Há uma certa dificuldade em começar um texto que não soe a repetição, porque após várias edições que o Rubber Chicken presenciou desde a mágica edição na costa Alentejana, no resort ZMar, não é fácil encontrar um ponto que diverge por completo. Porque é também um evento que todos conhecem, e falar o mesmo por outras palavras não é o mesmo que contar uma nova história, que é em parte a história de muitos que por aqui passam.

Nesta 25ª edição do MEO XLParty estivemos no pavilhão 2 da FIL, em Lisboa. Sorrisos e ares de concentração foram uma mistura quase poética que observamos neste espaço. Um cocktail de satisfação erguido no ar por entusiastas e simpatizantes, num encontro que mobilizou três gerações, de culturas distintas e também de variadas áreas de negócio. Era um paladar diferente com as tortas de azeitão, a temperatura no pavilhão fazia esquecer o inverno, e os novos expositores traziam um novo refresco ao espaço.

 

Entre os expositores destacavam-se algumas novidades encantadoras. Como foi o caso da Loja Neko, que ao falar com o gerente me deixou com curiosidade em conhecer o espaço, no Seixal. Muita simpatia e boa disposição era o que se propunha nesta banca durante os 3 dias do festival, especializada em anime que vendia variados produtos e que juntava na mesma banca a NCreatures, editores da revista Banzai. Ao vivo, desenhavam com toda a segurança, desinibidos de tanta afluência de pessoas que passavam e contemplavam os exercícios a lápis.

 

Ao lado estava a PressPlay com um cantinho para ler, mais os habituais jogos e consolas retro, promovendo os recentes livro de Nelson Zagalo “Videojogos em Portugal” e o videojogo da Nerd Monkeys “Inspector Zé e Robot Palhaço em: Crime no hotel Lisboa”. Em conversa com Diogo Vasconcelos, gerente da loja e co-produtor do jogo, partilhou connosco estarem a produzir dois DLCs com Nuno Markl e Filipe Homem Fonseca como argumentistas. E no decorrer da conversa falou-se um pouco sobre a indústria em Portugal, a importância em não bastar fazer um jogo mas a também saber promovê-lo, e da importância do livro de Nelson Zagalo para entendermos o percurso do mercado português.

 

Ao dar mais uns passos encontrávamos o primeiro bar de videojogos português, o 1UP Gaming Lounge. Não parecia servirem as bebidas especiais que costumam servir na Ramada, onde estão localizados, mas havia alguns snacks, muitos jogos e acessórios a preços bastante convidativos. Também por aqui irradiava uma “boa-onda” e foi certamente uma das melhores adições ao evento, com jogos para experimentar enquanto se decidia o que comprar.

 

E perto do 1UP Gaming Lounge era possível experimentar o Oculus Rift, trazido por The Arcade Man, um produto ainda em desenvolvimento que pretende revolucionar a área de entretenimento, desde os jogos aos filmes, numa realidade virtual muito mais plausível daquilo que estamos habituados e com uma grande ambição. Testámos o Oculus Rift a andar numa montanha russa virtual, num universo a 360º. É uma experiência única, que nos embrenha de imediato e nos faz pensar que os videojogos, ao juntar esta tecnologia com a nova geração de consolas ou posterior, vão dar um salto enorme na forma como jogamos.

 

E desta vez tivemos a presença da Electronic Arts, da Namco Bandai, e da Capital Games: distribuidora portuguesa de Videojogos. É de louvar a presença destas marcas, acrescentando contributo ao MEO XLParty e para que este se aperfeiçoe a nível de qualidade. Mas faltou o que mobiliza mais algumas milhares de pessoas: o que não está ainda presente no mercado. A Sony deu um pequeno passo nesse sentido ao apresentar DriveClub, disponível para experimentação. Um jogo que ainda não está à venda, mas que entenderam não ser demasiado cedo para mostrar em terras lusas, antes que todas e todos possam adquiri-lo em qualquer loja.

Assim deveria ser com um maior leque de jogos, apelando às marcas que o façam, porque o MEO XLParty é o único local na península Ibérica com condições para isso, e poderia ser, quem sabe, uns da Europa. Mas não bastaria a vontade da E2Tech, que sempre tenta fazer chegar aos portugueses o melhor que a indústria tem para oferecer.

 

Um dos pontos fortes do Festival foi o concurso de Cosplay. Melhor, foi o encontro de uma cultura Cosplay, como um culto, uma mensagem a ser transmitida. Com fatos que demoram entre 1 a 3 meses a desenvolver, alguns bastante mais, viu-se uma grande afluência de cosplayers a mostrar o seu melhor na arte do disfarce. Era gente bonita, amistosa, e dedicados com aquilo que faziam, amantes de videojogos e anime.

 

Mas gente bonita e amigável espalhava-se por todo o recinto, da área de experimentação à área de LAN, em constante movimento e incansáveis. Até adormecer no teclado ou debaixo das mesas com um edredão a acomodar durante a noite, iluminados pelas luzes dos ecrãs e algumas luzes de natal.

 

Em relação aos torneios, que convocou milhares de participantes, congratulamos os FTW Plextor pelo grande prémio do torneio ASUS ROG com League of Legends, Francisco Cruz com torneio de PES e os K1ck com DOTA 2 e CS:GO.

 

Pelos contagiantes aplausos, os constantes gritos e risos de satisfação, mas acima de tudo a energia que transmitem, a todas e todos que estiveram na FIL, aos expositores pelos dedos de conversa, e à E2Tech, mais uma vez: obrigado pela experiência!

 

para mais fotografias: facebook/rubberchickengames