A saga Shin Megami Tensei nunca esteve tanto na moda. Talvez por todos os tops dos melhores jogos da PS Vita estar o SMT: Persona 4 Golden, por SMT: Persona 4 juntamente com SMT:Persona 3 ter sido uma série extremamente ordenhada mediaticamente falando, talvez por termos SMT x Fire Emblem aí à porta para a Wii U. Confesso que não sei bem explicar e não entendo se haverei de ficar contente ou triste em relação a isto, pois a grande parte dos jogadores parece sustentar esse gosto vacuosamente. O que sei dizer é que escrever uma análise desta série é, para mim, tanto uma enorme honra como uma enorme responsabilidade.

Shin Megami Tensei: Devil Survivor 2 é sequela do jogo que o Ricardo Correia analisou no início de 2014 (que é um port com conteúdo adicional para a 3DS). SMT: Devil Survivor 2 Record Breaker encontra-se assim para o seu original da mesma forma que o SMT: Devil Survivor Overclocked se encontra para o original. Mas esquecendo preciosismos:

Nicaea

Um protagonista adolescente do século XXI e a sua vida normal mudam por inteiro quando, depois de um terramoto, sete aliens invadem o Japão. Há demónios que lutam do lado deles, no entanto, na primeira batalha, graças a uma aplicação de telemóvel, a personagem principal e o seu grupo de amigos (Daichi e Io) conseguem três demónios como aliados. A aplicação de telemóvel (livre de micro-transacções) notifica os seus utilizadores com vídeos da morte de cidadãos antes de elas ocorrerem, e os demónios de que falei são os que são partilhados ao longo de toda a série de Shin Megami Tensei. Os demónios são obtidos a partir da aplicação de leilões do telemóvel e ficam disponíveis à medida que a história progride. Outra aplicação permite fundir demónios para obter outros, muito à imagem daquilo que temos vindo a ver nesta série. É também interessante referir que as personagens não têm equipamentos e todas as suas habilidades são herdadas do combate (se afirmarmos que uma personagem vai derrotar determinado inimigo e isso efectivamente acontecer, podemos escolher um dos seus ataques). Cada personagem é acompanhada de dois monstros que podem ser escolhidos à vontade do freguês, dentro de todos os demónios que temos.

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Devil Surivor 2 é um tactics rpg seguido à risca. Controlamos um máximo de quatro personagens espalhadas por um “tabuleiro”. Nada de muito surpreendente. Quando, durante uma batalha, temos a opção de entrar em combate, somos levados para um ambiente first person onde nós e os nossos dois demónios combatemos um só adversário e os seus. As batalhas são um excelente desafio intelectual, porém, conta com uma esquemática claramente herdada do seu predecessor e de outros jogos do mesmo género. Fora do combate, o ambiente do jogo é simplesmente navegação de menus. A título de exemplo, se pretendemos praticar e aumentar o nível das nossas personagens, temos de seleccionar “Free Battle” no menu de eventos.

smtds2rbbs.jpgMerak, dos Septentriones, e o sistema de batalha

A história, apesar de longa, tem excelentes twists and turns e questiona (muito à imagem dos jogos mais antigos da série) pontos importantes da existência e vivência em sociedade. SMT: Devil Survivor 2 Record Breaker tem, além da história do original (onde, em sete dias, temos de derrotar os Septentriones, uma raça alienisna contratada por Polaris, que está empenhado em reconstruir o mundo e a sociedade) uma outra campanha onde a terra sofre um segundo ataque, desta vez de três aliens, dos Triangulum. Esta segunda campanha está munida exactamente do mesmo gameplay, mecânicas e não acrescenta rigorosamente mais nada além da história. Porém, essa extensão será certamente bem vinda para quem gosta do jogo original. Tenho também de referir que a quantidade de tempo que o storytelling gasta a investir no setting (principalmente na história original) é imensa e consegue ser muito aborrecido. A localização do jogo é bastante boa além de alguns pequenos momentos, e nesses pequenos momentos é tão má que se torna humorosa.

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De um ponto de vista gráfico o jogo não é surpreendente mas isso não é preocupante para o público alvo. A banda sonora é incrível, tal como grande parte dos jogos da ATLUS nos tem habituado. Garanto que após algumas horas de jogo vão estar a trautear a banda sonora, tal como acontecia com tantos jogos há vinte anos atrás, quando os recursos eram muito menores (algo que aqui não se verifica).

Porém, a minha opinião é que este género há muito que necessita de um twist interessante de gameplay ou alguma evolução. E isso não faz com que goste menos de SMT: Devil Survivor 2 Record Breaker, apenas me deixa mais desejoso por um tactics rpg que seja inovador, como por exemplo Valkyria Chornicles o foi. Não entendo se isso não é feito propositadamente, por ser um género bem estabelecido e com um público alvo consistente, ou por preguiça. SMT: Devil Survivor 2 Record Breaker é, acima de tudo, um jogo muito competente e um excelente ‘pitéu’ para o cérebro, tanto por ser desafiante como por ter uma história muito interessante que nos deixa a pensar até quando abandonamos a nossa consola. E por isso, tiro-lhes o chapéu.