A Singularidade, aquele fenómeno que mais tarde ou mais cedo vai acontecer em que uma Inteligência Artificial vai ganhar consciência. A ficção científica está cheia de histórias em que isto sucede e em que o ser humano não fica na parte boa. Maioritariamente a singularidade seja Matrix, Skynet ou Hal 9000, ou outros não mostra boas possibilidades, e nada me tira da cabeça que vai ser realidade num futuro não tão distante.

Em The Sentient da Uncaged Studios, a singularidade não toma o caminho da exterminação humana ou controlo sobre os mesmos como normal. Acaba por ver o potencial da raça humana e o seu tendencial declínio se continuarem sem ajuda. A raça humana está a tentar expandir pelo espaço e a falhar categoricamente, então pedem ajuda à única entidade que os pode ajudar e nós somos essa entidade, nós somos The Sentient. Numa espécie de jogo de gestão, exploração, roguelike cabe-nos a nós estipular o layout da nossa nave, contratar a tripulação e lidar com todas as situações com que eles se deparem nas suas expedições.

The Sentient 3

The Sentient está disponível em Early Access, e está numa fase muito inicial, digamos que está em pós-alpha. Mas ainda não está bem em beta. Mesmo assim o jogo está bom. Tem bugs e falhas, como quando a minha nave não andava porque um dos meus tripulantes estava bloqueado à porta da casa de banho, e eu nem sequer conseguia que ele fizesse alguma outra acção, quando ele caiu morto do que calculo fosse bexiga rebentada, o jogo continuou. O som e a música também podem ter algum trabalho adicional, e um pouco mais de variedade nos encontros.

The Sentient 2

Este título é uma espécie de FTL, ou Out There, ou até o Into the Stars, com um nível de pormenor quase obsceno. Não joguei Into the Stars, portanto não sei o nível de pormenor, contudo vejo The Sentient como FTL misturado com Out There mas com muito mais para fazer na parte da construção. Exemplo: nós não temos só que criar uma sala para motores, uma camarata, e uma sala de comando. Nós criamos uma sala de comando e escolhemos as mesas de trabalho para pilotagem, escudos ou armas, se não metemos uma unidade de piloto automático a nave só anda quando o piloto está no seu turno. Precisamos de uma cantina com mesas e um replicador de comida, uma sala de recreio com bar para a tripulação se distrair, um WC com chuveiro e sanita, porque eles vão passar muito tempo no espaço e higiene é importante. Em The Sentient não precisamos preocupar com minerais e oxigénio, digamos que a máquina está focada no lado mais humano da exploração espacial, e tudo tem que ser calculado ao pormenor. Podemos ter uma camarata gigante para ter os nossos tripulantes em turnos rotativos constantes, mas se só temos um replicador de comida e uma sanita, metade vai morrer na viagem. São estes os aspectos em que temos que pensar mais em The Sentient, e eu acho isso genial.

The Sentient

Assim como a Inteligência Artificial no próprio jogo vê na humanidade, eu vejo um potencial enorme neste pequeno jogo. Agora, para vocês, há duas hipóteses:

  1. Esperam que o jogo seja lançado completo, com o mínimo de bugs possíveis, e compram nessa altura.
  2. Dão uma de Inteligência Não Artificial, compram o jogo em Early Access e dão feedback ao estúdio para o jogo ser melhor.