Só daqui a cerca de dois meses poderão (re)experienciar The Legend of Zelda – Link’s Awakening na sua adaptação à Nintendo Switch. Acontece que no Rubber tivemos a oportunidade de passar uns 15 minutos com uma demo do próximo título da franquia, a convite da Nintendo Portugal e 26 anos depois da primeira aventura de Link no Game Boy e que ainda seria pouco tempo depois remasterizada para o Game Boy Color.

Continuam as referências a Mario, com Link a ter de fugir de um Chain Chomp.

Chamamos-lhe remake mas nesta amostra reduzida de jogo observou-se uma enorme fidelidade ao original. Relaxem – como já terão percebido pelas imagens não se trata de um mero port de um jogo com um quarto de século. Acontece o mesmo que nos primeiros instantes do jogo completo, tal como em 1993: após um naufrágio narrado por meio de uma agradável animação, Link acorda na Ilha Koholint e a sua primeira missão é encontrar a sua espada. Os edifícios, personagens e respectivas falas estão idênticos, o tipo de jogo também. Não falamos de um mapa totalmente aberto em 3D embora tenhamos por fim alguma terceira dimensão por meio de um encantador estilo visual – faz lembrar brinquedos animados, muito perto das opções visuais mais bem sucedidas da Nintendo Switch até aqui – que seria algo pouco exigente para o hardware da consola. Só que várias transições registaram quebras visíveis de framerate, comuns aos vários colegas que por ali tiveram a mesma oportunidade de passar algum tempo com o comando – um pormenor técnico que facilmente deixaremos passar se não transitar para a versão final.

É óbvia a opção de apelar à nostalgia de quem já experienciou uma das versões da década de 90, seja pelo visual que dá vontade de apertar as bochechas a um bebé ou pelas mecânicas quase intocadas por via do combate, mapa ou minijogos. Têm mais fluidez do que há 26 anos – também era melhor, não?! – e ainda funcionam, mas a dada altura teremos de perguntar quantos títulos da franquia queremos jogar com uma estrutura tão linear, especialmente ao nível do mapa e exploração. Claro que estamos a falar de The Legend of Zelda, logo mecânicas com duas décadas são garantidamente melhores do que algumas oriundas de 2019.

De espada em riste, o combate em Link’s Awakening está muito semelhante ao original

Não haja dúvida de que o remake se justifica – são 21 anos desde a última versão quando alguns títulos não esperam nem dez anos – e apenas o experimentamos num televisor (com sólida HD, note-se), mas fica a ideia de que uma iteração tão fiel à original brilhará mais em modo handheld (que não nos foi possível experimentar). O preço base de pré-venda em Portugal ronda os 60 euros: não é caso isolado com remakes mas impera perguntar se dada a escala e longevidade mais reduzidas dez euros menos do que Breath of The Wild no seu lançamento são adequados?

Aqui na edição para Game Boy Color, Link de caras com o mesmo Chain Chomp.

Importa sublinhar que se o último factor não é para vocês problema, acima de tudo espera-vos uma aventura que promete agitar os corações de quem já a jogou em 8-bit. É um clássico da franquia perfeitamente adaptado a 2019, com visuais e mecânicas que resolvem problemas do passado; retém alguma deliciosa falta de orientação que incentiva à exploração de cada um; até podem roubar itens da loja da ilha e safarem-se com isso (apenas até lá voltarem). É certo que volta a um esquema de jogo mais linear, mas como A Link Between Worlds provou há meia dúzia de anos, há maneiras dessa linearidade ser deliciosamente inventiva. Resta-nos esperar pela versão final e mais algumas surpresas.