Se Freedom Finger fosse português ao invés de andarmos com um flipped finger no espaço andávamos a fazer um manguito do Bordalo pelo espaço. O Zé Povinho seria o primeiro astronauta português, e o primeiro a mandar à fava todas as outras civilizações que se cruzassem connosco. Talvez este seja o sonho do Quinto Império.

“Shoot ‘em Up, Punch ‘em Up, F&#$ ‘em Up!” Se esta não é a melhor descrição de um jogo alguma vez feita, então não sei qual é. 

Freedom Finger captou a atenção de todos durante a apresentação do PC Gaming Show da última E3. Felizmente que já nessa altura contávamos com este caricato schmup nos nossos computadores. Já tínhamos algumas horas da surrealidade que é este original schmup do estúdio Wide Right Productions, um título que para além dos 36 níveis totalmente desenhados à mão, ainda conta com a voz de Nolan North, John DiMaggio, Eric Bauza e Sam Riegel.

Se não perceberam já que à semelhança do nosso Zé Povinho, este Freedom Finger é uma sátira, então vejam-no agora. Começando nos clichés todos dos generais norte-americanos que nos apresentam as missões, até à banda-sonora cheia de hard rock e heavy metal que tresanda a testosterona americana por todos os poros. Faltam apenas as águias a voarem pelo espaço com máscaras de oxigénio e uma ou duas pick ups com bandeiras da Confederação para que o ramalhete fique composto. É a melhor metáfora para aquilo que grande parte da América faz diariamente: mandar-nos a todos foder*.

Já joguei dezenas (centenas?) de shoot’em ups, mas acho que nunca joguei a nenhum que seja realmente tão diferente quanto Freedom Finger. O facto da nossa nave ser um mão não é apenas parte do humor e da sátira do jogo, mas há várias mecânicas que foram implementadas e que não são apenas deliciosas, como são únicas no género.

Esmurrar naves e obstáculos a nosso bel-prazer (se não tiverem picos, é claro) é um dado adquirido, mas são os elementos seguintes que fazem do desafio de Freedom Finger uma verdadeira delícia. Podemos pegar nos destroços espaciais ou em naves e arremessá-las de volta, destruindo inimigos pelo caminho. Ou agarrar uma nave/estrutura inimiga que esteja a disparar contra nós, e usá-la como arma, tornando-se um power up disfarçado mas altamente eficaz. 

A abertura que temos para passar cada nível dentro do leque vasto de ataques e acções possíveis é algo incomum nos jogos do género, e que contribuem apenas para fazer deste jogo uma pérola única e desconhecido do que de bom o mercado indie tem para oferecer.

Mas no topo de tudo isto está um jogo totalmente desenhado e animado à mão, com unidades e estruturas com doses cavalares de surrealismo que lhe conferem definitivamente uma aura única, e que justifica todas as atenções que os parcos segundos de reveal nesta E3 tiveram.

Ainda sem data de lançamento, Freedom Finger é um schmup obrigatório, com uma magistral dose de humor e com muitas boas ideias mecânicas a assentarem que nem uma luva ao conceito subjacente ao jogo.

* perdoem-me a verborreia