Caçada Semanal #71

Em 1990, quando Rui Veloso publicou o seu aclamado Mingos e Samurais, a ideia de Realidade Virtual como a conhecemos hoje era pertença do campo da ficção científica, e o mercado dos videojogos estava ainda numa idade muito tenra, em plena pré-primária se antropomorfizássemos a indústria.

Com a grande democratização dos meios de produção e de consumo da Realidade Virtual, há uma série de experiências de VR que chegam na tentativa de sair fora da clássica aventura narrativa na primeira pessoa (quase sempre sci fi) que ocupa grande parte dos escaparates virtuais do “género”.

Esta semana trazemos 2 indies que primam por mudar a abordagem e trazer algo realmente diferente à equação do VR.

Seabed Prelude

A primeira experiência que grande parte do público teve com a Realidade Virtual desta geração foi com The Deep, o projecto de PSVR. E compreende-se que a viagem subaquática seja uma das nossas primeiras em VR: que situação humanamente testável consegue melhor imergir (e submergir, neste caso) alguém na ambiência da Realidade Virtual? Só o fundo do mar certamente.

A pensar neste factor, o estúdio MythicOwl decidiu embarcar-nos numa aventura submarina, no qual exploramos um mundo pós-apocalíptico diferente do normal (relembramos porém o The Aquatic Adventure of the Last Human): um mundo submerso onde a história do que se passou é-nos lentamente contada através de uma série de puzzles musicais que ajudam a construir a narrativa deste Seabed Prelude.

Num ambiente que nos leva para uma das magnum opus de Verne, ora não fosse o batiscafo onde nos locomovemos uma óbvia inspiração de um dos Mestres, Seabed Prelude consegue ajustar de forma inovadora a tendência narrativa na primeira pessoa de muitas outras experiências mais literárias em VR, com mecânicas distintas e a interligação entre uma vertente musical e um ambiente distinto.

Mostrando finalmente que necessitamos de uma grande dose de diversificação como esta em jogos VR para que o sub-mercado floresça e avance.

Sky Sanctuary

Já todos sonhámos (nem que não fossem sonhos lúcidos) em ser samurais. Desferir golpes mortais e certeiros e rechaçar um adversário em 2, com todo o clima épico que o cinema e a cultura nipónica nos habituaram.

Sky Sanctuary quer mostrar-nos (de forma ficcional) qual a experiência de o treinamento numa Academia de Samurais, utilizando o HTC Vive. Mais do que as componentes mecânicas que são praticamente aquilo que já conhecemos de jogos do género, e que bebem do desbravamento de caminho efectuado pela Wii, o que salta à vista é a ambiência transmitida.

É um verdadeiro regalo para os olhos a possibilidade de andar por este jardim japonês, onde o rosa das flores de cerejeira nos conferem a imersão suficiente para andar de tarefa em tarefa a tentar bater as pontuações de jogadores pelo mundo todo.

Treino de katana a cortar com um golpe bambu, disparar um arco e flecha ou atirar shurikens, são algumas das actividades disponíveis neste jogo em Early Access no Steam. Que não sendo inovador, tem o condão de nos transportar para o seu ambiente de forma exímia.