2016-02-05-mariana-mortagua

O que é que Just Hero tem a ver com uma deputada portuguesa? A Sra. Deputada Mariana Mortágua, num tweet recente, a propósito da eleição do Sr. Donald Trump para Presidente dos Estados Unidos da América, informou o mundo, ou mais concretamente os seus 26400 seguidores, que pretende dar uma de Bela Adormecida e dormir até que o mandato de alguém que foi,  de facto, democraticamente eleito termine ou então que vai “emigrar, de planeta” (fico na dúvida, dado que usou uma vírgula, se “de planeta” se torna, usando a nomenclatura dos meus tempos de instrução, complemento circunstancial de lugar ou de meio). Recomendo que opte pelo primeiro, assim, junta o útil ao agradável e coliga a nova sesta à soneca que está a bater durante o mandato do Sr. Primeiro Ministro António Costa. Dormir por dormir…

Permito-me, contudo, a ousadia de propor uma terceira opção. Não será tão confortável como continuar nos braços de Morfeu, mas talvez mais viável. Pode voltar atrás no tempo ao jogar Just Hero. À laia daquilo que fazemos quando assistimos a um episódio que temos gravado na TV, vamos para o passado e saltando as publicidades ao longo do caminho.

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Este indie, desenvolvido  por Anatoliy Loginovskikh , com a chancela da Sometimes You é, com efeito, um anacronismo. Just Hero é um jogo de plataformas sem pretensiosismos em que encarnamos a personagem de um “homenzinho” verde com um chapéu de feiticeiro que vai caminhando e saltando por um mundo com estranhas semelhanças com aquele de um certo canalizador. Com uma estética 2D 8bits, com faixa sonora a condizer este título faz uma homenagem às velhas glórias sem cair no plágio sensaborão. Por falar em cair, se ao jogar, saltarem de muito alto, mesmo que aterrem em zona segura, ao contrário do que é típico neste tipo de título, perdem vidas. Quando o experimentei a primeira vez, imediatamente fui visitado por memórias de tardes de chuva agarrado aos comandos da velha consola nos anos 90, altura em que o Sr. Trump estava ocupado em construir arranha-céus, abrir bancarrotas e falir casinos.

Just Hero é divertido e desafiante, apelando à velhinha interacção entre os olhos e as mãos, não é um jogo que têm que adquirir se querem pertencer ao clube dos miúdos fixes, mas, dado o seu custo irrisório e o seu carácter casual, não deixa de ser uma boa opção entre os níveis ou batalhas de títulos um pouco mais substanciais.

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Quanto à deputada Mariana Mortágua, ocorreu-me agora que Just Hero pode ser um bom treino de interacção com homenzinhos verdes para quando ou se, com efeito, deixar o planeta.