aDOTA-me #2 

Go, go Power Rangers!

Poucos custom games tiveram tamanha aceitação. No dia do seu lançamento, Dota 2 Element Tower Defense saltou directamente para o top dos jogos custom mais jogados. O conceito já é antigo, tendo sido lançado para Warcraft 3 no longínquo ano de 2008. Mais tarde, já em 2011, o jogo é lançado para o motor de Starcraft 2. 2016 marca o ano em que Element Tower Defense entra no Dota 2 e aponta baterias para entrar no mercado Mobile, durante o verão.

Eu sei. É mais um Tower Defense. Há imensos. Mas este Element TD faz por não ser apenas mais um. O jogo concebe um grupo de seis elementos diferentes. Luz, Trevas, Água, Fogo, Natureza, Terra. A fazer lembrar um Magic: The Gathering com mais um elemento que seria, no caso, o desdobramento do “verde” em Natureza e Terra, verde e castanho, respectivamente. Até aqui nada do outro mundo. A ordem das coisas também é bastante linear: cada cor ou elemento sofre dano a dobrar da cor à sua esquerda, recebendo apenas metade do dano da cor à sua direita. Simples, huh? O preto das trevas recebe o dano extra das forças da luz, mas recebe apenas metade do dano que o elemento azul da água lhe daria, sendo que o azul recebe dano a dobrar das trevas and so on and on. Uma espécie de Power Rangers à porrada num arco-íris de festa, cor e acrobacias pouco práticas.

 

E fruta, tem? Tipo, sei lá, Mangas?


A piada começa quando se pincela – subtil a referência a pintura aqui no texto recheado de cores, huh? – todo o jogo com as personagens de Dota 2. Awww yeah! Torre de Luz? Quem melhor que o Keeper of the Light? Torre de Água? Mr. Morphling, pois claro! Torre das Trevas? Shadow Fiend! Torre de Terra? Tiny, a nossa pequena-grande pedreira! Torre da Natureza? Furion, the Nature’s Prophet! E alguém pediu uma torre de Fogo? É ver a Lina a despachar bolas de fogo para todos os inimigos. E a coisa não fica por aqui… ah não! É que, qual palete de tintas, podemos misturar as cores e os respectivos elementos. Misturar Água com Fogo? Dá Vapor, claro… E temos o Slardar a assumir o papel de torre. Luz com Natureza? O Omniknight surge, a fazer o que faz melhor no Dota 2, curando-nos ao fim de determinado número de frags. As combinações desmultiplicam-se invocando outros nomes do Dota 2 e aplicando efeitos em tudo semelhantes ao seu impacto no Dota 2 propriamente dito. E as coisas voltam a dar o salto quando espreitamos as torres que usam três cores, desbloqueando efeitos alusivos aos três elementos envolvidos. É um gigantesco número de possibilidades e que incrementam sobremaneira o replay-value do jogo. Principalmente porque a coisa não se fica por aqui. É que cada elemento pode ser melhorado até três vezes também, o que desbloqueia novos upgrades para as torres, essenciais para Waves mais avançadas. Para uma torre com determinado elemento subir de nível, há que ter um nível acima nesse elemento também, ou seja, para se tirar o máximo partido de torres tricolores, são precisos três pontos em três elementos. Cada nível das torres altera também o aspecto da mesma, utilizado algumas das inúmeras skins dos modelos dos heróis no jogo, um pormenor engraçado a tirar partido da imensidão de conteúdos disponíveis dentro do Dota 2.

Quanto às waves de inimigos, vão alternando o seu elemento de origem e vão, claro, incrementando em dificuldade. De 5 em 5 waves desbloqueamos um Lumber, que pode ser utilizado para melhorar um dos elementos que já temos ou desbloquear um novo. Em alternativa, podemos trocá-lo por um Mango (Sim, uma manga! Uma fruta! O Dota 2 utiliza-a como consumível! Don’t ask…), utilizado para criar torres “puras” – o derradeiro nível de um elemento.

Creio que por aqui já dá para perceber um pouco a maravilhosa complexidade que está na base deste jogo, gratuito dentro do Dota 2. Mas faltam ainda os temperos! Falta o sal e a pimenta que é a componente multi-jogador da coisa. Até seis jogadores em simultâneo, a assistirem aos jogos uns dos outros e a competirem entre si para ver quem acaba primeiro uma Wave, conquistando mais pontos e, em alguns modos, despoletando desde logo o início da próxima Wave e atrapalhando aqueles que já vão derrapando com a Wave actual. E isto em diversos modos de jogo. Normal, com cada um a escolher o que pretende adquirir, Same Random, com cada Lumber de desbloqueio a ser atribuído aleatoriamente a um elemento para todos ou All Random, onde é basicamente cada um por si e cada um tem o que a sorte ou o azar lhe ditar. Isto salpicado com níveis de dificuldade crescente e com outros sub-modos e variações que, de uma maneira ou de outra, nos transportam ao longo de umas amigáveis 55 Waves antes de sermos colocados perante…

Icefrog

O criador do Dota 2! Icefrog em pessoa, I mean, em sapo! Muitos. Dezenas. Carradas. Monelhos de Icefrogs multiresistentes (que é como quem diz não particularmente vulneráveis a nenhum dos elementos) saltitando uns atrás dos outros até à nossa perdição. Senhores! Senhoras! Isto é a total sapolândia! Uma verdadeira invasão de Icefrogs rindo de escárnio enquanto avançam para a completa devastação da nossa base. Eles gozam, senhores, eles GOZAM connosco! Não há sequer dinheiro pelas suas mortes, apenas sapos e mais sapos e mais sapos!

O jogo torna-se um contra-relógio, um caos! Uma cruel gargalhada perante a nossa impotência em deter o criador do jogo que permitiu que o Element TD existisse nele e que jogássemos este jogo em que somos obrigados a defrontá-lo e… ARGH!!! Inception! Raiva!!


O desafio consiste em jogos de duração mais ou menos controlada, entre os 20 e os 40 minutos (disse 20? disse?! AHAHAHAHAHAH é bem provável que não cheguem até lá à primeira tentativa!) mas que na verdade, dão para umas horas valentes de diversão, a solo ou com um punhado de amigos. O jogo não dispõe ainda de servidores dedicados da Valve, pelo que está dependente das ligações e das máquinas dos jogadores para que um deles seja o servidor – e por vezes isso nota-se no desempenho, em Waves maiores. Mas, pelo que deu para espreitar, é um jogo que se recomenda! Muito!!! Experimentem!