Não é que eu me oponha aos early access. Não. Eu gosto. Tenho centenas de horas gastas em títulos early access como DayZ ou Prison Architect e não é coisa que sirva para lhes apontar o dedo. Se é bom, se traz coisas boas, venha ele. Deixem-me fazer parte do desenvolvimento, testar, dar as minhas ideias.

Mas as coisas nem sempre funcionam. Umas vezes os projectos em early access arrastam-se em demasia. Outras vezes terminam cancelados. Outras, espalham-se ao comprido e não fazem senão irar os que procuraram apoiar o projecto cedo demais, por não conseguirem nem jogar o jogo nem colaborar com o seu desenvolvimento, com a agravante de terem pago por isso.

 

The Black Death, infelizmente, andará por aí. Reparem, eu estou preparado para um jogo numa fase early Alpha. Ando na fase Alpha do DayZ desde 2013 (DOIS MIL E TREZE!!! vai fazer três anos que o DayZ está em early access ALPHA! Ainda nem sequer é uma beta. Tem bugs, mas é jogável. E bem jogável! Tenho-me divertido largas horas por lá e qualquer dia escrevo sobre ele aqui), mas, dizia eu, ando na fase Alpha do DayZ desde 2013 e, se o faço, é porque dá para jogar. Dá para fazer coisas! Entro, jogo, vivo naquele mundo por umas horas e depois vou à minha vida.

The Black Death promete muito. Um Survival Game baseado na época medieval, em plena época da Peste Negra. Com gráficos apelativos e bem trabalhados, as screenshots agradam à primeira vista e forçam a compra a uma vista mais prolongada. Dá vontade de saltar imediatamente para aquele mundo e começar a construir lá a nossa própria história, numa espécie de Game of Thrones em que sabemos que iremos morrer mais cedo ou mais tarde, mas podemos criar nova personagem e recomeçar. E recomeçar. E recomeçar.

O problema é que é cedo demais, precoce demais, e The Black Death falha num critério que deveria ser obrigatório para todo e qualquer jogo em early access e pelo qual tenha que se pagar, ainda com o ónus de se testar e contribuir com todo o input possível para a melhoria e estabilização do jogo: The Black Death crasha. Muito. Demais. À data em que vos escrevo estas linhas, tenho 18 minutos de jogo. Estes 18 minutos de jogo estão divididos por 5 tentativas, todas elas culminadas com crashes para o ambiente de trabalho. Sim, os menus precisam de revisão porque parecem ter sido desenhados por Stewie Wonder depois de 3 shots de tequilla, sim, as animações de combate que consegui experimentar estão ao nível das de um Playmobil maneta e eu perdoaria isso tudo, bem como a falta de informação e feedback das nossas redondezas, se não houvesse uma mancha negra enorme a ocultar tudo isso: o jogo não me corre mais do que 4 minutos seguidos sem crashar para o ambiente de trabalho.

Aguardei um mês, dois, à espera de algum novo update ao jogo que estabilizasse a coisa. Não saiu. Escrevo-vos isto hoje, antes de desinstalar o jogo por, pelo menos, uns meses. The Black Death tem um aspecto que mostra trabalho. Tem um conceito que tem pano para mangas. Mas assim, ao querer abocanhar o mercado do early access sem estar minimamente preparado para tal, arrisca-se a afastar toda a sua potencial base de jogadores. Assim, saio, antes que a aversão seja total, e voltarei lá mais para o fim do ano.