Com a especial atenção que damos ao mercado indie é mais do que natural que muitos dos devs acabem por contactar-nos para conhecermos o seu jogo. Para quem está atento à franja independente e está informado quanto às dezenas de lançamentos semanais que vão saindo, não é uma surpresa ver que muitos destes jogos são dedicados a VR.

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FATED – the Silent Oath é uma destas abordagens narrativas, em que o estúdio que o desenvolveu (Frima Studios) decidiu submergir-nos na lenda que estão a contar através do videojogo e onde os óculos de VR são um portal para vivermos a história na primeira pessoa.

Com o enredo a decorrer no tempo dos Vikings, FATED põe-nos na pele de um homem que se vê obrigado a negociar com os deuses pela sua própria vida, sem ter noção dos sacrifícios que terá de fazer para salvar a sua própria família e a própria existência perante a ira dos gigantes. FATED é uma história trágica e penso que a imersão trazida pelos óculos de VR ajudam a potenciar toda a carga emocional que gira à sua volta. Desde os primeiros segundos que a estética brilhante e muito próprio do jogo nos permite uma submersão e uma total suspensão da descrença, e percebemos que sem dúvida a VR poderá ser um meio privilegiado  para contar histórias.

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Mas há três grandes (e pequenos) problemas à volta de FATED – the Silent Oath. O primeiro é a sua duração. Sim, eu sei que depois da experiência do malogrado The Order pouco podemos falar, mas FATED é uma boa história, um bom filme/videojogos interactivo em que nos vemos a trocar a nossa voz pela regresso à vida e à nossa família… mas que é uma lenda curta, e em hora e meia acabámos o jogo. Isto não seria um problema se FATED não possuísse outro problema: o preço. Um jogo cuja rejogabilidade é quase inexistente (graças ao seu tom linear de história estanque interactiva) não pode pedir 19,99€ por uma experiência que durará hora e meia.

O terceiro e último grande problema centra-se com uma opção que tenho visto em muitos jogos VR: a impossibilidade de serem jogados sem um dispositivo do género, apenas com teclado e rato. E porque é que isto é um problema? Porque os developers estão a alienar uma grande franja de jogadores que poderiam usufruir do jogo e não estão. Eu percebo a necessidade de submergir o jogador na Realidade Virtual, mas também sou um defensor de que uma boa história é-o em qualquer media ou com qualquer abordagem.