*Rupxi*

Hitman, Assassin’s Creed e Borderlands são títulos que não passam despercebidos e que me levaram, todos estes, a longas jornadas. Não só pelas duas pesadas Desert Eagle’s, nem só pelos saltos ao som de uma águia que transmite total liberdade ou da quantidade absurda de armamento em terras áridas. É também pela envolvência sonora de ambientes, acordes e dissonância agradável, com contraste que se eleva do mais tenebroso ao mais belo cenário. Da dedicada Film Score Monthly Magazine surgiu uma definição para aquele que traduz as imagens destes universos em música: “Vangelis em esteróides”. Eu prefiro separá-los, mesmo pela óptima produção de Vangelis, e dizer que Jesper Kyd é um compositor inato, com um sopro de vida surreal. Prova disso é quando se retrata não só o bom que fez, como também o que faz no lado mais negro da indústria dos Videojogos. Não estou a falar de Call of Cthulhu ou de Dante’s Inferno que me lançaram para uma psicótica aventura e a um lugar que é a melhor designação do que a Igreja Católica resolveu acreditar e fazer acreditar durante milhares de anos. Estou a falar daquele que apareceu numa fase em que os jogos estavam a assumir, tal como em Dante’s Inferno (para quando o 2?) ou em Castelvania: Lords of Shadow (já agora, para quando o 2?), a bestialidade e a brutalidade nas lutas que só conseguíamos ver em Double Dragon (Já agora, que tal um kickstarter?). Com menos píxeis, sem vibrador (dualshock quer eu dizer), chicotes havia, mais um pormenor temporal: deixamos de bater nas meninas com aspecto Hardcore de Double Dragon para chegar aos últimos anos e desancar mais em Demónios.

Assim já vale a pena. Não é só *Rupxi* [Castelvania: Lords of Shadow]

Na verdade, passamos de Demónios com um ar prostituído para Demónios mais feios, mas a jogabilidade tornou-se muito mais agressiva e assustadoramente ampliada a relação entre herói e inimigo. Estou a falar de uma (outra) aposta em jogos de acção brutal, dum título que demorei a pegar após o seu lançamento e me fez pular no puff vezes sem conta, ao mesmo tempo que cambaleava para os lados a controlar uma gigantesca espada. Como um ser demoníaco, o puff era o meu Inferno. Quente.

Há sensivelmente dois anos que me rendi plenamente a estas dilacerantes formas de jogar, onde não basta ter uma animação e jogabilidade fluída, mas também a convincente sonoridade, desde o chicotear (a rasgar, claro) à apoteótica Música que nos faz descarregar energia do nosso mais ínfimo interior. Talvez começasse anteriormente com The Lord of the Rings: The return of the King, em campanha co-op e a ouvir The end of all things de Howard Shore. Basta ouvir o início e o contraste pela voz de um rapaz ainda na sua fase gold para perceber do que falo. Mesmo que diferente o nível de produção de Lord of the Rings, os jogos surgem há já algum tempo com admirável equidade na realização de blockbusters e (re)aproveitamento Jogo/filme ou filme/jogo. No que vos quero falar e alguns certamente ainda não decifraram, essa equidade está bem presente com outro grande compositor atrás referido: Jesper Kyd. Responsável pela sequela do título em que Cris Velasco (God of War, Mass Effect) participou: Darksiders. Apresentadas em baixo estão quatro Músicas de um leque que irá transformar Darksiders 2 num temível, também fantasioso, jogo de acção com todas as características que o lado negro transmite, com Orquestra metalúrgica senil e um pouco de sopros que parecem expirar o ar de uma encosta asiática perdida.