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Não sei se é por abominar a violência ou por outra coisa qualquer, mas à excepção de uma cabeçada dada a um vizinho que me tinha batido quando eu tinha uns 7 anos, nunca lutei com ninguém. Podem chamar-me mariquinhas ou “chicken” em inglês, que eu pouco me importo. Os murros e a violência na vida real (quando não são desporto é claro) são os argumentos de quem não os tem, e como sempre preferi cultivar o cérebro ao invés dos nós dos dedos acho que há formas de contornar situações que não envolvam provocar equimoses em alguém. Ou em mim mesmo. Esta minha aversão à violência real materializou-se no meu primeiro personagem de RPG de sempre, o vampiro Bernardo d’Abecassis, que ao longo de dois anos em que a campanha durou nunca deu um murro nem nunca sofreu 1 único ponto de dano. Mas matou diversos humanos e 2 outros vampiros sem sequer ter de lhes tocar.

Tudo isto para repetir: eu não gosto de violência real nem me revejo na necessidade de bater em alguém para me sentir mais ou menos homem. Talvez a germófobia fale mais alto, mas até desde criança sempre abominei brincadeiras parvas típicas dos miúdos de tenra idade que envolviam empurrar e magoar só pela piada, e até brincadeiras que necessitassem de contacto físico sempre foram do meu desagrado. Agora, jogos de luta? Adoro! Desde pequeno que é um dos meus géneros favoritos e para quebrar algumas ideias pré-concebidas da maralha se há alguém mais distante da violência sou eu. Mas se temos um problema podemos resolvê-lo ao soco, no Mortal Kombat ou no Guilty Gear.

Dois anos depois do lançamento de BlazBlue Chronophantasma para Arcada, PS3 e Vita, eis que chega finalmente ao PC a nível mundial a versão melhorada do jogo, de sufixo EXTEND, e que traz todos os DLCs, crossplay entre a PS3 e a PS4, para além da inclusão de dois novos personagens jogáveis e algumas alterações de jogabilidade. O que no total perfaz 28 personagens jogáveis num jogo rico em conteúdo single player, e tudo isto por 29,99€. Ouviste bem Street Fighter V?

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BlazBlue pode ser verdadeiramente avassalador para quem entra na série pela primeira vez. Há uma grande percentagem de visual novel no seu conteúdo, onde o forte enredo de cada um dos personagens faz desta série uma das séries narrativamente mais ricas do género. É claro que é possível aproveitar o jogo pelo que ele é na sua essência: um 2D fighting game, mas toda a tenção dada à história que a acompanha é algo levada muito a sério pelos developers da Arc System Works.

BlazBlue Chronophantasma EXTEND tem duas camadas distintas de imersão no jogo, e soube manter-se lato o suficiente para não ostracizar novos jogadores. Existe um modo simplificado em que os jogadores novatos têm a possibilidade de fazer aqueles combos que nos “enchem o olho” de forma simples. O próprio lore de BlazBlue, cuja extensão é reconhecida, é facilmente recontada em jogo para que um novo jogador não seja exacerbado com tudo o que se passou e o que se está a passar com todo o estranho e maravilhosamente criativo elenco que constitui a série.

Blazblue (2)

É uma redundância afirmar o quanto a Arc System Works é um estandarte de qualidade neste género de jogos. Acredito que lhe devemos mais por manter o espírito clássico das arcadas vivos do que aos gigantes WB ou Capcom com as suas séries multi-milionárias. O Japão ensina-nos diariamente a capacidade que tem para manter vivas algumas expressões artísticas que foram perdendo o fôlego ou evoluindo no resto do mundo, da animação tradicional, da banda-desenhada (com um dos mercados mais poderosos e férteis que existem), passando pelos géneros de videojogos como os 2D fighting games que foram caído no esquecimento no mercado ocidental mas que se mantêm vivos e com cada vez maior qualidade no mercado nipónico. As animações de BlazBlue mantêm a fasquia elevadíssima daquilo a que fomos habituados: qualidade visual ao nível do melhor que se faz em anime. Os movimentos e combos over-the-top com toda a espectacularidade das diversas frames desenhadas à mão fazem de tudo isto uma enorme demonstração de fluidez e de mestria artística.

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BlazBlue Chronophantasma EXTEND é o melhor e mais completo 2D fighting game a chegar-nos neste mês de Março, e cujo conteúdo está a milhas do recém-lançado SFV em Early Access.