Já repararam que apesar de estarmos 30 anos depois dos 1980s (e 60 anos antes dos próximos 80), eles parecem estar tão presentes na corrente década como quando existiram na realidade? É a inspiração estética, visual e musical, são os elementos característicos de game design e uma série de revivalismos que fazem dos 2010s os novos 1980s.

OCTAHEDRON é uma das mais recentes febres oitentitas em lançamentos de indie games, um platformer com uma direcção artística tão 1980s que por segundos quase que conseguimos sentir os olhos a queimaram com o brilho das luzes néon.

Este jogo de plataformas lançado há cerca de um pelo projecto Square Enix Collective e desenvolvido pela Demimonde é mais cerebral que reactivo, mais puzzle que teste de destreza.

Aqui a banda-sonora pode parecer apenas um acompanhamento musical para dar corpo ao jogo, mas funciona bem mais como marcação literal do ritmo do próprio jogo. Os muitos obstáculos deste platformer vertical estão interligados às BPMs de cada faixa/nível, também elas compostas por alguns dos veteranos da música synthwave como os compositores conhecidos Monomirror e Chipzel.

A “novidade” mecânica de resolução de cada nível deste OCTAHEDRON reside na nossa capacidade de criarmos plataformas temporárias sob os pés do protagonista e a capacidade de movê-las horizontalmente enquanto elas tiverem existência física. Cada nível tem não só o seu número limite de plataformas que podemos criar enquanto estamos no ar, como as características que elas próprias têm, sendo que lá para frente desbloqueamos algumas que atacam os inimigos que deambulam pelos níveis.

Quando o protagonista assenta os pés em solo fixo o contador de plataformas faz reset e isso permite-nos voltar a “atacar” a escalada que temos pela frente, com muitos elementos coleccionáveis para apanhar em cada nível. São, aliás, todos esses elementos que conferem uma grande longevidade, desafio e rejogabilidade a OCTAHEDRON, que nos coloca não só a bater o pé e a agitar o corpo ao som da sua música, como nos toca directamente na necessidade de completar a 100% cada nível.

Se os primeiros níveis têm uma dificuldade aceitável para conseguir apanhar todos os elementos dispersos pelo nível, à medida que o jogo progride só a “mera” tarefa de chegar ao topo da escalada é um pesadelo suficiente, e um que mal deixa margem para nos preocuparmos com todos os coleccionáveis posicionados em locais de difícil alcance e que parecem acenar-nos um adeus ao verem-nos sofrer para sequer completar cada pedaço de sadismo crescente de level design.

OCTAHEDRON foi recentemente lançado para Switch, uma consola onde parece viver no seu habitat natural. Mas para todos os fãs do género, OCTAHEDRON e o seu protagonista que pouco mais é do que uma silhueta animado com um octaedro no lugar da cabeça traz o desafio perfeito para apaziguar a sede de bons puzzle platformers. Com uma banda-sonora brilhante, e com um preço muito convidativo no Steam onde costuma estar a 50% de desconto, OCTAHEDRON é uma excelente companhia nas noites em que as saudades do néon apertam.