Há já muito tempo que tenho o que eu chamo a trilogia da testosterona. São 3 filmes da minha infância e juventude que conseguem dar mais energia masculina a quem os vê de seguida que estar no ginásio a encher ferro durante dias, é o que recomendo a qualquer gajo que se sinta em baixo e no dia a seguir eles já têm barba rija, pelos no peito e conseguem cortar uma árvore com um machado. Por ordem são Point Break, Top Gun e Roadhouse. Apesar de poder parecer que uma dose dupla do gajo que fazia o Dirty Dancing não é a coisa mais máscula que existe, permitam-me explicar porquê:

Point Break é a história de dois amigos unidos pelo poder do Surf e outros desportos radicais e é um dos melhores filmes de acção policial de todos os tempos.

Top Gun é o maior bromance da história do cinema, e é carregado de tensão, mesmo com aquelas cenas de balneário entre Tom Cruise e Val Kilmer. Além disso tem: Caças, Motas, e explosões! América #### YEAH!

Roadhouse, é o filme mais realista do mundo, aquilo é practicamente um documentário. Há documentários da BBC e David Attenborough menos realistas que Roadhouse.

O que Roadhouse pode ter um bocadinho fantasioso e encenado, mas muito pouco, tipo ali entre os 3% e 7% é a pancadaria. E é isso mesmo que é o tema da caçada de hoje. Porrada, e explosões e aviões também, não há desportos radicais mas não se pode ter tudo.

Eu já não aprecio beat’em ups como antes mas digo isto só até meter as mãos em algo como River City: Tokyo Rumble.

Este é o Roadhouse dos videojogos.

river-city

Publicado pela Natsune, é dos melhores jogos em que este jogador da velha guarda meteu as mãos nos últimos meses. Na 3DS entenda-se. Talvez esteja mesmo no Top 5 para a corrida dos Machados de Metal 2016.

No seguimento da série de videojogo Kunio-kun (uma das minhas favoritas que irá ser falada um dia no Rapaz-Ventoinha) respeita totalmente o aspecto e jogabilidade dos seus antecessores. E se alguém se perguntar porque o aspecto faz lembrar o Double Dragon original e a sua versão de Game Boy, é porque são feitos pelo mesmo Yoshihisa Kishimoto.

Só não é um brawler do mais puro que existe porque tem um pequeno componente de RPG no qual o nosso Kunio, auto-intitulado defensor da sua zona, tem os característicos level ups e pode trabalhar para comprar golpes e técnicas para ser um lutador melhor. Depois há  a parte da história que é a típica pirosice de filmes dos anos 80, um senhor do crime está a tomar conta de Tokyo e é Kunio que sozinho ou acompanhado começa a distribuir justiça por todo o lado para defender os seus amigos e vizinhos do gang que invade o bairro. Tirando isso, é só porrada, simples, pura e divertida. Espero que não tenham uma ideia errada de mim quando falo nisso, mas eu consigo tirar muito mais prazer das coisas simples, e um jogo como este no qual não temos muito que pensar é maravilhoso. Todos os gráficos e especialmente as expressões faciais dos bonecos transportam-me no tempo para a minha infância em que jogava outros da mesma série que inclui em particular Nintendo World Cup ou Crash ‘n’ the Boys.

O melhor de River City: Tokyo Rumble é mesmo a sua jogabilidade, porque quando acima falei em distribuir justiça é à base do bastão, soqueira e caixote de lixo no meio dos socos e pontapés num sistema muito funcional e muito melhor do que estava à espera inclusive a parte de lhes poder dar pontapés aos inimigos que estão no chão (porque isto são lutas de rua) até ao sistema de parry, mas nada bate (pun intended) pegar num inimigo e usá-lo como um barrote para bater nos outros.

Irreal? Talvez mas só 3% a 7% como Roadhouse, o resto é totalmente fidedigno à realidade dos jovens japoneses na minha cabeça.

Um grande extra é que tem dois mini-jogos para quem não quiser passar muito tempo na aventura principal (mas convém passar lá algum nem que seja para desbloquear personagens) que são Rumble que implica 4 lutadores num combate, e o meu favorito: Dodgeball. A premissa é a mesma mas os pontos de dano são só e apenas feitos atirando bolas uns aos outros. Quatro jovens a atirar duas bolas às caras uns dos outros… Isto soava melhor na minha cabeça…

Para nostálgicos, para casuais ou simplesmente para quem gosta de diversão River City: Tokyo Rumble é um jogo obrigatório na minha opinião. Um que não tenho largado, em particular nos caminhos casa-trabalho. No jogo não consigo contabilizar, mas pessoas que já meti no chão porque não tiro os olhos do ecrã a andar, bem…  Só velhotas vão em 7.

Ah… e também tenho tentado jogar outro beat’em up.

Noitu Love: Devolution é um port de um indie para PC lançado agora para a Nintendo 3DS. Um sidescroller de acção que consiste em impedir ataques de robots à nossa cidade. A história passa-se um século após outro jogo (que não joguei e portanto não vou opinar sobre isso) e controlamos um héroi novo lutando contra enchurradas de robots genéricos e o ocasional boss gigante e temático.

noitu

Pessoalmente não gostei de Noitu Love: Devolution, talvez porque como já disse beat’em ups já não são muito o meu estilo de jogo, mas particularmente porque detesto a maneira como ele foi adaptado. Noitu Love é controlado por analógico para os movimentos e touch screen para os ataques, que é uma coisa que detesto.

Desde a criação da DS que acho que há jogos em que touch screen funciona muito bem como factor principal, noutros é brilhante como suporte, mas alguns como este é simplesmente estupido. Num jogo que a acção é rápida e constante aquele tap tap tap torna-se infernal e cansativo. Podia ser engraçado mas não conseguiu prender-me além de uns 30 minutos e por isso não tenho muito mais a dizer sobre ele.

Mete aviões às vezes, tal e qual como no Top Gun. Mais ou menos…