Enganosa percepção.

Smoke and mirrors é entendida como uma metáfora para uma explicação enganosa ou irreal. O sub-título para este segundo episódio da série da Telltale não poderia ser melhor escolhido, porque a trama vai desenvolvendo-se por surpresas incontáveis, de situações imprevisíveis, e nem tudo o que parece é claro como água.

Estamos mais uma vez a comandar Bigby (The Big Bad Wolf) para continuar a solucionar uma série de assassinatos que acontecem em Fabletown. Bigby traz consigo do primeiro episódio uma não boa imagem pelo seu carácter ameaçador, de interrogatórios ou encontros que podem facilmente desencadear violência. Mas são nossas escolhas, as do jogador, que guiam Bigby a ser temido ou mais democraticamente correcto. E cada escolha de acção ou diálogo pode mudar por completo o comportamento de outros personagens ao longo do episódio ou dos vários episódios. Estes recordam-se das acções do lobo mau e actuam consoante as nossas escolhas.

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Deixa o meu nariz em paz.

 

Contudo, ao longo do episódio, os resultados pelas escolhas de diálogo não oferecem consequências ou comportamentos muito diversificados, estejamos a comportar-nos com calma ou agressivamente. Até as escolhas para conectar provas da investigação são extremamente simples, o que poderia ir mais além deduzindo que este seja um título para gente graúda.

A atmosfera é ainda mais escura que no anterior episódio. As cores néon são mais evidentes e a vida decadente é o prato do dia para a maior parte dos intervenientes. Os habitantes de Fabletown têm menos que uma vida fácil, e sobrevivem num mundo de complicações. São personagens de contos de fadas de faca na liga, a tentarem encontrar uma saída para sobreviverem neste mundo dos humanos. Estes precisam de glamour, um feitiço que os mascara neste mundo para terem aparência humana, mas de glamour este mundo sórdido pouco tem.

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Trago um presente.

 

O maior trunfo de Smoke and Mirrors, e mais uma vez, é a caracterização de personagens. Menos são os intervenientes, mas cada um conta com momentos memoráveis, como por exemplo o caso de Georgie, gerente de um strip club “pudding and Pie”. Uma personagem que trata mal toda a gente, sem papas na língua para palavrões tal como Bigby profere. Smoke and Mirrors não nos permite estar tão soltos como no primeiro episódio, e é neste momento com Georgie que Bigby encontra o seu lado mais violento. Se assim escolhermos que seja. Não seria este um lobo mau descontrolado se mantivéssemos a calma e se não déssemos um valente estalo em Georgie só pela forma como trata as suas dançarinas desprovidas de roupa.

Quando menos contamos, estamos sentados na cadeira a ver os créditos finais a passar, mas antes disso somos encorajados para as cenas do próximo capítulo. E percebemos que estivemos mais tempo como espectadores do que como jogadores, o que poderá facilitar uma perda de público pelo menor interesse que este episódio demonstrou.

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Fizeste mal a barba, tonto.

 

Podem ler a análise de The Wolf Among Us, Episode 1: Faith aqui

Análise testada: Xbox 360. Também para PS3 e PC