Do final do último milénio ao início deste os publicitários a serviço da Nike criaram algumas das melhores publicidades de futebol da história, começando nesta, não esquecendo esta, ou esta nem esta. Todas elas muito boas, mas para mim, o culminar de todos os anúncios foi o “Secret Tournament”, também conhecido como Nike Football Scorpion Knockout (Scorpion Knockout) de 2002 realizado pelo grande Terry Gilliam dos Monty Phyton (o video tem as duas publicidades Torneio e Desforra):

Além do anúncio alguém foi incubido pela criação de um jogo de computador que reproduzisse o torneio. Isso foi feito, mas mal e porcamente. De tal maneira que não me lembro do nome oficial dele mas vou só chamar Scorpion Knockout, porque mesmo com as suas falhas e as minhas de memória ele é o fio condutor deste Ia-me Esquecendo tão especial para mim.*

O jogo era estranho e jogava-se mal, era uma espécie de mod a um FIFA Street antes deste sequer existir, já que o primeiro é de 2005. Eu tive este jogo do qual há pouquíssimas provas da sua existência online quando me foi dado numa versão de legalidade duvidosa por um amigo que era o meu fornecedor de jogos na altura. Não sei se este jogo era comprado em CD, ou se era possível fazer download na página da Nike onde se podia descarregar todos os jogos do torneio na integra e em quicktime. Só sei que desde então nunca mais o consegui encontrar para comprar legalmente apesar de já o ter tentado fazer várias vezes puramente por nostalgia. É devido a isso que, com alguma vergonha, admito que o jogo que mais joguei na minha Nintendo 3DS é o FIFA 11, pela simples razão que podíamos fazer jogos Street manipulando as regras para serem semelhantes às do Scorpion Knockout. Infelizmente já não tinha alguns dos jogadores que protagonizaram esse torneio como Roberto Carlos ou Ronaldo (o original) mas podia fazer aquilo que sempre gostei do torneio, a brincadeira absurda ao mais alto nível acrobático no futebol.

Escolhíamos uma das equipas pré-definidas (a minha de eleição era os Triple Expresso pelo meu gosto por Nakata e Totti) e participávamos em torneios de jaula onde o primeiro golo na pequena baliza determinava o vencedor e não há muito mais para falar sobre ele… Em teoria o jogo tinha tudo para ser um óptimo jogo de futebol alternativo para a altura, mas na prática não era, porque tal como diz a expressão “Em teoria não há diferença entre teoria e prática, mas na prática há!”. Os comandos eram “pesados”, e não dava para fazer nem metade das fintas e jogadas fantásticas que o anúncio mostrava e dava asas à imaginação. Anos mais tarde os avanços da tecnologia mostraram em FIFA Street que seria possível ter isso, mas não em 2002. Como jogo de futebol alternativo era o que era, dava para fazer jogos amigáveis e torneios. Não era algo que fosse necessário grandes níveis de concentração, era algo mais para jogos hardcore do que para torneios de esports. Apesar de terem feito torneios reais por todo o mundo, mesmo em jaulas.

Scorpion Knockout era um jogo estranho mas um que gostaria de ver refeito nos dias de hoje, com equipas actualizadas e com um modo “Clássico” com os 24 membros originais. Parece que de acordo com os anúncios da EA na E3 o futebol de rua vai estar de volta em FIFA 20 através do modo “Volta Futebol”. FIFA 20 vai ter futsal também mas isso será de pouca relevância para mim porque o facto de ter Street quer dizer que eu posso manipular o jogo para aplicar Scorpion Knockout Rules, mas também quer dizer que serei obrigado a comprar o FIFA 20 para a Switch se, e só mesmo se, tiver a possibilidade de jogos Street e quando estiver em mega saldos e custar menos de €20. Porque na minha imaginação o torneio da Scorpion continua a ser o melhor evento fictício do desporto rei e merece ser reproduzido em futebol digital sempre que possível.

* Hoje dia 17 de Junho faz precisamente 4 anos da publicação do meu primeiro artigo no Rubber Chicken, e este é o meu artigo 500, uma marca que me coloca nos anais da história do nosso galinheiro, qual jogador que marca o golo 100 pelo seu clube. Além deste artigo ser o 500 em 4 anos, revelo aqui uma redução considerável, quase a 100%, na minha participação activa no Rubber Chicken Games, uma espécie de sabática por razões educativas, a juntar às profissionais, de saúde e paternidade do dia-a-dia que apenas tem 24h. Além dessas razões combinadas, preciso limpar a minha cabeça de análises de jogos porque perdi o gosto de jogar “por gosto”, os últimos 10 jogos que comprei foi porque os queria analisar e não porque os queria jogar por prazer, de igual modo, alguns dos que mais gostei de jogar no último ano e meio não tive realmente gosto em fazê-lo fazia-o sempre com olhar clínico e muitas vezes cínico. Acho isso perigoso porque jogar tornou-se uma tarefa e não algo que faça com a paixão que tinha antes. Vou tentar voltar a apaixonar-me por jogos especialmente porque me vou poder dedicar sem preocupações a alguns que tenho de lado à mais tempo que devia como por exemplo The Witcher 3 e Steamworld Quest que finalmente vou comprar para jogar, não para escrever sobre eles mas por prazer. Isto não é um adeus, vou continuar por cá mas mais nos bastidores e muito esporadicamente em artigos de jogos muito específicos e talvez num Rubber Talk ou qualquer coisa assim.