A Hora do Meh 28 

As Europeias decorreram anteontem com uma expressiva demonstração do nosso desinteresse nacional sobre aquilo que realmente importa. Dêem-nos futebol que todos nós levantamos o rabiosque do sofá para ir onde quer que seja. Como sportinguista, e alegre “detentor” da Taça de Portugal 2018/2019, acredito que se as comemorações do troféu fossem numa repartição de Finanças, a instituição iria estar mais cheia do que alguma vez esteve (mesmo em período de entrega do IRS em papel). Agora votar? Para quê? “Não muda nada” dizem. E esquecem-se que o somatório de toda a gente que acredita nisso (ou que é preguiçosa para votar) é suficiente para literalmente mudar o sentido de umas eleições. Mas isto são diatribes minhas.

A primeira A Hora do Meh do ano vem acompanhada de um sósia dos grandes derrotados da noite eleitoral, e um dos eurodeputados pior cotados de entre os representantes portugueses no Parlamento Europeu: Nuno Mehlo.

Desert Kill

Eu pensava que os jogos feitos com personagens cúbicos ao estilo de Minecraft já estavam em extinção, depois da enchente que chegou inclusivamente a povoar o catálogo da Wii U. Mas não. Com muita surpresa minha, e de forma inesperada, chega Desert Kill, um roguelite top down shooter em que os personagens parecem ter fugido de Minecraft com medo de ficarem fora de moda.

Com uma sequência engraçada de customização e com uma relativa diversidade de missões, o único problema que sinto em Desert Kill, apesar de estar bem executado, é que pouco ou nada adiciona a um género que já conta nas suas fileiras com jogos melhores e a melhor preço, e que não nos obrigue a controlar personagens cúbicos.

Mehlo convida um dos personagens de Desert Kill para ir jantar ali ao Largo da Caldas, tentando-o obrigar a ter um corte de cabelo à Playmobil apesar da construção cúbica das figuras tornar esse penteado impossível. O barbeiro corta e volta a cortar o cabelo poligonal, sem sucesso, levando o pobre soldado cúbico a morrer de hemorragia capilar.

Goblin Squad – Total Division

Goblin Squad – Total Division poderia facilmente ficar esquecido num canto sem ninguém perceber que ele existia. Projecta-se no campo dos tactical RPGs, mas algo no quão insípido e superficial é o seu desafio e a falta de profundidade das suas mecânicas que facilmente o apelidamos de “jogo feito para mobile”.

Mas sabem o que é pior? É que mesmo no mercado mobile há muitos jogos do género interessantes, que conseguem criar abordagens diferentes aos tactical RPGs, coisa que não é o caso de Goblin Squad – Total Division. Mesmo a sua arte tradicional, que de início parecia ser um bom selling point, acaba por ter um ar excessivamente mal traduzido para os modelos tridimensionais.

Mehlo pega em Goblin Squad – Total Division, benze-se por confundir os goblins por demónios. Invoca São Paulo das Feiras, que numa luz divina queima Goblin Squad – Total Division até à destruição.

Helheim

O súbito interesse dos mercados culturais no folklore nórdico tem criado algumas boas ideias. Helheim, infelizmente, não é uma delas.

Neste jogo controlamos Hela, a deusa dos infernos nórdicos, que tenta desesperadamente reaver o seu reino de uma série de invasores que têm a mania aborrecida de se porem a disparar armas como se vivessem num bullet hell.

À sua disposição Hela tem a possibilidade de ricochetear esses projécteis com uma série de animações tão rígidas que facilmente acreditaríamos que fomos à missa de domingo com amigos da Juventude Popular.

Helheim é tão genérico, na sua direcção artística, música e rigidez de todos os elementos que mais parece o resultado de um tutorial de como criar jogos do género, e rapidamente nos lembra que o Furi normalmente está a um bom preço com desconto.

Na tentativa de expiar os pecados de Hela, Mehlo compra-lhe uns sapatos de vela dois números abaixo e obriga-a a ir dar beijinhos aos pobrezinhos em honra de São Paulo das Feiras. Sem protecções naturais para a betice, Helheim e a sua protagonista acabam por perecer perante uma doença que não existia no apogeu do domínio viking.