Bem-vindas e bem-vindos à nova geração

Durante toda a E3 e em todas as apresentações existia uma linha muito ténue sobre o que seria de antiga geração e o que seria de nova geração. Certos jogos como Castlevania 2, por exemplo, a correrem na antiga geração pareciam já da nova, enquanto outros como Driveclub a correr na PS4 parecia um jogo de PlayStation 3.

Destiny foi o primeiro jogo que gritou nova geração de uma forma inquestionável. A Bungie preparou uma afinada e bem humorada apresentação aos jornalistas e para isso sentou-nos, literalmente, em cima de um enorme subwoofer e em frente a um grande ecrã para observarmos a jogabilidade dos primeiros minutos de Destiny, controlada pela equipa do estúdio. Eu estava sentado ao lado do Vítor do Eurogamer e várias vezes durante a apresentação olhámos um para o outro com cara de espanto. Aquilo que estávamos a observar a nível visual é algo que nunca jogámos nem com o PC mais apetrechado de todos.

Destiny Bungie E3 2013

 

Wasteland, Bungie-style

A correr em PS4, a equipa da Bungie guiou-nos pelo início desta história que decorre num planeta Terra pós-apocaptico (a tendência Primavera / Verão deste ano, após o arco e flecha do ano anterior) na qual várias raças humanas, humanóides e alienígenas se confrontam (e confortam) pelos escassos recursos de uma vasta wasteland jogável. Este jogável não é mentira e, como brincadeira, a Bungie dirigiu o personagem para trás no cenário até chegar a um gigantesco desfiladeiro onde atirou uma granada que viajou bem longe até uma parede de rocha à distância. O criador assegurou-nos que ali não existiam paredes invisíveis e se podemos ver, então podemos viajar até lá.

Este deserto sem vida é denominado Old Rússia e é onde reside a última cidade à face da terra. Nós começamos por jogar com a personagem de um guardião desta cidade e, obviamente, na primeira pessoa. Ou melhor, quase sempre na primeira pessoa. Eu já explico.

Na sala estavam preparadas sete pessoas da Bungie cada uma com o seu comando PS4 na mão. Uma das jogadoras juntou-se ao jogador original mas em vez de apenas aparecer no mapa como é normal num cooperativo foi trazida por uma nave. Não sabemos se isto acontece sempre que alguém morre na nossa equipa pois a apresentação estava demasiado bem ensaiada para que alguém caísse por terra.

Destiny Bungie E3 2013

 

Ambos entraram para dentro de uma enorme estrutura, e se os exteriores já nos deixaram espantados então os interiores deixaram-nos de boca aberta. A iluminação dos interiores é algo nunca visto em tempo real nas consolas e se têm dúvidas sobre as capacidades da PS4 descansem. A menos que nos estivessem a mentir e tivessem os comandos ligados a ultra computadores, o motor gráfico de Destiny é visualmente magnífico e espantoso. O melhor nem é a luz, mas sim a ausência dela. A escuridão é uma das coisas mais difíceis de executar nos videojogos, uma vez que a compressão das texturas e da volumetria das luzes provoca muitas vezes tons esverdeados naquilo que deveria ser preto denso. Aqui não existe esse problema. O nosso personagem envia um drone luminoso ao longo de um enorme armazém escuro e a forma como este vai iluminando o caminho ao longo de centenas de metros de distância é inacreditável. Maior é a surpresa quando o drone acende as luzes que vão progressivamente iluminando todo o armazém. Fantástico.

Claro que por mais que a luz e as texturas possam ser bonitas o que importa é a qualidade das mecânicas de combate e a Bungie possui um dos maiores pedigree nesta área. Era uma pequena demonstração controlada pelo estúdio na qual nós só estávamos a assistir mas algumas mecânicas novas saltaram à vista. A primeira era que os tiros de energia dos inimigos não seguiam uma linha recta. Como estes se estavam a mexer os seus tiros seguiam trajectórias curvas que tornam o combate muito mais realista. Outra mecânica que saltou à vista é o facto dos nossos personagens possuírem ataques alternativos às armas que podem ser lançados com as mãos como saltarem no ar e dispararem energia ou saltarem e aterrarem no chão para causar uma onda de impacto. Só que, quando executam estes ataques, a câmara passa momentaneamente para terceira pessoa durante a acção para depois regressar a primeira pessoa. Isto torna estas capacidades mais viscerais e entusiasmantes.

Destiny Bungie E3 2013

 

Como habitual temos pistolas, caçadeiras, granadas, espingardas, snipers, e muitas outras armas para atingir o desejado headshot (aqui chamado “critical”) que podem ser carregadas para um tiro maior. Mas a grande novidade comparativamente ao que a Bungie fez com Halo é que as armas passam agora a ter skill trees complexas que fazem do upgrade quase um acto estratégico. O interface de upgrade das armas e de gestão do inventário parece um showroom com o nosso personagem num chão reflexivo e sinceramente algo que parece mais saído de um jogo como Forza do que de um shooter. Porém, resulta.

Quando regressamos ao exterior, um terceiro jogador que estava na sala juntou-se a nós com uma armadura de titã e a capacidade de disparar electricidade das mãos para além das armas normais. E foi aqui que caiu o céu na terra e que arrancou aquele que foi o momento mais genial da apresentação. À distância, uma enorme onda de choque fez fugir os pássaros e cair uma enorme quantidade de prédios enquanto uma nave gigante inimiga se dirigiu até nós. A partir daqui começou um Public Event, isto é, juntaram-se mais 5 jogadores aos 3 que já estavam a jogar o jogo.

A ideia destes eventos públicos é que em determinadas sequências, jogadores que estão online sejam chamados a cooperar connosco na campanha ou até em multijogador com narrativa como está prometido. Não sabemos como isto irá funcionar. Se quem se junta são os nossos amigos ou qualquer pessoa, e se temos de abandonar a campanha para nos juntarmos a outros, mas aquilo que vimos foi uma batalha épica de 8 jogadores contra inimigos controlados pela consola. A Bungie promete história nos modos multiplayer mas o que isso significa ainda está por revelar.

Destiny Bungie E3 2013

 

Os inimigos estão desafiantes e imponentes e alguns deles são completamente Bungie como um enorme “tanque aranha” que se desprende da barriga da nave e numa pirueta está no chão pronta a atacar com canhões. Através de jogo cooperativo a equipa foi desactivando a armadura da aranha que mostrou o acesso a zonas mais sensíveis que foram então atacadas até o bicho mecânico explodir com pompa e circunstância e dar lugar a um trailer que mostrou uma enorme variedade de personagens, raças e inimigos, veículos terrestres e aéreos de vários tipos e um planeta inacreditável.

Fora da apresentação e no press release que nos foi entregue está prometido um universo persistente para todos os jogadores online; uma experiência social dentro do jogo; e um sistema de classes. O jogo está previsto também para lançamento na PlayStation 3 e na Xbox 360, mas é quase infâmia não o jogar nas consolas de nova geração.

O pior de tudo foi o final da apresentação quando apareceram as letras “Destiny” seguidas de “Become Legend” e “2014”. É que nós queríamos jogar já.