerir os nossos recursos inteligentemente, controlando os inimigos ao mesmo tempo que ajudamos os nossos companheiros. Claro que não seria um jogo de Roleplay se não tivéssemos à nossa disposição uma montanha de atributos para gerir, por isso os fanáticos por micro-gestão têm bastantes opções à escolha: cada herói possui atributos, skills, armadura e armas que podem ser evoluídas individualmente. Para tornar as coisas mais interessantes, cada guerreiro pode ter ainda, mais do que um setup de armas, que se adequa a situações de combate diferentes e que podem ser evoluídas em separado. Todos estes atributos pode ser acedidos no menu Unit Sheet. Derrotar inimigos oferece-nos experiência e subir de nível dá-nos a oportunidade de aplicar pontos aos atributos do personagem (Força, Constituição, Inteligência, Agilidade, Vivacidade e Sabedoria) e às skills individuais (os ataques) de cada unidade. O upgrade das armas e armadura é feito através de pontos que obtemos através de depósitos de armamento espalhados pelo mundo de jogo, sendo o jogador recompensado por explorar o ambiente neste aspecto. No entanto, este pontos são comuns a toda a party, o que significa que apenas poderão ser usados num herói de cada vez, intensificando ainda mais o aspecto táctico que o jogo tem. Para tornar a experiência de combate ainda mais fluída, cada skill tem uma cor específica que nos permite perceber, com um olhar, a sua função: vermelho de dano, verde de suporte, amarelo de incremento, magenta de decremento, azul de anti-magia e preto de controlo.

Interrompendo os "meninos" à volta da fogueira

Confrontation oferece ainda uma secção chamada Army Painter, onde podemos customizar as cores das diferentes unidades de cada facção, um piscar de olhos aos aficionados do jogo de mesa que passaram horas de olhos postos nas minúsculas partes de cada miniatura que pintaram. Para além disto, um enorme Codex com informação acerca do mundo de jogo, facções e personagens, encontra-se disponível do menu principal, com galeria de arte conceptual desbloqueável à medida que progredimos no modo campanha. O lançamento do jogo promete ainda um modo multijogador onde poderemos enfrentar adversários online, sendo a estratégia neste modo de jogo completamente em tempo real e sem a opção de pausar o jogo. A história do jogo é contada através de narração e texto entre cada nível, indo progressivamente introduzindo o jogador ao expansivo universo da série.

Os fãs de Confrontation e os aficionados do roleplay táctico terão oportunidade de mergulhar brevemente na guerra do Rag’Narok aquando do lançamento em PC da nova aposta da Cyanide.

(Confrontation é um exclusivo para PC)