Uma das coisas que se perdeu nas últimas E3 foi o efeito surpresa. A explosão do jornalismo online e as redes como o twitter fazem com que seja praticamente impossível segurar as surpresas durante muito tempo nos gabinetes dos estúdios. Daí que o anúncio de Mad Max tenha provocado o espanto. Há anos que os fãs do filme de culto reclamam um jogo, embora muitas das criações digitais jogáveis já tenham procurado a inspiração maior no filme de George Miller. Fallout, Outlander, Fuel, Wasteland, ou Borderlands foram apenas alguns dos jogos que têm o DNA de Mad Max nos seus vastos cenários inóspitos e na dureza e frieza da suas personagens.

Nenhum fã do filme irá ficar 100% contente com uma adaptação para jogo seja ela como for e isso é verdade para qualquer filme de culto: Blade Runner, Back to the Future, Apocalypse Now, entre muitos outros. O máximo que podemos desejar é que não seja apenas um cash-in do franchise. Confesso que ainda me assustei. Assim como muitos, também eu sou fiel às aventuras originais de Max, e com um novo filme da série em produção, fosse este jogo da Activision e eu já estava aterrorizado. No entanto, a Warner já mostrou com Batman que entendeu a fórmula de criar bons jogos em redor de uma propriedade e o sucesso de crítica e público que resulta dessa aposta.

Mad Max E3 2013

 

Quando assisti na E3 à sessão à porta fechada de jogabilidade em tempo real a correr em PS4, todos os meus medos se dissiparam. Não vai agradar a todos, mas a mim Mad Max convenceu com a sua jogabilidade centrada principalmente em torno do carro de Max.

Mad Max (o jogo) é uma história original e alternativa à do filme, num cenário de mundo aberto com uma vasta Wasteland para explorar e onde os recursos são um bem escasso. Max acabou de perder o famoso Interceptor e, sem um veículo, é comida para abutres. Daí que com a ajuda do mecânico Chumbucket (um homem que parece o resultado do casamento do Corcunda de Notre Dame com uma senhora com um problema grave de pele) vamos construir uma nova viatura com o pomposo nome: Magnum Opus. O nosso veículo vai ser parte integrante de toda a jogabilidade e é nossa a decisão de como o carro deve ir evoluindo ao longo do jogo.

A Avalanche já provou com os títulos Just Cause que sabe fazer combate que envolve veículos e a demonstração jogada pelo estúdio mostrou-nos uma sequência onde várias viaturas pós-apocalípticas com gangues rivais tentaram aniquilar-nos e tomar conta da nossa montada. Estas sequências proporcionam momentos que alternam entre a condução e a luta. Podemos controlar o carro ou escolher ir para a mala de caixa aberta operar armas, ou podemos trocar e inverter esses papéis com o nosso mecânico. Assistimos a momentos deliciosos como pneus a serem arrancados de outros veículos através de arpões (o que causou o eventual capotamento e explosão) e lutas frenéticas com punhos e armas com inimigos que saltaram para cima do nosso carro.

Mad Max E3 2013

 

Quando finalmente nos libertámos de todos os nossos perseguidores chegou o momento de sair do carro e procurar nos destroços peças para fazer evoluir o Magnum Opus, ou utensílios que sejam necessários para as nossas armas e sobrevivência. Acho que estamos perante o primeiro jogo em que os carros fazem parte do loot. A Avalanche promete pelo menos 50 dos carros icónicos dos vários filmes da série.

Não se pense no entanto que este é um jogo de carros pois existem áreas em que é necessário andar a pé e onde o combate é feito com armas tradicionais. Uma delas, um arpão explosivo que Max prendeu ao peito de um inimigo (o Thunderstick), deixou de lado as dúvidas se estávamos perante um jogo para maiores de 18 anos. A violência é grande, mas nada de outro modo faria sentido no universo de Mad Max, nesta sociedade distópica onde a racionalidade e humanidade são os bem mais escassos de todos.

Mad Max E3 2013

 

O sistema de upgrade dos veículos não é só uma forma de nos tornarmos mais fortes. Existem secções do jogo que só são acessíveis após esses upgrades. Por exemplo, uma determinada fortificação pode-nos apresentar um portão com contornos vermelhos, o que significa que o nosso carro não está preparado para rebentar e atravessar. A equipa acedeu ao interface de optimização do carro para colocar uma grelha de embate na frente. Isto no entanto fez com que a suspensão do carro descesse demasiado, o que provoca dificuldades na condução. O responsável da Avalanche escolheu então uma grelha de demolição forte mas mais leve, e ajudou o carro instalando um supercharger para mais potência e pneus com lâminas para maior aderência na areia. A partir daí, estávamos prontos para uma nova investida de frente, desta vez bem sucedida que abriu o acesso a uma nova área.

O mapa de jogo pareceu-nos enorme e, graficamente, para aquilo que foi anunciado como uma versão alpha muito recente, o jogo está já com um óptimo aspecto de nova geração. Mad Max promete então combate brutal com carros, armas ou corpo a corpo, num vasto mundo aberto, e esperemos que a narrativa seja fiel ao estilo dos filmes que muitos não esquecem. Para já fica a promessa: “Só os selvagens sobrevivem”. Chega em 2014 para a geração actual e para a nova geração de consolas e PCs. Resta-nos implorar por uma edição especial com uma boneca da Tina Turner.