Caçada Semanal #74

A nostalgia é uma arma poderosa. Basta vermos a grande influência que a aura retro e a pixel art tiveram no condicionamento do crescimento do mercado indie, e quantos jogos soberbos foram feitos tendo como base as memórias mais essenciais dos videojogos.

Existindo um ciclo rotativo de tendências em quase todas as manifestações culturais humanas, não é de surpreender que esta vaga concorrente de neo-retro acabasse por revitalizar o interesse no game design do final do milénio, em que a Nintendo 64 brilhava em toda a sua glória ao lado da PlayStation, e em que a Saturn via a Sega a entoar o seu canto do cisne com a Dreamcast.

Muitos dos jogos desta era envelheceram mal, diria, muito graças às constrições técnicas que deixam o fraco trabalho de 3D (tendo em conta as possibilidades actuais) e que serve de detractor para grande parte dos jogadores.

Mas existe e é está identificado o interesse nesta área, e que culmina em Yooko-Laylee, do qual só falaremos mais tarde. Mas agora temos dois jogos do ambiente da N64 que chegam (num dos casos, regressam) ao mercado.

Turok 2: Seeds of Evil

Não foi há muito tempo que regressámos a Turok: Dinosaur Hunter, resgatado das brumas da memória para o Steam pelos NightDive Studios. Sendo quase certo que o remake desta sequela surgiria mais cedo ou mais tarde, Turok 2: Seeds of Evil está no Steam desde dia 23 de Março no qual podemos todos deliciar-nos novamente com toda a acção over-the-top que preencheu o imaginário e as criações pop dos anos 1990.

Já no original sentíamos o quanto o tempo tinha sido ingrato para Turok, em que as falhas que o jogo possuía originalmente eram aqui exponenciadas de forma óbvia, e sendo a sua sequela qualitativamente inferior, torna-se ainda mais evidente os quase vinte anos que nos separam do lançamento original, e de quanto o mercado mudou desde então.

A violência gráfica está presente em todo o seu esplendor poligonal, com o acesso a duas dezenas de armas, cada uma mais extrema que a outra, culminando na Cerebral Bore, afamada e infame simultaneamente, como só os melhores conseguem ser.

Herdeiro de um período em que os FPS com grandes elementos de platforming flectiam os músculos para o mercado, Turok 2: Seeds of Evil relembra-nos desse período e do esplendor dos multiplayers locais.

Macbat 64

Depois da reedição de um jogo de N64 como Turok 2, e que tal um jogo actual que presta todas as homenagens e mais algumas à consola, criando um jogo que poderia ter saído em 1998 mas não saiu?

Macbat 64 podia ter sido encontrado numa gaveta, com uma história curiosa de um protótipo perdido da consola de 64 bits, mas é afinal um jogo especificamente feito para o PC e terminado há dias.

Uma óbvia homenagem ao 4:3 (como os próprios autores enunciam no seu texto descritivo) e é a sequela (dos meus criadores) de um pequeno jogo chamado Kiwi 64, que assim como este Macbat 64 é um beijo na mão, respeitoso, a Bankoo-Kazooie e demais platformers 3D da Nintendo 64.

Tudo no jogo é inspirado pelas produções da Rare para a era 64 bits, e para muitos jogadores isso acabará por demovê-los de mergulhar neste jogo do estúdio Siactro. Desde os gráficos, às mecânicas e sons, tudo aqui exala Rare do final dos 1990s, e eleva a expressão de que a “imitação é a melhor forma de lisonja”.

Um jogo curto que dura menos de 1 hora a terminar, mas cujo preço também é igualmente pequenino (3,99€). Aconselhado, por razões óbvias, apenas a fãs da Rare e N64.