Apesar de alguns de nós termos passado algumas largas dezenas de horas na companhia de Arthur Morgan e dos seus companheiros, incluindo John Marston, ficou um travo amargo na nossa boca, como se aquela vasta biosfera virtual inserida em Red Dead Redemption 2 tivesse mais para explorar mas não pudéssemos fazê-lo. Fossem as 60 a 70 horas necessárias para desenrolar a história toda, ou passando as duas centenas para poder ver, caçar, apanhar e explorar tudo o que havia para oferecer na sua campanha individual, a verdade é que muitos jogadores queriam mais da obra da Rockstar, tal como costuma acontecer normalmente.

As versões beta de Red Dead Redemption 2 já estão disponíveis há algum tempo, mas só há umas semanas é que a versão “final” está acessível a todos os jogadores. Enquanto alguns pudessem estar desanimados com a obra no seu início, não há razão para fugir ao desafio duelo agora.

Assim como aconteceu com GTA5, não temos já à mão todos os modos de jogo e todas as opções que a Rockstar anunciou ou tem planeadas, serão coisas que irão sendo acrescentadas ao jogo tal como têm sido desde o lançamento da versão beta e em especial no massivo update que passou tudo para “live” com umas alterações muito bem vindas. Na versão beta, o oeste era selvagem tal como se imagina, homens e mulheres sem lei que matavam para seu bel-prazer sem medo de consequências porque maioritariamente não as tinham, tal como os primeiros tempos de Sea of Thieves, era um universo criado ao pormenor, esteticamente deslumbrante (em estilos artísticos diferentes) mas em que as opções eram matar, ou ser morto. A maior parte das vezes, especialmente para novos jogadores, era: ser morto. Perdi a conta das vezes que entrava numa cidade para ser baleado na cabeça enquanto ainda nem tinha dado dois passos de onde tinha deixado o meu fiel corcel. De tal maneira que deixei de jogar até recentemente.

Uma das melhores alterações no jogo foi, sem dúvida, a integração de modos de jogo o Ofensivo e o Defensivo, enquanto no modo ofensivo nos encontramos numa terra sem lei, num oeste longínquo mítico em que podemos ser atacados por qualquer outro jogador a qualquer momento, mas também o podemos fazer, no modo defensivo temos algumas benesses que nos dão uma protecção adicional. Virtual e real. Um jogador em modo defensivo tem um escudo em sua volta que impede que seja morto sem dó nem piedade, desde que não contra-ataque. Num ponto de vista simples, o modo defensivo é para quem quer explorar o ambiente e interagir com outros jogadores, usufruindo do multiplayer sem ser agressivo para com os outros neste vasto mundo online, enquanto o modo ofensivo permite que seja tudo sem regras. Uma espécie de andar num trapézio sem rede oposto a um passeio no jardim zoológico em que os animais estão à solta. Apesar de não parecer importante, esta distinção entre modos é crucial já que vai afectar a honra do personagem que, para os jogadores mais inexperientes, gere todo o universo em nosso redor. Quanto mais actos “bons” fizermos, melhor será a reacção à nossa volta, já as “más” acções que fizermos tornar-nos-ão mais visíveis no mapa, com um ponto vermelho mais proeminente que alertará todos na nossa presença. No fundo, colheremos os ventos que semeamos.

No mundo principal há várias opções para nos entreter, desde algumas missões em modo co-op “Land of Opportunities” onde ajudamos uma viúva a vingar-se da morte do marido (óptimo para quem quiser molhar os pés no modo online) não esquecendo todas as outras em Free Roam, que podem ir de uma prova de caça com arco a lutas por controlo de uma zona. Os modos de combate directo, incluindo um battle royale serão perfeitos para jogadores que apenas querem uma opção mais rápida e agressiva, tal como as de corrida serão mais aptas para os adeptos da cavalaria. Até a opção de sentar num saloon e jogar umas mãos de Texas Hold’em será adequada para certo número de jogadores. Mais para a frente estarão disponíveis especializações como Bounty Hunter, Trader ou Collector e talvez mais no futuro a médio prazo.

Tal como seria de esperar, a capacidade de customização do personagem é bastante extensa, para quem quiser organizar um gangue, podem combinar uma peça em comum para serem mais facilmente reconhecidos. Pode ser qualquer coisa desde chapéus ou casacos iguais, ou toda a gente com uma faixa da mesma cor.

Mas customização vem a um preço, e se puder criticar algo neste mundo online é esse: a dificuldade, ou melhor, o desafio que é ganhar dinheiro virtual no jogo. Especialmente quando olhamos para o modo single player. Um exemplo: matando NPCs em qualquer missão rendia alguns dólares, fosse em dinheiro já que cada um tinha no mínimo um a dois nos bolsos ou da venda de itens que carregavam, aliando isto aos valores razoáveis de itens nas lojas a vertente comercial do jogo era bastante equilibrada. Contudo, mesmo matando vários “inimigos” na versão online rende muito pouco, e os preços de roupa, armas, e bens de primeira necessidade são inflacionados a um nível quase exponencial, muito devido ao objectivo de rentabilização do ambiente online. Este aspecto acrescenta alguma dificuldade ao jogo mas não é por isso que ele deve ser evitado.

Red Dead Redemption 2, tal como o primeiro, não vive de combate, nem sequer vive da agressão do mítico oeste, vive de histórias. Enquanto que os dois jogos no seu modo single player fazem com que vivamos as de Arthur Morgan e John Marston, a versão online permite que vivamos a nossa história, à nossa medida. Permite-nos contar a história que queremos contar, viver o que quisermos viver, do companheirismo com o nosso cavalo, à defesa do nosso acampamento, de ser um eremita solitário a membro ou líder de um gangue, ou até um pistoleiro de renome, a opção é nossa. Encaro este jogo como uma enorme plataforma de um RPG muito especifico onde os limites são apenas os que quisermos, e os da física. O jogo dá o mundo para explorar, depois disso vamos onde quisermos e 70 horas são apenas o início…