Caçada Semanal #200

Duzentas caçadas semanais depois, aqui estamos. São pelo menos 600 jogo indie falados aqui em 200 caçadas, ao longo de 4 anos, desde a primeira, a 27 de Maio de 2015, e que tinha o João Loureiro como capa.

Caçada semanal #1 – Mundo de Aventuras

Se o número pode parecer surpreendente, e é, acreditem que há muitos outros jogos que jogámos, contactámos, comprámos e/ou recebemos que nem chegaram a figurar em nenhuma caçada semanal, nesta tentativa raramente inglória de conduzir para o nosso público uma curadoria do que melhor temos jogado, no meio de tanta tralha que nos chega.

Comemorar duzentas caçadas é obra, e vamos fazer uma edição especial com 5 jogos, a grande maioria deles bons jogos que jogámos nas últimas semanas.

Parabéns às caçadas. E que no final deste ano possamos comemorar a tricentésima caçada. Ou mais.

Super Phantom Cat

Com tantos platformers medíocres a “agraciarem-nos” a sua presença no Steam, é sempre com furor que encontramos um jogo do género sólido e que não seja pouco mais que um trabalho de prototipagem de alguém que está a dar os primeiros passos em game dev.

Super Phantom Cat não é nada disso. É um jogo de plataformas colorido, com níveis e mecânicas diversificados. Lançado originalmente para o mercado mobile, chegou recentemente em Early Access ao Steam, por 3,99€.

O que o diferencia de outros jogos ao longo dos seus 35 níveis é que em cada “mundo” (ou conjunto de níveis) é-nos dado um novo poder que temos de usar para ultrapassar e explorar. É com isto e com alguma sagacidade que o desafio de fundo de Super Phantom Cat surge: conseguir encontrar em qualquer direcção todos os segredos espalhados pelos níveis.

Super Phantom Cat é uma delícia visual que merece a nossa aposta.

Arcade Spirits

Longe vão os tempos onde as visual novels estavam reduzidas ao espaço criativo e de consumo do Japão. Cada vez mais há criadores e consumidores ocidentais que não só contactaram com o género e encararam-no como uma excelente forma de contar uma história.

Este foi o caso do argumentista norte-americano Stefan Gagne e da sua equipa da Fiction Factory Games que lançaram recentemente Arcade Spirits, uma comédia romântica em formato visual novel.

Não querendo (nem podendo) ir demasiado a fundo no enredo para não o estragar, Arcade Spirits é uma visual novel passado algures neste início de milénio num mundo onde o crash dos videojogos de 1983 nunca aconteceu e onde as salas de arcadas são uma constante das nossas vidas.

Pelo meio há um enredo brilhante, bem-escrito, com uma arte que rapidamente me lembrou o Monster Prom (o que é um elogio) e um elenco bem-conseguido e memorável. Arcade Spirits é uma das melhores visual novels que já joguei.

Super Crome: Bullet Purgatory

Não existe tal coisa como “demasiados shoot’em ups” depois de tantos anos em que não tínhamos forma de aplacar a nossa sede por jogos do género. Super Crome: Bullet Purgatory é um jogo retro com um visual a lembrar um espaço médio entre os jogos da Atari e a passagem para a geração dos 8 bits, com mecânicas e explicações simples.

Aliás, Super Crome: Bullet Purgatory é um tremendo déja vu e mal precisa de ser explicado. Não fosse a sua habilidade particular de nos permitir usar um dash que atravessa saraivadas de balas, e qualquer pessoa pode facilmente mergulhar neste jogo em Early Access, à venda por 1,79€.

A progressão em Super Crome: Bullet Purgatory segue todos os capítulos do livro: sobreviver às chuvas cruéis de projécteis pelo ecrã, tentar fazer a pontuação mais alta de todas, derrotar um boss após destruirmos um sem número de naves que o precedem, e repetir todo o processo até que o jogo leve a melhor e nos faça perder.

Pelo preço e pela afinação do seu desenvolvimento, é difícil não sugerir um mergulho na depuração mecânica e visual de Super Crome: Bullet Purgatory.

Treasure Stack

Treasure Stack sofre de um problema sério no meio desta lista: é provavelmente aquele que conceptualmente mais me interessou quando o contactei, e acaba por ser aquele que pela sua execução mais dificilmente me sinto impelido em sugerir.

Para percebermos Treasure Stack temos que ir ao canto da memória da nossa vida em puzzle games e lembrarmo-nos de Wario Woods, um puzzle game diferente da SNES que nos obrigava não só a empilhar elementos da mesma cor mas a escalá-los e erguê-los com um personagem que controlávamos ali no meio.

Este jogo lançado no meu dia de anos pelo estúdio PIXELAKES LLC tem exactamente essa premissa, com a diferença que o nosso personagem tem uma corrente que consegue puxar as pilhas para si, e também com a diversidade de “quadrados” existentes nestas pilhas. Temos cofres coloridos e as chaves da mesma cor que os abrem (apagando-os do monte), bombas, e outros quadrados demoníacos que nos vão complicando a tarefa de sobreviver mais tempo que os nossos adversários.

O problema é que as limitações do que podemos fazer com o nosso personagem e a sua corrente tornam toda a jogabilidade insípida e mais complicada de controlar e dominar do que um jogo do género mereceria.  

Tech Support: Error Unknown

Já trabalhei em call center, mas nunca trabalhei no suporte técnico via chat de nenhuma empresa, ainda que muitas pessoas que conheço o façam e atestem que a simulação de Tech Support: Error Unknown tem muitos elementos de veracidade.

Tech Support: Error Unknown é isso mesmo: uma simulação em que vivemos o papel de alguém que trabalha numa empresa de suporte de um ISP e que tem objectivos e padrões de qualidade na resposta, estando sempre actualizado não só pelas regras da empresas como nas suas mudanças de políticas.

Pelo meio existem storylines de problemas pessoais que vamos recebendo na nossa caixa de correio, para além de uma grande conspiração do qual podemos fazer parte. O que senti, depois de ter ficado submergido no loop de trabalhar virtualmente dia-para-dia na simulação do suporte técnico de um ISP, é que podemos facilmente ignorar aquilo que dá sabor a este jogo: as linhas narrativas paralelas, e praticamente não temos consequência disso. E se o fizermos, por outro lado, não temos forma de voltar a contactá-los, tornando estas linhas narrativos uns fios de tecido que desaparecem no éter se não forem agarrados a tempo.

O interesse reduzido em ir resolvendo e dando suporte aos clientes no loop relativamente repetitivo de Tech Support: Error Unknown é aquilo que o separar de outros jogos melhor executados, como HEADLINER.