(os novos e os velhos)

Caçada Semanal #125

Já mais que uma vez falei aqui do meu autor favorito, Neil Gaiman. Entre os vários fantásticos livros dele que adoro está American Gods (quem não quiser ler é parvo, mas pode ver também a série de 2017) que foca na luta dos deuses antigos esquecidos por quem os adorava e os novos deuses. Não quero estar a estragar o enredo mais para quem vai ler porque vale mesmo a pena, apenas estou a usar esta luta de novos e antigos porque há um certo paralelismo com os dois jogos da caçada de hoje.

Primeiro,Oh my Godheads criado pela Titutitech e publicado pela Square Enix e foi um dos jogos que esteve no Indie Dome 2016.

Regra geral eu não sou fã de jogos multiplayer, nem de arena nem coisa nenhuma, mas há algo aqui que me agrada. Nada especifico, simplesmente acho divertido.

Oh my Godheads é cheio de modos clássicos de capture the flag e outros semelhantes em que a bandeira é habitualmente uma cabeça gigante de uma divindade antiga. Aqui é onde o jogo é mais inovador e digno de relevância sobre todos os outros que andam por aí. Cada uma das cabeças tem particularidades específicas, não levamos uma simples figura, levamos uma representação de um Deus antigo, que no seu geral não eram muito simpáticos. As cabeças podem mudar a direcção do jogo a qualquer momento porque podem rebentar, parar os jogadores entre outras habilidades.

Além deste aspecto alternativo e invulgar, uma boa jogabilidade em termos técnicos e evitarem o maior erro destes multiplayers ao permitir que se jogue contra bots de inteligência artificial bastante aceitáveis. O visual cuidado, com cenários bem construídos em vários  níveis dá-lhe mais uma vantagem sobre os seu competidores.

Oh my Godheads podia ser apenas mais um de muitos, mas consegue destacar-se da matilha geral sem o mínimo problema. Recomendado pelos 14.99€ se tiverem amigos com quem jogar, ou promoções se quiserem jogar a solo, porque é sem dúvida feito para quatro pessoas num sofá!

O advento da electricidade deixou os deuses do fogo para trás e trouxe ao de cima novos deuses movidos por esta energia. Electricidade, mais especificamente Tesla Coils são o tema do surpreendentemente bom Steamburg.

Tal como no anterior, há fórmulas clássicas no mundo dos jogos, Steamburg é um jogo de enigmas. Ou melhor um jogo de puzzles. Em cada nível/cenário temos que no mínimo apanhar um certo número de orbs de energia enquanto fugimos de robots assassinos gigantes ou os atraímos para próximo de Tesla Coils que os destroem com descargas energéticas.

Além de ter um visual bem tratado com um ambiente Steampunk, óbvio pelo nome, tem uma história que dá algo mais ao jogo que o básico “resolve isto, por razões” há uma motivação para o nosso herói fazer o que faz, há uma história por trás e paralela que apesar de leve é interessante o suficiente para nos fazer procurar mais sobre ela.

Steamburg peca nos comandos reminiscentes de jogos mobile, esta é a primeira produção para PC da Telehorse. Talvez seja defeito profissional por não saberem fazer as coisas de outro modo, talvez tenha sido propositado, mas seja como for acredito que podia estar melhor. Não obstante é um bom jogo que vale a pena testar pelos 9.99€ que pedem por ele.