O título é uma referência aos quatro helicópteros atados que mostraram durante a apresentação do Just Cause 3.

Terça-Feira, cinco para as cinco da tarde. Sento-me à secretária com as minhas batatas fritas acabadas de fritar, temperadas com sal e orégãos e sinto-me preparado. Está tudo a postos. Enquanto espero pelo início da conferência e sinto o aroma das batatas a invadirem as minhas narinas enquanto as guio até à minha boca, apenas duas palavras fazem eco na minha cabeça: “Kingdom Hearts”. A última vez que tivemos notícias foi o ano passado, com gravações de gameplay promissor, mas longe de adequado para os standards de qualidade que a série sempre nos habituou, principalmente devido ao clunky feel do combate.

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Just Cause 3: Explosões. Explosões everywhere.

Square Enix uma boa noção de aquilo que cada território quer ver, e foi exactamente o que senti assim que começou a conferência. Explosões, barulho, queda livre e adrenalina ao máximo com a apresentação do Just Cause 3. E confesso que para um título que nunca me chamou muita atenção até conseguiram-me convencer. Just Cause 3 está bonito e o seu género muito melhor definido diante os meus olhos, com um escopo muito maior e hilariante para todos aqueles que a primeira coisa que fazem quando iniciam um GTA é inserir sequências de teclas para ter acesso a todas as armas e simplesmente ajavardar. Podemos contar com ele já no final do ano e é um sério candidato à Blu-Ray drive da minha home console. Por este andar todas as batatas fritas já desapareceram da taça, devido à semelhança entre o que presenciava e à velocidade mais furiosa a que comemos pipocas no cinema a ver um filme de acção cheio de efeitos especiais. Silêncio se fazia na minha boca e cabeça, agora acentuado pelo artistic feeling induzido pelo artwork animado da Platinum Games. Tudo parecia belo, até mostrarem o nome do jogo, NieR. O título não me parecia novo, mas o artstyle não me remetia para nada.

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NieR “2” e as novas decisões artísticas

Uma pequena pesquisa no Google e vistos alguns vídeos de gameplay do seu antecessor e ficou claro que estavam a orientar o jogo para outra direcção. O que vi foi certamente bastante animador e definitivamente vou manter-me atento a este título, principalmente por a Platinum Games estar metida ao barulho. Se houve empresa recentemente fundada que não desiludiu foi ela, principalmente com a quantidade de títulos em que já esteve envolvida. Talvez por ser exclusivo PS4 era agora tempo de dar atenção ao timed-exclusive da Xbox One, The Rise of Tomb Raider.

Apesar de terem desviado um pouco o género da série com o reboot de Tomb Raider em 2013, eu sou das pessoas que genuinamente gostaram do jogo. E este não parece que fique nada atrás. Mais bonita que alguma vez já esteve (edit: depois de ter escrito o artigo e depois de ter inquirido diversas pessoas, a questão deLara Croft estar mais bonita que nunca não é consensual. Julgo que também é o meu gosto relativamente a mulheres a fazer efeito) e prometem mais túmulos! Hooray! Há nitidamente uma enorme preocupação da equipa para que a Lara esteja fiel à realidade até nos mais pequenos detalhes, deixando-me particularmente feliz por ser essa a forma com que a Crystal Dynamics revela o seu amor pela personagem, em vez de lhe porem seios maiores e calções mais curtos. Ainda sobre Tomb Raider e seguindo o legado de Hitman Go é falado em Tomb Raider Go um turn based game com uma direcção artística minimalista. Encontra-se em desenvolvimento e a caminho dos smartphones e tablets.

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Rise of the Tomb Raider em todo o seu esplendor (sobre a forma de neve e arranhões)

Um pequeno showcase de títulos em desenvolvimento pela Square Enix e o momento finalmente chegou. Shinji Hashimoto, produtor executivo da série Kingdom Hearts sobe os degraus até ao púlpito para falar. Depois de momentos de diálogo não traduzido e o trailer visto na conferência da Sony de Final Fantasy VII, as palavras “Agora, sobre a série Kingdom Hearts, vejam este vídeo” surgiram. O meu batimento cardíaco acelerou para desacelerar, pois o video era sobre Kingdom Hearts [Chi], browser game no Japão que agora vê a luz do dia em iOS e Android na América do Norte sobre o nome Kingdom Hearts Unchained [Chi]. Adorável, mas todos nós estamos ansiosos para ver Kingdom Hearts 3.

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Kingdom Hearts 3 e o salto no art style. Primeiro estranha-se, depois entranha-se.

Depois de uma palavrinha com malta da Disney a confirmar que o mundo de Tangled irá marcar presença em KH3 e o novo trailler ser revelado, alguém da plateia grita a alto e bom som “THANK YOU!” algo que certamente descreve todos os sentimentos que qualquer fã naquele momento. Está realmente bonito e bastante mais fluído desde o trailer do ano passado. Certamente não me tiram da cabeça que o salto do artstyle foi demasiado largo desde os jogos anteriores da série, mas nada que um processo de habituação não resolva. Ainda não há previsão para data de lançamento. No entanto, mais tarde numa entrevista que Tetsuya Nomura deu, veio-se a saber que tiveram mais uma vez de mudar de game engine. Tudo isto explica a preocupação da equipa com os standards de qualidade da série o que, apesar de me deixar triste por ainda não haver uma data de lançamento à vista, deixa-me mais tranquilo.

World of Final Fantasy deixou-me intrigado para saber se a fórmula pega fora do Japão (honestamente, o adorei o conceito de Kids, um spinoff de Virtua Fighter para a Saturn com chibi characters) e Hitman bastante surpreendido com a nova profundidade que nos mostra. Star Ocean: Integrity and Faithlessness foi confirmado para os USA e Europa (Hooray count: 2) e mais Deus Ex que mostra consistência mas mais do mesmo, reforçando as palavras “hiding in plain sight”.

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Star Ocean? More like Star River… ha…

O último anúncio da Square Enix, para mim, representa o quanto a empresa mostra que se consegue adaptar aos tempos e ao público mas sem esquecer o que realmente gosta de fazer. A empresa procura avidamente o próximo “Final Fantasy“, uma série épica que ajude a definir de forma mais concisa e confiável a imagem da empresa. Foi essencialmente concept art apresentada, mas o tom de voz atribuído à descrição do jogo é nitidamente indicador de que este é o tipo de título que a Square Enix está à procura mas, mais importante que encontrá-lo, é o facto de estarem à procura. Pode ser este. Ou não. Mas chama-se Project Setsuna.

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“This is a all new console RPG.” *pausa* “It’s not a spinoff or a remake, but a completely new series. With its delicate and somewhat wistful atmosphere, we … we are calling it,” *a música pára* “Project Setsuna.”