Caçada Semanal #195

Este não é um título de uma música do Conan Osíris, o artista que Portugal apenas agora descobriu e que grande parte investe muito do seu tempo para odiar. Nestas quase 200 caçadas semanais em que vos trazemos jogos que descobrimos em cada semana tentamos sempre encontrar um filão comum entre eles. Nem sempre dá. Este é um desses casos.

Três indies completamente diferentes entre eles, com qualidades e apelos distintos, mas que contribuíram com uma palavra cada um para um título decadente-poético.

Tabletop Gods

Lançado para PC, em formato clássico ou VR, Tabletop Gods promete desde já um pequeno abanão aos jogos competitivos de estratégia em tempo real. Apesar de ainda se encontrar em Early Access, aquilo que conseguimos experimentar nos modos single player (que o número de jogadores online impediu-nos de perceber como é que o verdadeiro potencial do jogo se cumprirá) é que esta é uma premissa interessante para um circunscrito mas distinto jogo de duelos em RTS.

Neste jogo somos deuses que supervisionam um campo de batalha, enviando os seus fiéis a destruírem as torres dos deuses adversários. Para levar a cabo esta tarefa (e ao mesmo tempo proteger-nos de vermos as nossas torres destruídas) podemos colocar armadilhas e torres entre “turnos”, e durante a acção ir invocando unidades para tentarem desproteger as defesas adversárias.

Com uma abordagem quase casual que nos relembra em alguns aspectos o timbre de Clash of Clans, Tabletop Gods consegue ser uma boa experiência estratégica com as actuais limitações de unidades e defesas que dispõe. Porém, há aqui muito potencial competitivo por explorar, mas que dificilmente justificará os 16,79€ que o estúdio Ghost Fish Games pede por ele no Steam.

Pumped BMX Pro

Não sei o que se passa comigo, mas o destino ou os deuses das probabilidades têm-me trazido para as mãos alguns jogos bidimensionais de desportos alternativos (reais ou fictícios) que nos obriguem a fazer uma série de truques pelos níveis. Foi o FutureGrind há algumas semanas e o When Ski Lifts Go Wrong uns dias depois. Mas Fevereiro não podia terminar sem eu ser surpreendido com mais um jogo deste tipo. Desta feita largámos os esquis e as motas futuristas para saltarmos para o selim de uma BMX.

Pumped BMX Pro é a mais recente iteração de uma série de jogos mobile (e não só) cuja existência eu desconhecia até aos rastos destas bicicleta me marcarem a mesa de computador. Apesar de o achar divertido e desafiante, e talvez um sintoma de ter jogado jogos com a mesma abordagem recentemente, mas pouco existiu neste jogo de diferente para tantos, em especial para jogos que recentemente conseguiram pegar em ideias semelhantes e fazer algo de cativante, como foi o caso de OlliOlli.

Mas Pumped BMX Pro é um bom jogo do género, com todos os lugares-comuns de truques e quedas e pontuações a serem batidas. Se o comprarem já sabem ao que vão.

Miasma Caves

Roguelike. Ainda cá estão? Óptimo. É que Miasma Caves é um roguelike diferente, apostando numa vertente pacifista onde não temos de combater ninguém para pormos as nossas mãos digitais no afamado e desejado tesouro.

Ainda em Early Access desde 23 de Janeiro deste ano, Miasma Caves substitui os elementos processualmente gerados de outros congéneres que envolvem o posicionamento de inimigos em determinados ambientes, pela construção de caves e de sistemas labirínticos com perigos próprios e que ameaçam o nosso sucesso.

Neste momento de edição alpha ainda há muito de ambiente prototipado e pouco de desenvolvimento, mas a ideia de Miasma Caves de focar toda a aleatoriedade na parte exploratório e na sobrevivência dos perigos das caves e da nossa própria vida que vai sendo drenada à medida que o tempo passa.

Com pouco conteúdo disponível e com 16,79€ de preço (serão os 16,79€ os novos 19,99?), aconselho a colocarem Miasma Caves na watchlist e irem verificando se no futuro há mais suco neste jogo.

(foto de capa propriedade do Observador)