
Yakov Smirnoff é um cómico americano de origem Ucraniana que popularizou as piadas “In Soviet Russia”, que seguiam sempre a mesma estrutura semelhante a “In America you do something , in Soviet Russia something does you!”. Estas piadas, como tantas outras, eram utilizadas por várias pessoas para dizer algumas verdades como Gary Kasparov que uma vez disse: “Todos os países têm a sua própria máfia. Na Russia, a Máfia tem o seu próprio país.” Metro – Exodus não tem máfia, mas não está muito longe disso. Deixando as polémicas de exclusividades de lado e metemos as mãos no envolvente jogo de sobrevivência da 4A Engine.
Metro – Exodus é o mais recente da série de jogos baseado nos livros Metro 2033/4/5 de Dmitry Glukhovsky que contam a história de Artyom, um jovem que tenta sobreviver nos túneis de metro de Moscovo, com mais alguns milhares de compatriotas após um holocausto nuclear que alegadamente destruiu todo o resto da civilização. Depois dos acontecimentos de Metro 2033 e Metro – Last Light a aventura de Artyom tenta ser diferente dos seus antecessores, mas mantém-se respeitosamente ligada às suas origens.

Confesso que joguei pouco 2033 e ainda menos a Last Light, sei o suficiente do que se passa nos jogos, o estilo, as suas qualidades redentoras e defeitos limitadores, sei que viveu durante muito tempo do seu ambiente claustrofóbico e sobrevivência fugaz nos túneis escuros debaixo da capital Russa, também sei que o seu sistema de crafting, de criação e aproveitamento de recursos aliados a outros aspectos conseguiam dar aos jogadores o que era mais importante, um ambiente imersivo em que rapidamente nos perdíamos. Com a possibilidade de nunca mais voltar a ver a luz do dia. Metro – Exodus, ainda mais que os seus antecessores é um jogo de pormenores, não ao nível de um Red Dead Redemption II, mas a um nível bastante elevado. As constantes limpezas de visor devido à sujidade, as trocas de filtros da máscara de gás, a customização de armas, tal como a sua limpeza são elementos de imersão que tornam a jogabilidade mais interessante. Ao contrário de Red Dead Redemption II em que os elementos podem ser vistos como tarefas inócuas ou pelo menos irritantes (apesar de não ser mesmo obrigatório fazê-las). Estes pequenos apontamentos de Metro – Exodus são o sal que o tornam um pouco mais que qualquer outro First Person Shooter/Explorer/Survival. Por esta ordem.
Escrever sobre Metro – Exodus sem estragar a experiência de quem o vai jogar é uma tarefa complicada. Não por uma questão de estragar o enredo porque esse não é um ponto forte do jogo, nem nunca foi. Nem sequer por dizer que a acção se passa fora dos túneis em campo pseudo-aberto já que as imagens e vídeos que os produtores usaram para anunciar o jogo já o mostravam. Mas sim porque muito do jogo vive da experiência que ele dá, do ambiente que cria tão bem fora e dentro de espaços confinados. Este aspecto que é o seu ponto forte também é onde Metro – Exodus falha às vezes para mim. Ao trazer o jogo para um open-world, onde a exploração devia ser livre ele continua a levar-nos quase por carris na maior parte do tempo. Outros jogos fazem-no também e obrigam-nos a fazer certas acções em perspectivas específicas para concluir algo e activar uma cut-scene ou algo semelhante, mas quando o fazem deixam-nos chegar a esse ponto seguindo o caminho à nossa vontade. Metro – Exodus consegue a proeza de nos guiar quase milimetricamente num espaço amplo como se tivéssemos nos mesmos carris que guiam o nosso comboio pelos campos de uma Rússia devastada pela guerra.

Não o faz sempre, mas o suficiente para ser notado.
A questão de o jogo parecer estar em carris nalgumas situações não é em seu detrimento de modo algum, até porque é isso que faz de Metro – Exodus um Metro. Ao retirar o jogo do seu ecossistema fechado onde éramos atacados por animais mutantes, animais, pessoas e até pessoas-animais-mutantes (os Dark Ones) seria rejeitar parte ou tudo o que levou o protagonista e os fãs até este ponto. Podemos explorar, mas não podemos fazê-lo como noutros open-worlds, a nossa exploração é muitas vezes confinada a áreas, quase biosferas, que são tão fechadas como estamos habituados nos outros Metro. Foi conseguido um compromisso que traz o jogo para um “mundo novo” capaz de criar novos adeptos mas mantém a sua essência para que os fãs de longa data não se sintam negligenciados
Mesmo diferente Metro – Exodus é um jogo que diverte, nas suas pequenas tarefas e nas suas grandes missões. É um jogo que consegue dar mais que os seus antecessores devido ao polimento que vem da experiência deles. Não é isento de falhas mas é o melhor da sua série, é o único que ao fim de umas horas continua a puxar por mim para que leve Artyom e os seus companheiros mais longe, para que construa itens novos e melhore os que já tenho, para que explore mesmo que num espaço limitado, mas acima de tudo é o primeiro da série que me deu vontade de ler os livros que o inspiraram. Tem o pedigree dos seus pais, mas consegue superá-los em quase todos os aspectos.













