Cassiopeia gabava-se que a sua filha Andromeda era mais bela que as Nereidas, Poseyidon não gostou dessa basófias e exigiu que ela fosse sacrificada a Cetus um titã aquático. Perseu que era um intrometido levou a cabeça da Medusa e transformou-o em pedra, salvou a princesa e casou com ela, tiveram montes de filhos e quando ela morreu foi colocada por Athena na constelação que ainda hoje tem o seu nome, ao lado do seu marido e da sua mãe.

Andromeda também é a constelação que de um dos mais fortes e incompreendidos cavaleiros de bronze de Athena, especialmente porque de início muitos pensavam que Shun era uma ela, mas não era. E qual espinho no meu lombo, mosca no meu unguento é dos poucos que me falta na minha coleção.

Se alguém me quiser oferecer um, também me falta o Taurus, Sagitarius e Cancer.

É precisamente, ou pelo menos acho que é, Andromeda o local de acção deste RTS 4X Dawn of Andromeda.

Não sendo nenhum dos estilos muito abrangentes hoje em dia no que diz respeito à fama e consumo de videojogos pela população geral, é fácil dizer que é um daqueles jogos que vai agradar a muito pouca gente especialmente a um preço muito próximo dos €30.

Dawn of Andromeda tem vários pontos fortes, está bem desenhado apesar de cair na velha máxima da sobrepopulação/guerra/eleição de Trump como Presidente dos E.U.A., a vitória Portuguesa no festival da Canção ou qualquer outro sinal do Apocalipse inevitável que obriga os humanos a procurarem nas estrelas por aquilo que destruíram na sua origem. Obviamente há um espaço muito vasto lá fora, que alguns dizem infinito e por isso mesmo há, sem sombra de dúvidas mais civilizações lá fora que iremos um dia encontrar, especialmente na situação que o jogo nos propõe.

Um dos aspectos favoritos é daquelas coisas que menos ligo na maior parte dos jogos, especialmente nestes, a qualidade gráfica. Os cenários, o design dos personagens e espécies são muito bem feitos. O facto de em Eras diferentes o jogador começar com avanços diferentes de exploração e tecnologia é também bom.

Gosto particularmente do facto deste jogo usar Eras como ponto de partida dos jogos. Ou seja quando começamos um jogo podemos fazê-lo nos primórdios da exploração espacial, com duas espécies muito imberbes tecnologicamente. Mas também podemos começar numa das grandes guerras galácticas, ou no período de paz depois de uma delas, nos quais existem várias espécies a escolher com níveis mais ou menos avançados dependendo precisamente da dita época e envolvimento nelas.

Podemos expandir a nossa civilização como quisermos e é típico nestes jogos. As vitórias podem ser diplomáticas ou bélicas, e até podemos desenhar as nossas próprias naves (não ao pormenor mas podemos pegar em moldes e definir os seu componentes tornando-as mais à nossa medida) e definir as nossas frotas, aqui é um modelo mais leve, o meu Almirante Mitth’raw’nuruodo interno já estava contente mas voltou para as suas meditações artísticas quando viu o quão leve é a capacidade de customização aqui.

Gerir quezílias entre os membros do governo, problemas políticos e de corrupção tudo faz parte. Podemos gerir a nossa civilização ao pormenor ou fazer uma macrogestão atribuindo governadores de confiança às nossas colonias sejam elas inabitadas até à nossa chegada ou assimiladas a raças menores.

Em tudo este jogo podia ser um novo Master of Orion, mas não é porque lhe falta profundidade, em tudo o que ele faz falta-lhe aquele bocadinho que o tornaria realmente bom. Não é que seja um mau jogo, tenho-me divertido a jogá-lo mas… não é algo que mereça o preço que pedem ainda. Talvez com uns updates, uns jeitos nas civilizações para que sejam mais diferenciadas, uma jogabilidade mais atractiva.

Um jogo razoável que podia ser bem melhor.