Sou um fã de Laser Tag, e continuo a achar que em comparação com o seu irmão Paintball a coisa parece-me bem mais divertida. E não digo isto porque muitos anos depois da minha infância e adolescência terem passado o sr. Barney Stinson contribuiu para tornar a coisa Lend…dária, mas porque não sou grande adepto de me magoar. E depois de ver uma série de amigos a mostrarem as nódoas negras decorrentes de jogos de Paintball como medalhas de mérito da guerra pensei: Laser Tag é mais giro. Desconheço que as radiações dos feixes de luz das armas sejam nocivas, mas pelo menos quando um tiro acerta ele não aleija.

Por todas as razões e mais algumas, e depois de ter falado ontem da parte narrativa da VR, o que senti desde muito cedo é que este “novo mercado” está quase inteiramente pensado para glorificar a experiência de first person shooters, com maior ou maior densidade de temática ou de enredo, ou de experiências que se limitam a trazer abordagens mais próximas das arcadas. Mas neste caso as arcadas movem-se dos seus móveis de madeira com CRT embutido para ficarem a alguns milímetros dos nossos olhos, enquanto nos transportam directamente para dentro do jogo. Falamos então de duas experiências do género, descomprometidas, que jogámos esta semana.

Mind Unleashed

Aquilo que parece inicialmente uma obra de auto-ajuda esotérica (e acho que é) é na realidade um sci-fi shooter dedicado para VR. É aliás esta a razão pela qual todos nós algum dia sonhámos com a Realidade Virtual: a possibilidade de nos sentirmos heróis em ambientes e arenas inóspitas, à medida que destruímos hordas de inimigos que nos querem ver mortos com uma intensidade maior do que um adepto do Benfica acredita que a sua equipa só ganha porque é mesmo boa e mais nada.

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Mind Unleashed atira-nos para uma série de complexos futuristas em que nos vemos cercados por diversas waves de robots diversos. Depois de os transformarmos em sucata vamos preparando-nos para receber umas quantas fileiras de inimigos na expectativa de nos esfregar um Game Over directamente nos olhos.

Enredo, história, premissas? Quase inexistentes. Mind Unleashed é o equivalente de VR FPS de colocar umas moedas nos jogos com pistolas nas velhas arcadas da Feira Popular, ou ir com amigos a uma sala de Laser Tag. A história é secundária. As casualidades é que contam.

Stealth Labyrinth

Também lançado pela Merge Games como Mind Unleashed, Stealth Labyrinth decide colocar-nos numa experiência mais furtiva. A abordagem Rambo-numa-estação-espacial do outro jogo dá aqui lugar a uma tentativa de imprimir furtividade a um jogo de VR. E com sucesso.

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Há alguma tensão no ambiente de Stealth Labyrinth, e na necessidade imersiva que temos em querermos esconder-nos dos muitos dróides que percorrem os corredores do labirinto, sempre atentos ciberneticamente a qualquer movimento que denuncie a nossa presença.

Stealth Labyrinth é o equivalente de irmos para uma sala de Laser Tag jogar ao “gato e ao rato”, e o seu grande desafio (não é assim tão simples esgueirar-nos por uma série de apontadores laser que detectam movimento) faz-nos ter de repetir o jogo diversas vezes.

Mind Unleashed e Stealth Labyrinth são duas boas experiências a menos de 3€ para quem possui um dispositivo VR.