(ou vice-versa)

Há pessoas que vão jogar às cartas para o café. Há outras que levam a sua Switch e usam a esplanada como centro de jogo. Há algumas outras que para além da Switch levam também o novo VR do Labo. Eu, por exemplo, poderia ir ver Netflix em VR para a esplanada se quisesse. Só não vou porque apesar de cultivar uma excelente imagem de “tipo esquisito” para as pessoas à minha volta, acho que meter-me na Realidade Virtual em público, aliada à minha paranóia de precisar de saber sempre o que está a acontecer à minha volta mo impedem. Portanto à parte de uma ligeira vergonha e de algum medo pela minha segurança, só não vou ver filmes em VR para o café porque não quero. Porque o Smartphone VR Box 360 da SBS permitir-mo-ia.

A gestão das nossas expectativas em relação à RV precisam de ser amplamente consideradas, especialmente para quem já experimentou um Vive, Rift ou PSVR e agora quer “migrar” para os dispositivos Android. O Smartphone VR Box 360 da SBS não é o primeiro dispositivo a usar a tecnologia e o suporte do Google Cardboard que experimentámos, mas queríamos perceber dentro do seu intervalo de valores se compensaria versus tantos outros concorrentes no mercado.

Para quem nunca segurou num dispositivo VR para Android não se espante com a leveza do mesmo. Se desconfiam que um qualquer destes óculos não tem “nada” lá dentro é porque não tem, ao contrário dos dispositivos de PC e consolas. Os óculos de VR móveis são estruturas cuja maior preocupação é trazer ergonomia para um sistema óptico de duas lentes cujo objectivo é criar uma imagem tridimensional, daí o Google Carboard ser literalmente um cartão com duas lentes.

– É um café se faz favor!

– わからない

– Se calhar andei longe demais com os óculos postos na cara…

No caso do Smartphone VR Box 360 obviamente que a estrutura é mais robusta, e pensada não só para o conforto do utilizador mas também para o acondicionamento do nosso telemóvel, esse sim, responsável por todo o processamento de imagem.

Com a tampa frontal que se abre como uma janela de bandeira, ao contrário de muitos outros concorrentes que fazem deslizar a parte da frente para acomodar o nosso telemóvel, acabei por gostar do quão simples é a “instalação” do telemóvel, que fica depois preso à estrutura através de duas cintas com velcro.

Contrariando outros dispositivos que experimentámos anteriormente, a definição ergonómica do Smartphone VR Box 360 e a sua leveza permitem que sessões de jogo prolongados com jogos que exijam a movimentação do nosso pescoço em todas as direcções seja menos cansativo para a nossa musculatura, deixando que grande parte do peso de todo o sistema reside precisamente no nosso telemóvel.

A configuração das lentes à fisionomia facial de cada utilizador é feita através de três rodas distintas: duas que controlam a proximidade focal independente de cada uma das lentes, e uma terceira, superior, que controla o intervalo focal entre o olho esquerdo e direito para permitir a verdadeira estereoscopia dos óculos.

Visto que este dispositivo se encontra numa gama de preço baixa, seria de esperar que à semelhança com outros óculos VR budget que o sacrifício do seu preço ocorresse em termos de robustez, mas com os seus 24,99€ acabamos de perceber que não é assim de todo, e que há um surpreendente equilíbrio entre solidez e leveza.

As lentes, para a gama dos óculos são aceitáveis, e não devem ser comparados com as que são aplicadas em dispositivos como os Carl Zeiss ou Samusung Gear.

Depois de o utilizar para jogos de VR e para ver filmes, parece-me que a grande mais valia deste Smartphone VR Box 360 em relação aos seus antecessores da marca SBS e até de outros concorrentes é a facilidade de utilização com a sua placa frontal que se abre como uma pequena tampa, e que em poucos segundos nos permite colocar ou retirar o nosso telemóvel. Um problema que outros óculos têm por se fiarem num sistema de gaveta que desliza para dentro dos óculos é que muitas vezes senti que a probabilidade de termos pequenos riscos de superfície no telemóvel eram mais prováveis nesse acto de deslizar do que aqui em que abrimos a tampa, encaixamos o telemóvel, seguramo-lo com as cintas de velcro, fechamos a tampa e está pronto a usar.

Pouco mais caro que o Google Cardboard e mais resistente a médio prazo que os óculos DYI da Google, o Smartphone VR Box 360 acaba por ser uma boa oportunidade budget para quem quer usufruir do seu telemóvel enquanto plataforma de VR, e irem para a esplanada, se vos convier, como quem anda no espaço a destruir naves apenas com o olhar.