Há uns anos quase que previa a “shit-storm” causada pela evolução da indústria que apanhou o público mainstream.

Há uns bons anos nós os “nerds” dos computadores estávamos a preocupar-nos com “trivialidades” de apanhar um vírus ou em abrirmos um e-mail que nos prometia uma fortuna qualquer herdada por um rei nigeriano sem filhos para herdar!

(Ou a levar nas orelhas por ter gasto um ou dois ordenados só na factura do telefone à conta de sacar meia dúzia de fotos pornográficas!)

Estamos em 2019 muita coisa mudou, mas muita outra coisa não mudou nada. Se em 1997 haviam mais info-excluídos, hoje há mais e continuamos a ter muitos iliterados nas novas tecnologias que hoje já não deviam ser assim consideradas tão novas.

E também há os chicos espertos, é o que acontece quando o estado tenta dar telefones a incendiários!

Mas a situação piorou, mas piorou duma forma que atinge o grau de calamidade!

Hoje até a minha Mãe que não sabe usar um computador tem um tablet para ir ao Instagram meter umas fotos bonitas dos passeios que ela faz. É bom para ela e terapêutico, mas não deixa de ser um stress para mim estar constantemente de volta dela sempre que tem alguma dúvida, nomeadamente quando abre os e-mails e tem lá mensagens duvidosas. Ainda assim tem mais bom senso que muitos outros adultos de meia idade como ela não possuem.

Congressistas apanhados a jogar no telemóvel durante o discurso do Trump!

Os exemplos mais comuns é estas Senhoras e Senhores andarem pelo Facebook a partilhar correntes a torto e a direito, a abrir links sem saber o que se estão a meter, a instalar aplicações mais do que duvidosas são maliciosas. A internet chegou a todos, desde a uma criança que não devia ser ainda exposta a estes riscos, ao avôzinho que até há pouco tempo nem sabia como ligar um computador!

“sei mesmo o que estou a fazer”

É uma vasta população à mercê de técnicas predatórias, umas maquiavelicamente pensadas para nos extorquir até ao tutano sem que nos apercebamos, outras meio que legitimadas por uma confiança que não deveria existir, mas que o estado e as entidades competentes fecham os olhos porque é “normal”.

Uns que acreditam ter a moral completamente no sitio, dizem “a responsabilidade é das pessoas para se informarem pois meteram-se a jeito”. Eu diria que primeiro temos que assegurar que estas empresas que sempre andam a tentar arranjar novas formas para nos chupar o sangue, nunca tenham essa oportunidade de nos apanharem a jeito!

“Ordinary kids sitting with mobile devices in street”

A ética é um substantivo feminino muito bonito, mas sobretudo é instrumentalizada pelo Marketing, que é a ferramenta que serve para nos por mesmo a jeito. Fazendo uma analogia com uma das criaturas “mitológicas” da série Doctor Who, há uma criatura muito interessante, os Weeping Angels.

Famosa cena do quinto episódio da 5ª serie do Doctor Who

Se calhar as entidades mais poderosas em todo o universo do Doctor Who, têm um poder ou um conjunto de habilidades terríveis! A mais assustadora é que nos conseguem dominar, matar ou mandar para uma era ou dimensão, bastando para isso que nos toquem, e tudo para ficarem com a nossa energia. Estas criaturas alimentam-se de nós.

O problema é que quando estamos distraídos eles aparecem nas nossas costas. Mas podemos escapar das garras destes seres malvados, para isso não podemos desviar os olhares, se piscarmos um olho que seja já éramos.

E claro acho ser a analogia perfeita para esta calamidade ao qual a sociedade nos meteu, uma armadilha, que para uns é da nossa responsabilidade não piscar um olho, não desviarmos o olhar um micro segundo que seja.

Há umas semanas um amigo veio pedir-me ajuda para arranjar o computador dele. Só por mero acaso na conversa que ouvi soube que havia outro problema, que ao perceber o que se passava tentei “resgatá-lo”. O filho dele convenceu-o a adicionar o cartão de crédito ao Paypal para comprar algo “barato” no Ebay, o que não imaginava ele era umas semanas depois detectar compras seguidas online.

Foi ingenuidade, ele, o Pai é um adulto com 50 e poucos anos, muito embora já devesse estar bem informado, é um típico português que não se pode propriamente dizer que tenha uma cultura bem inserida nestas novas tecnologias, usa um computador como instrumento de trabalho, e pouco mais que isso. Como outros da idade dele já tem smartphone e uma tralha de programas que nem sequer sabe se são ou não benignos. E com isso também não sabe o que deve ou não permitir aos filhos.

Por sorte a soma não foi avultada, mas o banco não se responsabilizou pelos quase 200 e tal euros em cangalhada para o Fortnite!

Histórias similares todos os dias nos aparecem, mas nos últimos anos são mais recorrentes, porque a indústria já percebeu que tem um smartphone por pessoa, com a grande possibilidade de no mínimo pelo menos morder o isco!

Todos acabamos por de uma forma ou de outra morder o isco e de aceitar com o tempo o que deveria ser debatido e combatido, há uns tempos testaram as aguas com os malfadados DLCs que hoje toda a gente aceitou, agora enfiam-nos microtransações pela goela a baixo e até lhes chamam mecânicas “Kinder Surpresa”.

Por cá em Portugal, somos muito progressistas, andamos sempre no topo da inovação tecnológica, a TV Cabo entrou cá há uns 25 anos, mal sabíamos que isto viria a ser a próxima evolução para nos explorarem ao máximo. Desde pacotes cada um com informação mais confusa para enganar a pessoa menos atenta, como idosos que são enganados a comprar pacotes com centenas de canais mas que só precisam na realidade do básico porque só querem ver um Goucha ou um Gordo, o tempo e ter o telefone à mão.

Mecânica similar de “pesca” as operadoras permitem com um simples clique no comando da TV aderir a serviços, e depois aparece por “magia” na aproxima factura!

Daria outro artigo falar muito mais sobre esta evolução no treino para o consumismo levou no nosso Pais.

Recentemente outra patranha apareceu, as operadoras muito sabem já dos nossos hábitos, a moda agora é Fortnite em todo o lado, nos computadores, nas consolas e agora nos smartphones. Então aqui surge a oportunidade perfeita para atacar e aí pimba, nem damos por nada. Digo Fortnite como outros jogos já muito batidos nestas andanças das microtransações de tokens digitais.

Dou dois exemplos que sei, agora qualquer coisa que comprem por uma aplicação ou pela store da Google ou da Apple pode ser cobrada na nossa factura, mais flagrante é o caso da Meo agora Altice, que manda um grande isco para as crianças mais vulneráveis a estes tipos de esquemas morderem!

Os Pais não deviam ter de correr estes riscos que muitas vezes estão escondidos em jogos fofinhos que aparentam ser seguros para as crianças!

Como alguém diz “andamos a ser distraídos”!