Dois dias antes da conferência oficial na E3, a Nintendo ofereceu um vídeo Nintendo Direct especial para nos abrir o apetite e aumentar a nossa antecipação relativamente às novidades do dia de amanhã. Apesar de algumas informações não serem surpresa, a verdade é que algumas delas vêm confirmar as nossas suspeitas, da procura da Nintendo em alargar o impacto da Wii ao mesmo tempo que oferece algo de inovador, como seria de esperar da gigante nipónica. Vejamos as funcionalidades de destaque que a Wii U promete nos oferecer.

 

Juntos e com maior qualidade.

O conceito de proximidade através do jogo foi chavão da Wii desde 2006. Proximidade entre jogadores, mas principalmente proximidade entre a experiência de jogar uma consola e aquelas pessoas que nunca meteram um polegar num botão de borracha ratada pelo uso. Uma coisa podemos afirmar com certeza, que a Wii trouxe “novos jogadores” de todas as idades. A Wii U propõe-se a aprofundar a relação de proximidade entre os jogadores via online, mas também presencialmente, ao garantir que a experiência de um jogo possa ser vivida de forma individual por diferentes pessoas de um grupo. Isto será possível através da dualidade de ouputs que a consola oferece, com a televisão e o comando a servirem de veículo visual do jogo, em conjunto ou individualmente. As possibilidades são imensas. Mais do que nunca, a experiência de jogo portátil entra em simbiose com o jogo “de sala”, algo que a Nintendo tem vindo a tentar fazer há já alguns anos, com o Gameboy Advance e a Gamecube, por exemplo.

It’s an 80’s thing.

 

Nintendo Entertainment System?

A referência ao comando NES é poderosa e algo que só a Nintendo pode ter a ousadia de o fazer, já que foi o velhinho gamepad que revolucionou o modo como se jogava em casa. E tirando o touchscreen do novo comando, é bom saber que ao dar um passo atrás, com um comando mais tradicional, a Nintendo deu dois passos em frente. Só o seu tamanho nos assusta um pouco, porque de resto iremos ter na nossa mão algo a que já estamos acostumados desde os anos 80, uma “consola” portátil.

A estrela da companhia é o novo comando, com a nova versão a oferecer dois botões analógicos que podem ser pressionados. O NFC readerwriter permitirá ler cartões ou figuras de acção e já imaginamos a vida a ganhar outro significado quando começarmos a guardar bonecos Pokemon às sacadas, prontos a ser usados em batalhas virtuais na nossa sala. De resto as funcionalidades são as que já sabiamos da última E3: touchscreen, motiongyro sensor e experiência de jogo transmitida da consola para o ecrã portátil sem delay. A Wii U é compatível com todos os jogos e acessórios Wii, não podíamos estar mais satisfeitos por o saber. O comando pode ainda ser usado para controlar a televisão mesmo com a consola desligada, por isso já não precisamos de montar a feira de comandos ao nosso lado quando nos sentarmos no sofá para uma sessão de jogo.

Agora podemos fazer o IRS e jogar Super Mario ao mesmo tempo.

 

A Nintendo mostra-se ainda mais atenta ao mercado Core, os jogadores chatos que refilam muito. O Rubber até não é de refilar muito, gostamos muito é de jogar seja o que for, e bom! E para nos satisfazer a Nintendo anunciou o Wii U Pro Controller, um comando mais direccionado para aquele público que passa mais horas a jogar e poucas a dormir. Mais uma indicação de que a Nintendo está de olhos postos em todo lado e pretende ser ainda mais abrangente. É estranho que o abrangente agora se refira à secção de jogadores que antigamente eram considerados como grossa fatia de mercado. Os tempos mudam. Agora digam-me lá se estou a exagerar quando comparo este controlador a outro sobejamente nosso conhecido. A Nintendo tem sido inspiradora na construção dos videojogos desde os anos 80, não há problema se for também beber ao pote do vizinho, pois não? Vá lá, não sejam assim…

Hyper Combo Super Tag Team.

 

Eu, tu e milhões de Miis.

A nova consola terá em Miiverse o centro de toda a experiência que a consola oferece assim que a ligamos, um sistema de comunicação em rede que é transversal a todos os jogos e actividades feitas através da consola. O mais aliciante em Miiverse é o modo como torna todos os jogos numa experiência social se o jogador assim o desejar, mesmo o que não têm modo multijogador. Esta rede social é acedida através de um toque, colocando o jogador em contacto, e em tempo real, com os seus amigos e jogadores que falam a sua língua em todo o mundo.

A comunidade Miiverse pode ser usada para partilhar informações acerca do jogo, conversar através de chat textual ou mesmo escrito através do Wii U gamepad, sendo ainda possível usar o comando como câmara e realizar videoconferências. O sentimento de comunidade é algo que tem sido cada vez mais uma aposta dos jogos, com os jogadores a investirem tanto ou mais tempo no jogo, como na partilha e comunicação entre jogadores, através de fóruns preferencialmente. Miiverse parece apontar nesse sentido, de aglomerar os jogadores num espaço onde podem viver a experiência de rede social, mesmo em jogos singleplayer e em tempo real. Esta funcionalidade estará acessível também nos computadores pessoais, smarthphones e 3DS. Para além de todas estas funcionalidades que podem ser acedidas directamente no comando Wii U, este oferece ainda um navegador de internet.

 

O potencial desta máquina é tremendo. A Nintendo mostra-se mais uma vez fiel aos seus ideais na oferta de uma experiência de jogo diferente, fincando o pé enquanto alternativa de inovação na corrida às máquinas com maior potência, que actualmente já começa a apresentar algum desgaste e até inadaptabilidade num mercado cada vez mais abrangente e acessível.

Venha agora a conferência de amanhã. Queremos jogos. E bons!